Grandes que "encolheram". Milan e outros 9 times que hoje sofrem na Europa

Do UOL, em São Paulo

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    Milan, de Sheva, e La Coruña, de Mauro Silva. A cara dos grandes mudou na Europa

    Milan, de Sheva, e La Coruña, de Mauro Silva. A cara dos grandes mudou na Europa

Muita coisa mudou no futebol europeu nas últimas décadas, principalmente sobre quem dá as cartas no continente. Se por um lado novas potências emergiram na base da injeção de dinheiro (como Chelsea, PSG e Manchester City), antigas forças regionais perderam relevância.

No meio do sofrimento pelo momento atual, alguns clubes europeus se apegam à nostalgia de tempos vencedores. Era uma época em que Real Madrid, Barcelona e Bayern não eram tão hegemônicos como hoje em dia. O UOL Esporte preparou uma lista com times que impunham respeito no continente há 10, 15 ou 20 anos – mas que caíram na decadência, por motivos diversos. Confira: 

Os grandes que se apequenaram na Europa

AP Photo/Michael Sohn
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Milan

Em um período relativamente longo, o Milan foi o principal "bicho-papão" do futebol europeu - ganhou cinco Ligas dos Campeões entre 1989 e 2007. Em ambiente doméstico, também acumulou uma infinidade de troféus. Foi a época de bonança, de Silvio Berlusconi, polêmico magnata que também foi três vezes primeiro-ministro italiano e dono da principal TV do país, entre outros negócios (como a financeira Fininvest).

Mas à medida que a imagem de Berlusconi como homem público foi sendo minada por escândalos, o Milan também foi enfraquecendo e acumulando dívidas. Há alguns anos o magnata vem tentando vender o clube para um consórcio asiático, mas o negócio ainda não foi finalizado. Nos últimos tempos o time não tem conseguido nem se classificar para a Champions League. E parece que não vai voltar na temporada que vem
Stefano Rellandini REUTERS
Stefano Rellandini REUTERS

Inter de Milão

Durante a gestão de Massimo Moratti, a Internazionale se dava ao luxo de tirar o melhor jogador do Barcelona (Ronaldo Fenômeno, no auge). O empresário do setor elétrico e de refinaria de petróleo montou nos anos 90 um elenco de estrelas, com Baggio, Vieri, Zanetti e muitos outros. Moratti gastou e gastou... até realizar o sonho de ser campeão europeu, em 2010. Mas seu modelo de gestão acabou se esgotando.

Com a Inter em dificuldades financeiras, o empresário cedeu o controle acionário para o indonésio Erick Thohir em 2013. Desde então, apesar de um novo aporte de dinheiro, o clube que um dia foi a casa de Ronaldo e Adriano hoje é uma força intermediária mesmo dentro da Itália (e um dos campeões de trocas de técnicos).
AP Photo/Luca Bruno
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Lazio

Repare na foto acima da Lazio campeã italiana de 2000 e encontre um supertime: Simeone, Nesta, Mancini, Mihajlovic, Crespo, Salas e Verón. Na imagem ainda faltaram o atacante Claudio López e o meia Pavel Nedved. O time de Roma foi um reduto de muitos craques no final dos anos 90, mas praticamente saiu de cena como uma força significativa anos depois.

A Lazio era mantida pelo grupo Cirio - o empresário Sergio Cragnotti acumulava a gestão do conglomerado alimentício e do clube. No começo do século, o negócio entrou em crise, e o dirigente precisou vender todos seus jogadores de ponta. O time de Roma então virou um ocupante de meio de tabela e jamais se aproximou de um título relevante de novo.
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Sampdoria

Quando o futebol italiano começou a ser exibido no Brasil, nos anos 80, a Samp era um time de frente, peitando Milan, Napoli, Juventus e demais rivais. Com o brasileiro Toninho Cerezo como destaque, a equipe de Gênova conquistou a Série A na temporada 1990-91. No ano seguinte, protagonizou uma eletrizante final de Champions League com o Barcelona - com derrota apenas na prorrogação.

O auge da Sampdoria aconteceu a partir de 1979, na gestão de Paolo Mantovani, um magnata local que investiu para tornar o time uma força nacional. Mas, quando o empresário morreu em 1993, seu filho Enrico gastou muito dinheiro em contratações que não vingaram (Gullit, Klinsmann, Ortega) e, aos poucos, o clube foi perdendo terreno dentro da Itália - inclusive, visitando a Segunda Divisão.
AP Photo/Itsuo Inouye
AP Photo/Itsuo Inouye

Ajax

Essas quatro letras foram sinônimo de futebol total - ofensivo, taticamente dominante e vencedor. Tudo começou com a geração de Johan Cruyff, três vezes campeã europeia na década de 70. Já nos anos 90, a camisa vermelha e branca voltou a botar medo no continente. Em 1995, o supertime de Kluivert, Overmars, Seedorf, Davids, Kanu, Van de Sar e dos irmãos De Boer conquistou a Champions League e bateu o Grêmio na decisão do Mundial Interclubes.

