5 histórias mostram que nem a guerra consegue parar o futebol na Síria

Do UOL, em São Paulo

  • Zhang Naijie/ Xinhua

    Meninos sírios jogam futebol em campo em Damasco

    Meninos sírios jogam futebol em campo em Damasco

Apesar da guerra civil que já matou quase meio milhão ao longo de seis anos, a população que permaneceu na Síria tenta seguir uma vida normal, na medida do possível. O maior exemplo disso é o Campeonato Sírio, que não foi interrompido durante o conflito. O futebol chegava a reunir 50 mil pessoas nos estádios. Hoje, reúne os sírios em torno do desejo pela paz, mas também serve como propaganda governista. Até as regiões mais atingidas continuam agarradas ao esporte mais popular do país, como mostram as 5 histórias a seguir. 
 
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Koji Watanabe/Getty Images
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A força da seleção síria

O time nacional não joga em casa desde 2011. Desde que a guerra começou, tem mandado as partidas no país vizinho, Omã. Os jogadores estão impedidos pelo governo de deixar o país para atuar em outras ligas. Mesmo assim, a seleção da Síria se supera. Classificou-se para a fase final das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo da Rússia vencendo todos os seus oponentes, exceto o Japão. E continua dando trabalho. Para pegar ao menos uma repescagem, a Síria precisa ficar entre os três primeiros de seu grupo na fase final. Está em quarto, quatro pontos atrás do Uzbequistão, próximo adversário. A última vitória foi contra a China, fora de casa, por 1 a 0. Sim, a China, que tem "passado o rodo" no mercado da bola mundial. Derrotada em campo pela seleção de um país em ruínas, mas com uma paixão inatingível pelo futebol. Depois disso, chineses foram às ruas pedir a saída do presidente da federação. E a Síria manteve vivo o sonho de ir à Copa, apesar de não ter conseguido contratar José Mourinho, como quis a federação.
Creative Commons
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A força do time de Aleppo

A cidade mais atingida pelo conflito é representada no Campeonato Sírio pelo Al-Ittihad, líder da temporada 2016/2017 ao fim da terceira rodada. Apesar de não poder mandar jogos em seu estádio (foto), inaugurado em 2007 e com capacidade para 53 mil pessoas, o time treina em Aleppo, dentro de uma área protegida pelo governo sírio. Ficou em terceiro lugar na última temporada e surge como um dos favoritos na atual edição, desafiando o domínio recente das equipes influenciadas pelo regime: Al-Wahda, Al-Shorta e o Al-Jaish - time do Exército e atual campeão sírio. Os jogos do "Sirião" costumam acontecer em áreas dominadas pelo governo, geralmente nas cidades de Damasco, Hama e Latakia.
Deutsche Welle
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A perseverança dos jogadores

Há quem se recuse a representar a seleção síria por motivos políticos: é o caso de Omar Al Somah, que joga na Arábia Saudita e foi o sexto maior artilheiro do mundo em 2016: 46 gols em 38 jogos. Ele nunca atendeu aos inúmeros pedidos da federação síria. Outros preferem deixar suas opiniões de lado: é o caso do atacante Tarek Hindawi (foto), de 21 anos, que viu sua família deixar o país e mora sozinho nas dependências do Al-Ittihad Aleppo. "Há jogadores que se negam a representar a seleção nacional no momento porque acham que estariam representando apenas um dos lados na guerra. Mas eu discordo da posição deles. Representamos nossa bandeira, e nosso comprometimento é para com este país. Jogamos para arrancar um sorriso dos lábios de cada torcedor sírio", declarou o atacante ao jornal The National, dos Emirados Árabes.
Divulgação
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A solidariedade de um jogador brasileiro

O lateral esquerdo Marçal foi revelado pelo Guaratinguetá e foi para Portugal em 2010. No ano passado, foi emprestado pelo Benfica ao Gaziantepspor, clube turco com sede na fronteira com a Síria, a cerca de 120 km de Aleppo. "Não sentia o clima da guerra, de ouvir bombas, mas havia muitos refugiados. Ao final da tarde, quando voltava do treino, via muita gente pedindo nos sinais. Às vezes ia ao supermercado e tentava ajudar de alguma maneira. Enchia a sacola com pão, água e fruta. Também via mulheres com crianças e comprava algumas fraldas", contou o jogador brasileiro ao site português Mais Futebol. Hoje, Marçal joga no Guingamp, da França.
Reprodução/Twitter
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Amistoso ou armadilha?

Aleppo tinha acabado de sofrer um bombardeio contra as forças rebeldes quando o governo sírio enviou mensagens de celular e distribuiu panfletos convidando os militantes da oposição a participarem de um amistoso de futebol, como um gesto de boa vontade. Nenhum rebelde apareceu, mas os jogos aconteceram. Em Aleppo, os times das partes oriental e ocidental da cidade se enfrentaram e empataram por 5 a 5. Na capital Damasco, a equipe de professores da universidade perdeu por 10 a 9 para o time amador Nudzhum Surya. O ministro da Reconciliação Nacional, Ali Haidar, entregou medalhas aos jogadores e chamou o jogo de "apelo à reconciliação".

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