Copa 2018

Fifa ainda capenga no combate a assédio e sexismo na Copa do Mundo

Montagem/UOL/
Segundo levantamento da ONG Fare, 15 repórteres sofreram assédio sexual na Copa Imagem: Montagem/UOL/

Rodrigo Mattos

Do UOL, em Moscou

12/07/2018 04h00

Após anos de combate ao racismo, a Fifa reduziu os casos de manifestações nos estádios na Copa-2018, embora esteja longe de resolver o problema. A entidade, no entanto, ainda engatinha para tratar da questão do assédio a mulheres, maior problema verificado neste Mundial russo e que parece ter surpreendido a federação internacional.

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O problema da homofobia no futebol também é outro em que a Fifa ainda não conseguiu atuar de forma mais incisiva, embora tenha algumas evoluções, como punições e apoio a ONGs ligadas ao tema.

Durante a Copa da Rússia, a ONG Fare registrou 45 casos de assédios a mulheres, sendo 15 delas repórteres. Esse levantamento foi feito com base em notícias de mídia e levantamentos na internet. A avaliação é de que o número total de casos pode ser até dez vezes maior.

A Fifa ressalta que os casos não ocorreram nos estádios, isto é, no ambiente pelo qual é responsável. E apontou que houve punições com perda de FAN ID para alguns casos, sem especificar quais, nem quantos.

"Não é verdade que não temos agido em relação à questão do sexismo. Por exemplo, quando houve a questão da orientação da AFA [Associação de Futebol Argentino] para torcedores [sobre como abordar russas], nós intervimos, mandamos uma carta. Estamos agindo, mas podemos fazer mais", afirmou Federico Addiechi, chefe de diversidade e sustentabilidade da Fifa.

Para o diretor, não há como afirmar que os casos aumentaram, apenas que se tornaram mais visíveis. "Não tenho certeza de que houve mais casos aqui do que nas praias de Copacabana [na Copa de 2014], por exemplo. É difícil fazer esse tipo de comparação", analisou ele, lembrando que alguns dos envolvidos durante o torneio na Rússia perderam seus empregos.

O diretor da Fare, Piara Powar, fez uma crítica ao regulamento disciplinar da Fifa. No artigo 58, o documento fala em punições por manifestações ofensivas e discriminatórias, citando raça, cor, língua ou religião. Não fala, porém, de gênero ou orientação sexual. "Há um gap na regulação."

Addechi rebateu essa posição: lembrou que o estatuto da Fifa, documento mais importante da entidade, veta discriminação por gênero e por orientação sexual. No Mundial, houve punições por homofobia à federação mexicana porque seus torcedores gritam "puto" nos tiros de meta batidos pelos goleiros adversários.

Na Rússia, uma ONG parceira da Fifa que trata dos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) foi proibida de realizar um evento em um hotel quando os donos do estabelecimento souberam da natureza do evento. Addiechi afirmou que está tentando resolver a questão em apoio à ONG.

"Em geral, acredito que as coisas não estão mudando o bastante no mundo. Precisamos tentar mudar o máximo por meio do evento da Fifa. Falamos sobre mudanças, sobre erradicar discriminação. Vai demorar bastante tempo", analisou o Addiechi.

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