Hora de meter a colher: 10 atletas acusados de agressão que foram poupados

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

  • André Yanckous/AGIF e Tiago Caldas/FotoArena/Estadão Conteúdo

Há quem defenda que deixar um célebre agressor impune é como dizer que sua reputação é mais importante que a vida das mulheres que ele pode ter arruinado. Não é à toa que a revista Time, dos Estados Unidos, acaba de escolher um grupo de mulheres como as personalidades de 2017. "Quebradoras do silêncio", diz a publicação, destacando mulheres que foram a público denunciar abusos e diferentes tipos de violência, muitos deles cometidos por personalidades de outrora muito prestígio em Hollywood. 

Só que enquanto o show business derruba agressores de cargos importantes, o véu da impunidade ainda protege os protagonistas de escândalos no mundo dos esportes. Mesmo os poucos que são punidos por crimes notoriamente conhecidos, como o goleiro Bruno, ainda encontram apoiadores na sociedade e são bajulados em troca de selfies.

Diante da recente condenação por estupro feita pela Justiça da Itália ao atacante Robinho, que não pode ser extraditado e continua sendo disputado por Santos e Atlético-MG para 2018, o UOL Esporte aproveita para relembrar algumas histórias de treinadores e atletas que agrediram mulheres de alguma maneira e seguiram suas vidas sem maiores complicações.

Bruno Cantini/Atlético-MG
Bruno Cantini/Atlético-MG

Robinho: condenado por estupro na Itália

Famoso pelas pedaladas dentro de campo, Robinho teve a carreira manchada em novembro deste ano, quando foi divulgada sua condenação por estupro. O caso ocorreu em uma boate em Milão, na Itália, em janeiro de 2013, quando ele defendia o Milan: ao lado de cinco amigos, Robinho teria embebedado e abusado sexualmente de uma mulher.


Por caber recurso, a condenação não exige a prisão imediata de Robinho, que, além de tudo, não poderia ser extraditado para a Itália por conta das leis brasileiras. A questão moral dessa história, porém, não impede o Santos de brigar por sua contratação ou o Atlético-MG, seu atual clube, de tentar renovar seu contrato. "É um cara de família, pai e muito responsável", defendeu Oswaldo de Oliveira, técnico do Galo.

Adriano Vizoni/Folhapress
Adriano Vizoni/Folhapress

Bruno: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?"

"Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, xará". As duas frases citadas foram ditas por Bruno em março de 2010, quatro meses antes de ser preso pelo assassinato de Eliza Samudio. Na ocasião, o então goleiro do Flamengo defendia Adriano da briga com a ex-namorada, Joana Machado.


"Muitos que são casados sabem que, às vezes, em um relacionamento, é preciso ter uma discussão ou até algo mais sério. Quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher? Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, xará. Quando a adrenalina está alta, não tem lugar", disse Bruno.


Em fevereiro de 2017, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, concedeu habeas corpus ao ex-goleiro, que chegou a ser contratado pelo Boa Esporte, de Minas Gerais. Fez sua estreia em abril, em Uberaba-MG, e teve o nome gritado pelos torcedores que o tietaram por selfies.

LEONARDO BENASSATTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
LEONARDO BENASSATTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Dudu: socos na cabeça da esposa

Ele levou o Palmeiras aos títulos da Copa do Brasil de 2015 e do Brasileirão de 2016, mas a um preço: os R$ 12 mil que pagou de fiança em 2013, quando teria agredido sua mulher e sogra com socos na cabeça e puxões de cabelo. Dois anos depois, foi condenado a cumprir serviços comunitários. Hoje, é capitão do Verdão e o símbolo de uma geração campeã pelo Alviverde.
Ale Cabral/AGIF
Ale Cabral/AGIF

Cuca: estupro de menor de idade

Quando jogava pelo Grêmio, em 1987, viajou com o clube para a cidade de Berna, na Suíça, e teria violentado uma garota de 14 anos com a ajuda de três colegas de time, Eduardo, Fernando e Henrique. Ficaram detidos por menos de um mês e acabaram condenados pelos suíços, mas jamais foram presos: cumpriram a pena em liberdade. Cuca é um renomado treinador de futebol e é constantemente disputado por torcedores, que desejam vê-lo no comando de seus times do coração.
Reprodução/TV
Reprodução/TV

Vampeta: acusação de espancamento

Quando Vampeta defendia o Vitória, em 2004, a mãe de suas filhas o acusou de tê-la espancado em uma discussão. Roberta Soares procurou a polícia e apresentou lesões na cabeça e na testa. Ele não só passou impune como ainda voltou a jogar pelo Corinthians. Hoje, é comentarista esportivo no rádio e presidente do Grêmio Osasco Audax.
Mladen Antonov/AFP
Mladen Antonov/AFP

Maradona: até imagens denunciam

Sua ex-noiva, Rocio Oliva, o acusou com vídeo: nas imagens, o argentino está sentado em um sofá e, aparentemente embriagado, se irrita ao ver que ela está mexendo em seu celular. Ele se levanta, caminha cambaleante até a moça e parece acertá-la com dois socos. Enquanto isso, ela pede para que o astro pare. Maradona é visto como um dos maiores nomes da história do futebol.
Marco Oliveira/Site Oficial do Atlético-PR
Marco Oliveira/Site Oficial do Atlético-PR

Carlos Alberto: quebrou a costela da mulher

Talvez você não saiba que o meia foi condenado por agredir a ex-mulher, Carolina Bernardes, com a qual tem dois filhos: ela teve a costela e o carro quebrados e exigiu uma medida protetiva para que o jogador ficasse a, no mínimo, 100 metros de distância. Carlos Alberto só não está em alta nos gramados por pura queda de rendimento profissional, que o levou a rescindir seu contrato com o Atlético-PR em julho deste ano.
Jason Merritt/Getty Images
Jason Merritt/Getty Images

Mike Tyson: seis anos de prisão por estupro

Ele jamais cumpriu a pena inteira: foi preso em março de 1992, mas só passou três anos na cadeia. Foi liberado por bom comportamento em março de 1995. A lenda do boxe alega que fez "de cinco a sete coisas na vida que foram muito piores" que o estupro de Desiree Washington, pelo qual foi condenado, e que, por isso, deveria estar preso. É visto como um dos maiores pugilistas de todos os tempos.
divulgação/Vitória
divulgação/Vitória

Danilinho: ameaça, agressão e estupro

O meia-atacante tem um longo histórico de desvios de conduta. Quando jogava no México, foi acusado de ameaçar e agredir Priscila Jiménez, que era menor de idade, por não ter aceitado um término de namoro. Depois disso, ainda em solo mexicano, foi acusado de estupro e ameaça de morte por uma mulher de 18 anos, Debanhi Rentería. Em 2016, foi intimado em pleno CT do Fluminense pelo não pagamento de pensão alimentícia. Atualmente, joga pelo Vitória e se limita a dizer que "o passado ficou para trás".
Williams Aguiar/Sport
Williams Aguiar/Sport

Juninho: socos e ameaças com faca

Ele é uma das revelações do Sport nos últimos anos, mas foi detido em outubro de 2017 por agressão a uma ex-namorada, com a qual esteve por cinco meses. Ela o acusa de tê-la trancado no apartamento; depois de espancá-la, teria mostrado uma faca e dito que a única alternativa seria continuar com ele ou morrer. A moça só escapou graças a um amigo de Juninho, que o segurou, e a uma vizinha, que a socorreu. O jovem atacante, de apenas 18 anos, pagou R$ 10 mil em fiança e ainda faz parte do elenco do clube.

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