Mas o Ajax decaiu junto com o poder do futebol holandês, em termos de clubes (já que a seleção continuou forte). Pós-2000, apesar de exportar craques como Sneijder, Van der Vaart e os jovens Ibrahimovic e Suárez, o time de Amsterdã virou uma presa fácil em âmbito europeu. Jamais conseguiu montar uma equipe internacional de respeito novamente.
AP Photo/Michael Sohn
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Bayer Leverkusen

Lúcio, Michael Ballack e Zé Roberto foram alguns dos grandes nomes que vestiram a camisa do Leverkusen na virada de século, quando o time alemão ensaiava ser uma força europeia. Mas, verdade seja dita, o Bayer só conseguiu bater na trave, com quatro vices da Bundesliga (1997, 1999, 2000 e 2002) e a derrota na final da Champions League de 2002 - sim, aquela do golaço de voleio de Zidane!

O Leverkusen cresceu no futebol alemão com a filosofia de não fazer loucuras financeiras em contratações. Depois dos anos de destaque, o clube acabou perdendo seus principais jogadores para o rival Bayern de Munique e jamais conseguiu sorte com novas apostas em jovens reforços. Assim, caiu para um patamar intermediário na Alemanha, com aparições esporádicas na Champions League.
AFP PHOTO/Pierre-Philippe MARCOU
AFP PHOTO/Pierre-Philippe MARCOU

Deportivo La Coruña

Nada de Atlético de Madri ou Sevilla. Em uma época nem tão distante, coube ao La Coruña a façanha de peitar de igual para igual a dupla Barcelona-Real Madrid no futebol espanhol. O clube da Galícia montou elencos fortes na década de 90. A equipe de Bebeto bateu na trave em 1994 e 1995, mas o time de Djalminha e Mauro Silva finalmente triunfou em 2000. O "Depor" também chegou na semifinal da Champions League em 2004, batendo o Milan por 4 a 0.

Depois disso, no entanto, o clube entrou numa grave crise financeira, que culminou no pedido de falência em 2013. O La Coruña chegou também a frequentar a Segunda Divisão da Espanha por alguns anos e hoje, de volta à elite, não assusta mais os grandes do país.
/EFE/EMILIO MORENATTI
/EFE/EMILIO MORENATTI

Betis

Em 1998, o Betis se apresentou ao mundo como um clube que sonhava grande ao pagar US$ 32 milhões no são-paulino Denílson. Era então a mais cara venda do futebol brasileiro. O clube de Sevilha foi ao país campeão mundial e levou a maior joia do momento, ganhando a concorrência de outros gigantes europeus - uma mensagem e tanto!

O ano de 2005 foi o melhor da história do Betis, com a classificação para a Liga dos Campeões e a conquista da Copa do Rei, no estádio Vicente Calderón, em Madri. Mas, depois o clube não conseguiu colher frutos de contratações caras (Joaquín, Ricardo Oliveira e Rafael Sobis, por exemplo) e ficou para trás do rival Sevilla, que cresceu com reforços certos e cinco títulos da Liga Europa. Por sua vez, o Betis teve que amargar uma passagem pela Segundona espanhola.
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Olympique de Marselha

O time do Sul da França conquistou a Europa em 1993 com uma escalação cheia de estrelas. Barthez, Desailly e Deschamps seriam campeões mundiais com a seleção do país anos depois. A equipe ainda tinha o goleador alemão Rudi Voeller e o craque africano Abedi Pelé. Mas a vitória sobre o Milan na decisão da Champions League foi a última glória antes da interrupção da ascensão internacional do Olympique.

Naquele ano veio à tona um escândalo de manipulação de resultados, que comprometia o presidente do clube, Bernard Tapie. O Olympique acabou rebaixado à Segunda Divisão francesa e perdeu o direito de disputar o título mundial (o Milan acabaria enfrentando o São Paulo em Tóquio, no lugar dos franceses). Depois daquele incidente, o time mais popular da França jamais conseguiu ser uma potência de novo. Hoje é uma força intermediária no país (voltou a ser campeão nacional uma única vez, em 2010).
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Newcastle United

Quem acompanhou os primeiros anos do Campeonato Inglês em sua versão Premier League, na década de 90, lembra do Newcastle como principal desafiante do todo-poderoso Manchester United. O time do Norte da Inglaterra foi vice em 1996 e 1997 e ainda soma 3º lugares em 1994 e 2003. Em 1996, a equipe contratou o atacante Alan Shearer por 15 milhões de libras - então na transferência mais cara da história do futebol!

Em 2007, o Newcastle foi comprado pelo empresário Mike Ashley, para fúria de sua fanática torcida, que assim via o clube se distanciar de suas origens. Depois disso, tudo passou a dar errado. O Alvinegro inglês se enfraqueceu, foi rebaixado duas vezes e hoje figura entre os líderes da Segunda Divisão inglesa.

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