Mito e verdades sobre Cuca: das manias do treinador ao estilo sangue quente

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

 

O torcedor do Cruzeiro, do Fluminense e do Atlético-MG já chegaram ao limite da emoção com Cuca no comando dos seus times. O fato já aconteceu também com os botafoguenses e com são-paulinos. Essas situações foram vividas por conta de características marcantes do novo técnico do Palmeiras: o sangue quente, a emoção aflorada e a crença em alguns detalhes.

Cuca, não à toa, deixou algumas lágrimas caírem por onde passou. Foi assim, por exemplo, no Fluminense, em 2009, quando o técnico comandou uma reação impressionante de um time fadado ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Ou quando ele deixou o comando do São Paulo há 12 anos.

O treinador do Palmeiras foge do estilo comum à maioria dos técnicos e mostrou isso ao longo da carreira. Além de não esconder as emoções, Cuca traz consigo algumas superstições -- na primeira entrevista no clube alviverde, o comandante desmentiu algumas histórias de manias, mas garantiu que algumas existem de fato.

"Eu me divirto com isso. Pode falar. Falam da ré do ônibus, da mesma camisa, do coração de boi no vestiário. É bom que falam de mim, não é? Não tem nada, não. Está tranquilo. Alguma coisinha tem, mas não é tudo isso. Quem não tem? É só ganhar um jogo e ver se vou trocar a camisa", disse Cuca na apresentação.

A emoção à flor da pele também pôde ser observada ainda na década de 1990, durante a passagem pelo Palmeiras. Na época, o então atacante chegou a sonhar com o fim do jejum de títulos do clube. 

Confira os mitos e as verdades da carreira de Cuca

Expulsão em troca de uma comemoração no Palmeiras

Cuca deu a classificação ao Palmeiras no Paulistão 1992 ao marcar o único gol do time na partida contra o Bragantino, no Palestra Itália. Após balança a rede, o atacante correu em direção à arquibancada e tirou a camisa. O árbitro Oscar Roberto Godói mostrou o cartão vermelho e o expulsou de campo. Nos vestiários, Cuca disse que faria tudo de novo pela clssificação palmeirense.

Defesa pública à diretoria e aos atletas do Botafogo

Depois de perder o Campeonato Carioca de 2008 para o Flamengo pelo segundo ano consecutivo, Cuca foi a público para defender o elenco e a diretoria do Botafogo. Na ocasião, o treinador criticou a arbitragem e negou que o time alvinegro amarelasse em finais e cravou: "Esses aqui são os campeões cariocas", disse pouco antes de deixar a sala de coletiva.

Mesma camisa nos jogos virou amuleto até na China

Cuca levou o Atlético-MG ao título da Libertadores e usou a mesma camisa em todos os jogos, com a imagem de Nossa Senhora. Segundo ele, isso não está ligado a alguma superstição. "Ela meu deu força", disse. A camisa serviu de inspiração para o goleiro do Shandong Luneng durante a passagem de Cuca pelo futebol chinês. "Eu estava com a camisa de Nossa Senhora, o goleiro me perguntou quem era aquela mulher bonita. Expliquei para ele que era a mãe de Jesus. Fomos campeões com um gol aos 48 minutos do segundo tempo. o goleiro foi para a área, desviou a bola e o zagueiro marcou. Ele me abraçou, eu estava com a camisa e ele disse: 'My mother' (Minha mãe). Isso me arrepia", contou Cuca nesta segunda-feira.

Marcha à ré? Cuca desmente superstição

Cuca garantiu nesta segunda-feira que não tem nada contra o ônibus do time andar com marcha à ré antes das partidas. A história ganhou força no Botafogo, segundo o treinador. "É mais brincadeira que a gente cria com o jogador. Como eu brincava com o Lúcio Flavio: 'Pô, hoje demos a ré, não vai ganhar'. Mas aí virou verdade", frisou Cuca. O diretor de futebol Alexandre Mattos, depois da explicação, brincou com a situação e vetou a possibilidade: "Em todo caso, está proibida a ré no ônibus".

Vibração em campo após livrar rebaixamento

Em 2009, Cuca levou o Fluminense a uma recuperação impressionante na reta final do Campeonato Brasileiro. O time carioca se livrou do rebaixamento na última rodada, depois de arrancar um empate por 1 a 1 contra o Coritiba no Couto Pereira. Ainda no gramado, Cuca não escondeu a emoção e comemorou abraçado a dois integrantes da comissão técnica, ressaltando a raça mostrada pelos jogadores na campanha.

Soco na mesa após pênalti marcado para o Corinthians

O Cruzeiro era treinado por Cuca em 2010 e lutava pelo título brasileiro contra Fluminense e Corinthians. Na 35ª rodada, o time mineiro foi derrotado pela equipe paulista com um gol nos minutos finais da partida, após o árbitro Sandro Meira Ricci assinalar um pênalti para o Corinthians. Na entrevista coletiva, Cuca deu um soco na mesa depois de falar que trabalhava pelo Cruzeiro. "É uma vergonha. Ele detonou todo um trabalho. Isso faz a gente pensar em continuar na profissão", disse na ocasião.

Choro após saída do São Paulo

Cuca treinou o São Paulo em 2004, depois de boa campanha com o Goiás no ano anterior. No time paulista, o treinador não conseguiu ser campeão da Libertadores ao ver a equipe perder para o Once Caldas na semifinal. Pouco mais de dois meses depois, Cuca entregou o cargo à diretoria tricolor e não segurou as lágrimas ao falar com os repórteres logo após uma reunião com os dirigentes.

Faixa no peito e a previsão de título no Palmeiras

O atacante Cuca chegou ao Palmeiras em setembro de 1992 e disputou 24 partidas, até dezembro daquele ano, com sete gols marcados. Após marcar contra o Ituano, pelo Paulistão, na vitória por 2 a 0, Cuca comemorou mostrando uma faixa imaginária no peito. "Estamos colocando (a faixa) jogo a jogo. Cada jogo é uma decisão. Se continuar assim, esse ano vai dar Verdão", disse o jogador, que não fez parte do elenco campeão em 12 de junho de 1993 -- no ano anterior, o Palmeiras perdeu o título na final contra o São Paulo.

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