Copa 2018

Deputada pede que russas não façam sexo com gringos para "evitar mestiços"

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Tamara Pletnyova é líder do Comitê para Famílias do Parlamento Russo Imagem: CHRISTOPHER FURLONG/GETTY IMAGES

Ricardo Senra

Enviado especial da BBC News Brasil a Moscou

14/06/2018 08h32

A líder do Comitê para as Famílias do Parlamento russo pediu nesta quarta-feira (13) que suas compatriotas não façam sexo com estrangeiros que não sejam brancos durante a Copa do Mundo.

À imprensa local, a parlamentar Tamara Pletnyova disse que transar com estrangeiros aumenta o risco de que as russas se tornem mães solteiras de filhos mestiços.

"Essas crianças mestiças sofrem e sofreram desde os tempos soviéticos ", justificou Pletnyova.

"É uma coisa se eles são da mesma raça, mas outra bem diferente se eles são de uma raça diferente. Eu não sou nacionalista, mas mesmo assim sei que as crianças sofrem. As crianças são abandonadas, e é isso, acabam ficando aqui com a mãe", afirmou a deputada do Partido Comunista KPRF, que costuma apoiar o presidente Vladimir Putin em votações importantes.

Os comentários geraram controvérsia. Os russos brancos, segundo o censo de 2010, correspondem a 81% da população do país - o restante inclui minorias étnicas como turcos e mongóis.

'Filhos da Olimpíada'

O comentário da deputada foi motivado por uma pergunta relacionada aos chamados "filhos da Olimpíada" de Moscou, em 1980.

O termo é considerado pejorativo e normalmente é associado a russos de ascendência africana, latina ou asiática - que sofrem preconceito no país, principalmente em cidades do interior.

A frase sugere que estas pessoas teriam sido concebidas durante os Jogos, por mulheres russas que se relacionaram com estrangeiros. Nos anos 1980, ainda sob a régua do comunismo soviético, métodos contraceptivos eram raros no país.

Ainda segundo Pletnyova, as russas devem "se casar por amor, independente de sua etnia".

A FIFA estima que 1 milhão de turistas estrangeiros visitem o país durante a Copa do Mundo, que começa oficialmente nesta quinta-feira, em Moscou, com partidas em 11 cidades, até 15 de julho.

Nem a FIFA nem o Comitê Organizador da Copa do Mundo comentaram as declarações.

Um estudo divulgado recentemente pelas ONGs russas Fare Network e Sova Centre, em Moscou, aponta para um aumento de manifestações racistas nos estádios que serão usados durante a Copa.

Segundo relatório, 19 menções a "macaco" e canções neonazistas foram identificadas nos estádios entre 2017 e 2018.

Entre 2016 e 2017, segundo o levantamento, apenas duas menções do tipo haviam sido registradas. O estudo é realizado desde 2012.

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