15 causos e curiosidades que explicam a rivalidade entre Brasil e Argentina

Do UOL, em São Paulo

  • Vanderlei Almeida/AFP

A maior rivalidade da América do Sul criou raízes no futebol e se alimentou, sobretudo, da admiração que um tem pelo outro. Mas o respeito mútuo nem sempre deu o tom dos jogos entre Brasil e Argentina. Mais de 100 anos depois do primeiro confronto, não faltam histórias para contar: 

Caio Coronel/Divulgação/Itaipu
Caio Coronel/Divulgação/Itaipu

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Fora de campo

A rivalidade começou antes mesmo da existência dos dois países. Quando chegaram por aqui, portugueses e espanhóis já duelavam por território. Mais tarde, Brasil e Argentina entrariam em guerra pela Província Cisplatina, que virou o Uruguai depois da derrota das tropas brasileiras. Já na época da construção da Usina de Itaipu, a Argentina só autorizou a obra depois que o Brasil provou ser impossível inundar Buenos Aires se todas as comportas fossem abertas. O tempo passou, e a relações ficaram mais tranquilas - exceto no futebol.
Flu Memória/Divulgação FFC
Flu Memória/Divulgação FFC

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"Percam pela pátria"

O primeiro duelo não teve caráter oficial nem contou nas estatísticas, mas foi marcado por um episódio curioso. Em 1912, o ex-presidente argentino Julio Roca foi enviado ao Brasil durante as comemorações de 7 de setembro para apaziguar as relações entre os dois países, que estavam estremecidas. Junto com ele, veio um combinado da Associação Argentina de Futebol. Depois de vencer amistosos contra seleções de São Paulo e do Rio de Janeiro, chegou a vez de enfrentar o combinado do Brasil em um jogo festivo no estádio das Laranjeiras (foto). Os argentinos fizeram 3 a 0 no primeiro tempo, e Julio Roca fez um pedido aos jogadores no intervalo: "O Brasil está festejando sua data nacional. Hoje, vocês têm que perder. Percam pela pátria!". No segundo tempo, os argentinos diminuíram o ritmo e venceram "só" por 5 a 0.
Divulgação
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Confusão nas estatísticas

Em homenagem a Julio Roca, foi criada a Copa Roca, competição entre as duas seleções disputada pela primeira vez em 1914, ano em que a seleção brasileira foi oficialmente instituída. O detalhe é que, nas estatísticas da Associação Argentina de Futebol, há duas vitórias contra o Brasil que aconteceram antes mesmo da seleção brasileira existir: uma em 1908 e outra em 1912. A CBF também contabilizou partidas não reconhecidas pelos argentinos. Por sua vez, a Fifa também fez um cálculo diferente. Resumindo: em todas as três contagens, o Brasil está na frente em número de vitórias. Considerando os dados da Fifa, são 40 vitórias brasileiras, 37 argentinas e 26 empates. A CBF soma uma derrota a menos; a AFA, duas.
Reprodução/cbf.com.br
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"Mano de Dios" ao contrário

A primeira edição da Copa Roca, em 1914, foi disputada na Argentina e vencida pelo Brasil: 1 a 0, gol de Rubens Salles. Mas a Argentina poderia ter empatado o jogo se não fosse um caso de fair play improvável nos dias de hoje. No segundo tempo, o atacante Roberto Leonardi disputou a bola com o goleiro brasileiro Marcos e empurrou para o gol usando a mão. O juiz, que era brasileiro, não viu o toque e já ia apontando para o centro do campo. Mas foi cercado pelos jogadores argentinos, que fizeram questão de avisá-lo que o lance foi ilegal. O gol foi anulado e o Brasil ficou com a taça.
Reprodução
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"Macaquitos"

Em 1920, a seleção brasileira viajou a Buenos Aires para disputar um jogo que deveria ser amistoso, mas acabou acendendo a rivalidade entre os dois países. Chegando lá, os brasileiros foram surpreendidos por uma charge de jornal que os retratava como macacos, por causa da presença de quatro jogadores negros no elenco. Esses quatro jogadores se recusaram a entrar em campo. Em solidariedade, a Argentina aceitou entrar em campo com quatro a menos para que o jogo fosse realizado, e venceu por 3 a 1.
Reprodução/Site Oficial
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O técnico argentino do Brasil

