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Copa 2018


Campeonato Sueco terá jogo no mesmo dia de Suécia x Inglaterra

Divulgação/Hacken
Brasileiro Paulinho em ação pelo Hacken, da Suécia Imagem: Divulgação/Hacken

Lucas Sarti e Pedro Sciola

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2018-07-06T20:00:00

06/07/2018 20h00

A campanha da Suécia na Copa do Mundo da Rússia surpreendeu até a federação do país. Prova disso é que o Campeonato Sueco foi retomado na última terça-feira (03) e tem quatro jogos marcados para este sábado (07), mesmo dia em que a seleção nacional enfrenta a Inglaterra pelas quartas de final do Mundial.

O brasileiro Paulinho, que já defendeu Paraná Clube e XV de Piracicaba, é vice-artilheiro da atual temporada com sete gols. Ele explicou que os suecos não contavam com a boa performance. "Acho que ninguém acreditava muito. O campeonato voltou terça [parou somente no mês de junho], e vamos jogar quase no horário do jogo da Suécia. Mudaram nosso horário, era 11h (horário de Brasília, 16h no horário local) e colocaram para 14h30 para podermos ver um pouco da partida. Mas não cancelaram", disse o jogador, que defende o Hacken, em entrevista ao UOL Esporte.

Suecos e ingleses se enfrentam às 11h (horário de Brasília). Se não houvesse a mudança de horário, a partida do campeonato local coincidiria exatamente com o duelo da Copa. 

Paulinho revela que mesmo nos bolões feitos na equipe, poucos apostavam na Suécia superando a fase de grupos. "Fizemos um bolão no clube e todos apostaram no Brasil como campeão, e a Suécia não chegaria tão longe", explicou.

A Suécia foi primeira colocada no grupo F, deixando a Alemanha, atual campeã, México e Coreia do Sul para trás. Nas oitavas, enfrentaram a Suíça, sexta colocada no ranking da Fifa, e venceram por 1 a 0, com os suíços tendo poucas oportunidades de gol. Antes, já tinham surpreendido nas Eliminatórias, quando ficaram em segundo lugar no grupo A (à frente da Holanda). A seleção ainda superou a Itália na repescagem.

Vice-artilheiro do Campeonato Sueco, Paulinho é um dos maiores ídolos da história do Hacken, tradicional clube da região de Gotemburgo. O camisa 10 da equipe conta que a confiança local em relação à seleção era bem baixa, tanto que a Suécia foi o único dos oito países envolvidos nas quartas de final (Bélgica, Brasil, Croácia, França, Inglaterra, Rússia, Suécia e Uruguai) que tem a primeira divisão em andamento. O Brasileirão, por exemplo, retorna em 18 de julho, três dias após a final da Copa.

A situação gerou brincadeiras dentro do próprio elenco do Hacken. "Brinquei com os meus companheiros: vamos pegar a rebarba da Suécia. Todo mundo vai estar bêbado, errar o caminho e chegar ao nosso estádio. Falei para o pessoal do time colocar um telão e passar o jogo da seleção antes do nosso, aí o pessoal já fica por lá", brincou Paulinho, que, somando duas passagens, está há mais de sete anos no país nórdico.

Divulgação/Hacken
Paulinho (à direita) comemorando gol na Suécia Imagem: Divulgação/Hacken

Campanha surpreendente pode ajudar país

A performance da seleção não poderia vir em melhor hora. O futebol sueco tem perdido cada vez mais a sua força em termos continentais. Nos últimos dois anos, o campeão nacional sequer passou da primeira fase classificatória da Liga dos Campeões. A última vez que um time sueco chegou à fase de grupos foi em 2015/2016, mas o Malmö foi o último colocado do grupo A, que tinha Real Madrid, PSG e Shakhtar Donetsk. Na Liga Europa, o Östersunds superou a fase de grupos neste ano, mas caiu diante do Arsenal no primeiro mata-mata e ficou fora das oitavas de final.

Mesmo assim, Paulinho vê uma melhora. "O futebol evoluiu demais. Foi da água para o vinho. Em minha primeira passagem (entre 2007 e 2012, quando defendeu Hacken e Orebro), era só bola aérea, muito chutão, não tinha toque de bola, era ‘seja o que Deus quiser’. Não era muito bem visto no mercado. Hoje, clubes da Itália, da Inglaterra, vêm buscar jogadores aqui", afirmou.

