Copa 2018

5 lances em que o juiz de vídeo poderia ter mudado a história das Copas

Fernando Duarte

Da BBC News em Sochi

18/06/2018 14h03

O primeiro gol de Diego Costa no empate em 3 a 3 da Espanha com Portugal pelo Grupo B da Copa da Rússia entrou para a história. Foi a primeira vez em que o atacante brasileiro naturalizado espanhol balançou a rede num mundial e também a primeira em que o árbitro de vídeo (VAR), que revisa as decisões do juiz que está em campo, foi acionado para validar um gol na competição.

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O juiz italiano Gianluca Rocchi usou o recurso para conferir se Costa havia cometido uma falta em Pepe antes de abrir o placar da partida. Concluiu-se que foi uma jogada normal e o gol foi validado.

No mesmo dia, no jogo em que a França bateu a Austrália por 2 a 1, os dois primeiros gols foram em pênaltis também decididos pelo VAR. Aos 10 minutos do segundo tempo, o pênalti para a França foi a primeira intervenção efetiva do VAR na história das Copas. Inicialmente, o árbitro não tinha anotado o pênalti. O jogo seguiu por cerca de 20 segundos, até a bola sair. Então, o juiz decidiu conferir o lance em uma tela ao lado do campo e, em seguida, apontou para a marca e deu um cartão amarelo para o jogador australiano.

A equipe do VAR faz uma checagem silenciosa, analisando constantemente todos os lances das partidas. No caso do empate em 1 a 1 do Brasil com a Suíça, por exemplo, o árbitro mexicano César Ramos recebeu a mensagem de que deveria deixar o jogo seguir tanto no lance em que Miranda reclamou ter sofrido uma falta no gol de empate suíço quanto no pedido de pênalti sofrido por Gabriel Jesus.

Fica a pergunta: se o VAR estivesse em outras Copas, seria a história do mais importante torneio de futebol diferente? A BBC News selecionou cinco partidas com lances polêmicos que poderiam ter tido um resultado diferente se o árbitro de vídeo estivesse auxiliando o juiz em campo.

Argentina x Inglaterra, México 1986

Reprodução/BTSP/Intercontinental Press
O infame gol com a ajuda da "mão de Deus". Imagem: Reprodução/BTSP/Intercontinental Press

Para aqueles que nunca ouviram falar desse polêmico lance, foi ele que levou a Argentina a abrir o placar contra a Inglaterra numa equilibrada partida nas quartas de final. Maradona usou a mão esquerda para ajeitar a bola e marcar o gol.

Maradona ainda marcou um belo gol driblando quase o time inteiro para ampliar o placar, antes que Gary Lineker descontasse para a Inglaterra no final do jogo.

Mas vale lembrar que por 51 minutos a Argentina não conseguiu romper a defesa da Inglaterra. Com o VAR para averiguar o lance, o árbitro teria visto que definitivamente não foi a cabeça de Maradona que lhe permitiu vencer a disputa com um homem quase 20cm mais alto que ele.

Brasil x Holanda, EUA 1994

Ormuzd Alves/Folhapress
Branco (número 6) marcou o gol da vitória na semifinal de 1994 Imagem: Ormuzd Alves/Folhapress

Num dos mais emocionantes jogos da história das Copas, a Holanda perdia por 2 a 0, graças aos gols de Bebeto e Romário. Os holandeses conseguiram empatar com Dennis Bergkamp e Aaron Winter. O gol salvador do Brasil foi marcado por Branco, numa cobrança de falta aos 81 minutos.

Mas se o VAR estivesse em ação, aquela falta contra o Brasil jamais teria sido marcada. Antes, Branco fez falta no camisa 7, Marc Overmars, e só depois o juiz marcou a falta contra o brasileiro que tentou driblar dois adversários e caiu rolando no chão.

No momento em que o gol foi marcado, o time holandês parecia ainda ter vigor para encarar uma prorrogação que não ocorreu.

Espanha x Itália, EUA 1994

Simon Bruty/ALLSPORT
Enrique sofreu falta na grande área no duelo entre Espanha e Itália Imagem: Simon Bruty/ALLSPORT

A Copa era a mesma, mas a polêmica foi outra. Numa acirrada disputa, realizada em Boston, a Itália vencia a Espanha por 2 a 1. Já nos acréscimos, o espanhol Luis Enrique avançava na grande área para tentar receber um cruzamento quando levou cotovelada no rosto do italiano Mauro Tassotti.

Para o azar dos espanhóis, nem o juiz nem o bandeirinha viram a falta. Também preferiram ignorar os apelos de Enrique, apesar do sangue que escorria do nariz dele. Tassotti foi punido depois pela jogada. Ganhou suspensão de oito dias e ficou fora da final contra o Brasil. Valeu como prêmio de consolação para a Espanha, mas se o VAR estivesse em ação o jogador italiano teria sido expulso na hora.

Coreia do Sul x Espanha, Japão-Coreia do Sul 2002

Shaun Botterill/Getty Images
O juiz Gamal Ghandour não marcou dois gols legítimos para a Espanha contra a Coreia do Sul e marcou impedimentos que não existiram Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

O árbitro de vídeo teria trabalhado muito nessa partida.

A Espanha marcou dois gols legítimos que foram anulados pelo árbitro egípcio Gamal Ghandour. Por várias vezes, ele marcou impedimento contra os espanhóis quando eles pareciam estar em posição legal.

O jogo terminou em 0 a 0, contanto a prorrogação, e a Espanha perdeu nos pênaltis.

Os coreanos já tinham avançado às quartas de final após uma polêmica vitória sobre a Itália, na qual Francesco Totti ganhou um segundo cartão amarelo por ter se jogado ao chão. A expulsão pelo lance pareceu dura demais.

Ainda assim, o país anfitrião continuou até as semifinais, quando perdeu da Alemanha por 1 a 0.

Brasil x Croácia, Brasil 2014

Buda Mendes/Getty Images
Fred cavou pênalti na estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014 Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Sede da Copa de 2014, o Brasil viveu um pesadelo logo no jogo de estreia em São Paulo. Aos 10 minutos de jogo, Marcelo marcou um gol contra, deixando o Brasil atrás no placar contra a Croácia. Neymar empatou, mas a Croácia estava melhor na partida.

Foi quando o atacante Fred caiu na área aos 70 minutos de jogo. O árbitro japonês Yuichi Nishimiura deu o pênalti que Neymar converteu, virando o jogo para o Brasil.

Mas uma análise da imagem revela que Fred não foi derrubado, ele se jogou. Com o VAR, dificilmente o pênalti teria sido marcado. Ao final dessa partida, Oscar ainda marcou mais um para o Brasil.

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