A Argentina nunca teve um técnico brasileiro, mas o Brasil já teve um técnico argentino. Único estrangeiro a ter comandado sozinho a seleção brasileira, Nelson Filpo Núñez era o treinador do famoso time do Palmeiras que dominou o futebol brasileiro na década de 1960. Na inauguração do Mineirão, em 1965, o time alviverde foi convidado a vestir a camisa amarela da seleção para jogar contra o Uruguai. A seleção palmeirense venceu por 3 a 0, no único jogo de um técnico argentino à frente do time canarinho.
Torsten Silz/AFP
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Maiores goleadas

Neste quesito, eles levam vantagem: o placar mais elástico foi a vitória argentina por 6 a 1 na Copa Roca de 1940. Cinco anos depois, o Brasil quase igualou o feito ao vencer por 6 a 2, também pela Copa Roca. A última goleada do clássico foi na final da Copa das Confederações de 2005, com show do quadrado mágico e vitória brasileira por 4 a 1.
Art Rickerby/Time & Life Pictures/Getty Images
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Pelé, o artilheiro do clássico

Em 10 jogos contra a Argentina, o "Rei" marcou oito gols e até hoje é o maior goleador do confronto. Foi o primeiro brasileiro a fazer três gols em um mesmo clássico, na vitória por 5 a 2 na Copa Roca de 1963. Mesmo assim, seu retrospecto contra os argentinos é equilibrado: foram quatro vitórias, dois empates e quatro derrotas com Pelé em campo.
Getty Images
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Maradona: discreto e decisivo

Foi dele a jogada que deixou Caniggia livre para fazer o gol que eliminou o Brasil da Copa de 1990, mas os números de Maradona no clássico são bem discretos: em seis jogos, ele só marcou um gol e somou três derrotas e dois empates. A única vitória foi aquela da Copa de 1990.
Jorge Araújo/Folhapress
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As primeiras batalhas em Copas

Em 1974, o Brasil venceu por 2 a 1 e eliminou a Argentina. Em 1978, no jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Rosário", a rivalidade aflorou - depois de um violento empate por 0 a 0, os argentinos se classificaram para a final com a polêmica vitória por 6 a 0 sobre o Peru. Em 1982, o inesquecível esquadrão brasileiro não deu chances ao rival e venceu por 3 a 1, decretando a eliminação argentina.
Reprodução
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Água batizada

O último clássico em Copas do Mundo elevou a rivalidade a outro nível. Além de ajudar a eliminar o Brasil nas oitavas de final do Mundial de 1990, Maradona tirou sarro do episódio da água batizada anos depois. A vitima foi o lateral Branco, que aceitou uma garrafa de água oferecida pelo massagista argentino sem saber que estava tomando sonífero.
Roberto Candia/AP
Roberto Candia/AP

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Copa América

Na competição continental, os argentinos têm bem mais títulos: 14 a 8. Só que as boas lembranças mais recentes são dos brasileiros. Em 1989, o inesquecível gol de voleio de Bebeto no Maracanã. Em 1995, Túlio "tirou a bola para dançar", dominou com o braço e fez um gol decisivo no jogo que eliminaria os hermanos. Em 2007, o "mistão" do Brasil atropelou a favoritíssima Argentina de Riquelme, Verón e Messi na final.
AP
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O último grande algoz

Os argentinos devem ter calafrios só de pensar no Adriano. Aquele gol nos acréscimos na final da Copa América de 2004 deve ter sido difícil de engolir, ainda mais com a vitória do Brasil na decisão por pênaltis. Para completar, na final da Copa das Confederações de 2005, o Imperador marcou duas vezes e o Brasil venceu por 4 a 1.
Ben Radford/Getty Images
Ben Radford/Getty Images

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Quem é o freguês nas finais?

Apesar do recente domínio brasileiro nas decisões contra a Argentina, há equilíbrio no histórico. A Argentina venceu as três primeiras finais contra o Brasil, todas pela Copa América: em 1937, 1946 e 1959. E a seleção brasileira venceu as três últimas: em 2004 e 2007, pela Copa América, e em 2005, pela Copa das Confederações (foto).
JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

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Quem é o campeão da zoeira?

Os argentinos têm o jornal Olé, que faz sucesso com suas capas divertidas e provocativas, e também o famoso canto "Brasil, decime qué se siente", que tira onda com a vitória na Copa de 1990. O Brasil contra-ataca com propagandas tirando sarro dos hermanos, Galvão Bueno dizendo que ganhar da Argentina é melhor e o famoso canto "Eta eta eta, Messi não tem Copa quem tem é o Vampeta". Nas arquibancadas, o maior clássico das Américas também está longe de acabar.

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