Uma das explicações para o desenvolvimento técnico da liga é a presença de estrangeiros. Quando Paulinho chegou ao Hacken, com apenas 21 anos, os clubes podiam contar com apenas três estrangeiros no elenco. Nesta temporada, o número máximo é nove. A equipe de Paulinho, por exemplo, tem sete. "Eles sempre gostaram de brasileiros. Isso (contratação de brasileiros) ajudou a moldar o novo futebol sueco. Brasileiro tem potencial, chega aqui e ganha força física", avaliou.

Além de Paulinho, outros brasileiros atuam na Suécia como o meia-atacante Nixon (ex-Flamengo), os meias Hiago (ex-Fortaleza) e Romário (ex-Imperatriz-MA), e o lateral Neto Borges (ex-Tubarão-SC).

Ao mesmo tempo em que atrai estrangeiros, o país também perde seus principais jogadores para outros países. A seleção sueca não poderia representar melhor este quadro. Os 23 jogadores convocados atuam fora do país (apenas Senegal tem situação semelhante entre as 32 equipes que disputaram a Copa) e, ironicamente, o time enfrenta neste sábado a Inglaterra, a única que conta com os todos os atletas disputando a liga nacional.

A campanha surpreendente na Rússia (a melhor desde 1994, quando foi terceiro lugar) fez com que os torcedores recuperassem a confiança perdida nos últimos anos. "Eles estão confiantes. O país para quando tem jogo da Suécia. Acreditam no futebol sueco. Mas, antes da Copa, estavam com o pé no chão".

Momento especial com Tite

Reprodução/Instagram
Paulinho, na época que jogava pelo XV de Piracicaba e conheceu Tite Imagem: Reprodução/Instagram
Antes do estrelato na Suécia e de carregar o time ao título de maior expressão de sua história, Paulinho defendeu Paraná Clube, União Barbarense, São José-SP, Bragantino e Democrata de Governador Valadares-MG. Mas foi no XV de Piracicaba, em 2015, que ganhou um de seus títulos pessoais na carreira: um gol contra o Corinthians e uma conversa ao pé do ouvido de Tite, atual técnico da seleção brasileira.

Na última rodada da fase de grupos do Paulistão de 2015, o XV de Piracicaba enfrentou o Corinthians, em Piracicaba, e perdia por 2 a 1 até o fim do segundo tempo. Foi então que Paulinho mostrou oportunismo e, aos 36 minutos do segundo tempo, finalizou de cabeça, viu o goleiro Walter defender e, pegando rebote, balançou as redes. O gol garantiu a classificação do Nhô Quim à fase mata-mata do Paulistão, e uma conversa com o técnico Tite, então comandante do Corinthians, permanece na memória de Paulinho.

"Lembro desse gol, sempre o vejo no YouTube. Foi marcante, no finalzinho do jogo. Não sei se o Tite lembra, mas falei que admirava o trabalho dele, que ele era o melhor treinador do mundo, e apertei sua mão. Ele agradeceu e me deu um abraço. Esse momento ficou marcado para mim", relembrou o atacante.

A primeira passagem de Paulinho, chamado de Guerreiro pelos torcedores, pela Suécia aconteceu em 2007, quando o meia-atacante defendeu as cores do Hacken. Time de média expressão no país, a equipe conquistou o título da Copa da Suécia nove anos depois, e viu Paulinho ser artilheiro, com sete gols, e melhor jogador da competição.

O brasileiro ganhou rapidamente o status de ídolo. "Aqui eles falam que se um jogador fizer 10 gols e não voltar para marcar, ele sai do time. Tem que ajudar no esquema tático. Coloquei isso na minha cabeça", afirmou. "A torcida até fez uma música para mim. Falam 'Paulinho, Pa, Pa, Paulinho'. Cantam em todo lugar. Quando vou na escola dos meus filhos a torcida canta. É bem engraçado".

O atacante de 32 anos renovou contrato com o Hacken por mais duas temporadas. Na atual, Paulinho tem sete gols em nove jogos pelo Campeonato Sueco. O camisa 10 chegou a ser convidado para atuar pela seleção local. A falta da dupla nacionalidade, no entanto, impediu que Paulinho vestisse a camisa dos europeus. Porém, o jogador ainda tenta buscar a naturalização para realizar o sonho.

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