Copa 2018

Esqueça a Copa: a verdadeira disputa França x Bélgica é a da batata frita

Daniel Lisboa/UOL
Belgas e franceses reclamam a "paternidade" da batata frita; na foto, versão servida no restaurante belga Chez Vous, em São Paulo Imagem: Daniel Lisboa/UOL

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/07/2018 04h00

Esqueçam que a França está classificada para a final da Copa do Mundo. Não dê importância a esta história de Asterix contra Tintim. O grande duelo desta terça-feira (10) se deu em fritadeiras encharcadas de óleo: afinal, que tem a melhor batata frita, França ou Bélgica?

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O UOL Esporte resolveu meter a colher (ou o sal, ou o ketchup) na questão, mas antes é bom esclarecer o porquê: apesar de muita gente achar que o petisco foi inventado na França (afinal, em inglês é chamado de “french fries”), belgas também reivindicam sua autoria.

Não é uma polêmica do mesmo peso de Santos Dumont x Irmãos Wright, mas, convenhamos, também não é pouca coisa: disseminada pela cultura fast-food americana, as batatas fritas conquistaram o mundo. Há poucas opções tão ou mais amadas de comida simples, gostosa, engordativa e que possivelmente vai te matar se virar a base da sua alimentação.

Entre as muitas teorias e possibilidades que circulam por aí, está a de que a batata frita foi realmente criada na França, pouco antes da revolução em 1789, por vendedores de rua. Belgas, porém, garantem que a iguaria, na verdade, surgiu na região de Namur, no sul do país. Moradores da região teriam criado o hábito de substituir o peixe frito pela batata frita porque ficava bem difícil pescar quando rios da região congelavam no inverno.

Isso para ficarmos só entre os dois principais candidatos e inventores. Responsável por levar a batata das Américas para a Europa, a Espanha também é uma possível “mãe” da comidinha. E os Estados Unidos não foram os responsáveis por popularizá-la à toa: consta que o presidente americano Thomas Jefferson virou fã de batata frita durante o tempo em que trabalhou como diplomata na França, entre 1784 e 1789. A iguaria teria entrado para sua lista receitas favoritas quando ele voltou aos EUA.

Tudo isso é bem curioso, sim, mas vamos ao que de fato importa: enquanto Bélgica e França se digladiavam em campo, experimentamos as batatinhas do Chez Vous e do Le Jazz Brasserie, conhecidos restaurantes belga e francês, respectivamente, em São Paulo.

No primeiro, a batata frita veio como acompanhamento de um “steak tartare”, carne crua e picada. Estava, como diriam os “foodies”, correta: sequinha e crocante naquele ponto em que você tenta pegar a batata com o garfo e tudo o que consegue é matar de aflição quem não suporta um talher arranhando o prato.

O Chez Vous foi ponto de encontro da torcida belga na capital paulista, e tinha quase todas as mesas reservadas para quem foi lá assistir à partida. Chapeuzinhos ao estilo bobo da corte decoravam as mesas e estavam à disposição de quem quisesse embelezar a torcida com um adereço.

A lamentar, só a porta escancarada no dia mais frio do ano em São Paulo. Um autêntico inverno do sul da Bélgica involuntariamente recriado.

No Le Jazz não tinha clima de Copa, até porque a torcida francesa escolheu outro restaurante – o 3 Brasseurs – como seu ponto de encontro paulistano. E, se a Bélgica perdeu em campo, ganhou a disputa da batata frita. Pelo menos dentro desta reduzidíssima amostra.

Daniel Lisboa/UOL
Porção de batatas do Le Jazz Brasserie Imagem: Daniel Lisboa/UOL
Não que estivesse ruim, até porque batata frita é um pouco como pizza, boa mesmo quando não é. Mas, no Le Jazz, a iguaria estava mais próxima daquela que normalmente comemos, sem pensar muito, em um boteco qualquer: não tão crocante, e engordurada acima do desejado. Não ao ponto de transformar seu tubo digestório em um toboágua besuntado, mas ainda assim mais encharcada que a do Chez Vous.

Que sirva de consolo para os belgas.

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