Espionagem no esporte tem flagra em auxiliar de Tite e ex-jogador na guerra

Thiago Rocha

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Um drone a serviço do Grêmio virou polêmica às vésperas da final da Copa Libertadores

    Um drone a serviço do Grêmio virou polêmica às vésperas da final da Copa Libertadores

O flagrante do uso de drones por parte do Grêmio para observar treinamentos de rivais durante a temporada, revelado pela ESPN Brasil nesta segunda-feira, é a versão mais moderna e tecnológica daquele antigo pecado que muita gente comete, mas não confessa, no esporte mundial: a espionagem. 

No Brasil, os episódios mais famosos vêm do futebol. O vale-tudo na tentativa de se antecipar ao adversário pode ser imoral, mas não ilegal. Nada na legislação esportiva ou nos regulamentos de competição inibe a prática no país. No máximo, pode ser aberto um processo civil, em caso de flagrante, e se as autoridades considerarem que o caso precisa ser investigado.

Mundialmente, no entanto, os casos históricos abrangem outras modalidades, como beisebol, futebol americano e Fórmula 1, e envolvem roteiros mais complexos, quase cinematográficos - um deles, inclusive, será tema de filme hollywoodiano. Há os que ultrapassam o limite da bisbilhotagem e podem ser facilmente chamados de trapaça.

Abaixo, o UOL Esporte relembra alguns clássicos da espionagem esportiva.

Evelson de Freitas/Folhapress
Evelson de Freitas/Folhapress

Auxiliar de Tite desmascarado

Em 2001, quando estava no Grêmio, Tite enviou Cleber Xavier, um de seus auxiliares, para espionar o último treino tático do Corinthians antes da final da Copa do Brasil. "Disfarçado" com óculos escuros, ele observou a atividade no Parque São Jorge por mais de uma hora até ser reconhecido por um jornalista gaúcho e foi retirado por seguranças do clube.
Ricardo Nogueira/Folhapress
Ricardo Nogueira/Folhapress

De olho no vizinho

Com centros de treinamento separados por um muro, Palmeiras e São Paulo reúnem várias acusações de espionagem em semanas de clássico. Neste ano, o técnico Cuca desconfiou que integrantes da comissão técnica tricolor estavam usando um condomínio de prédios vizinho à Academia de Futebol para ver às escondidas os treinos fechados do Verdão. A foto acima é de 2009, em que um homem, do lado alviverde do terreno, observa o então goleiro Rogério Ceni bater pênaltis.
William West/AFP
William West/AFP

Vale Copa do Mundo

Na repescagem da Copa de 2018, na Rússia, a federação de futebol de Honduras acusou a Austrália de usar drones para vigiar treinos antes do jogo de volta entre as duas seleções, em Sydney. Com a vitória em casa por 3 a 1, os australianos ficaram com a vaga no Mundial.
Silvio/Acervo UH/Folhapress
Silvio/Acervo UH/Folhapress

Fogo amigo

Em história contada pelo jornalista Juca Kfouri, blogueiro do UOL, Aymoré Moreira, técnico campeão mundial com o Brasil em 1962, foi enviado pela revista "Placar" ao Mundial de 1970, no México, e se disfarçava para ter acesso a treinos de outras seleções. Ele também descobriu com antecedência, e desenhou em um guardanapo para jornalistas que faziam a cobertura do torneio, a jogada ensaiada que originou o gol de Carlos Alberto Torres na final contra a Itália.
Jim Rogash/Getty Images/AFP
Jim Rogash/Getty Images/AFP

Câmera escondida e bola murcha

No futebol americano, o New England Patriots, atual campeão da NFL, tem um recente histórico de trapaças. Em 2007, a liga flagrou funcionários da franquia filmando ilegalmente as ordens técnicas do New York Jets à beira do campo. O clube foi multado em US$ 250 mil e o técnico Bill Belichick, em US$ 500 mil. Já em 2015, em jogo contra o Indianapolis Colts pelos playoffs, provou-se que o Patriots colocou em campo bolas menos cheias para prejudicar o adversário.
Paul Gilham/Getty Images
Paul Gilham/Getty Images

Derrapagens na Fórmula 1

O acesso a dados sigilosos de equipes gerou um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1. Em 2007, a McLaren foi multada em US$ 100 milhões e perdeu todos os pontos no Mundial de Construtores por ter recebido um dossiê de 780 páginas com informações confidenciais dos equipamentos da Ferrari.

Do telescópio ao ataque virtual

Casos folclóricos de espionagem no beisebol norte-americano remetem aos anos de 1950, quando o New York Giants (que posteriormente se mudou para San Francisco) usou um telescópio para enxergar as instruções dadas por meio de sinais aos arremessadores do Brooklyn Dodgers. Este ano, o Boston Red Sox fez o mesmo contra o rival New York Yankees, mas usando um relógio com câmera. Em 2015, o Saint Louis Cardinals chegou a ser investigado pelo FBI por usar hackers para ter acesso a um banco de dados do Houston Astros.
Reprodução
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O jogador que virou espião

Jogador e técnico de beisebol entre as décadas de 20 e 30, Moe Berg foi recrutado pelo serviço secreto norte-americano para missões na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Poliglota, ele chegou a se infiltrar entre guerrilheiros da Iugoslávia simpáticos ao governo nazista de Adolf Hitler. Anos depois, foi enviado à União Soviética para tentar achar evidências de um programa de armamento nuclear. Morto em 1972, a vida de Berg virou livro ("The catcher was a spy", ou "O catcher era um espião", em tradução livre) e inspirou um filme de mesmo nome, a ser lançado em breve.

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