Do Leicester ao ouro de Thiago Braz: o lado triste das surpresas de 2016

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / ADRIAN DENNIS

2016 é um ano fora do comum. Com tantos fatos que causaram surpresa, o esporte não poderia ficar de fora. Um time que pouca gente conhecia foi campeão na Inglaterra, um time jovem fez sucesso no Campeonato Paulista, uma surpresa brasileira chegou à medalha de ouro nos Jogos Olímpicos e um país foi a grande surpresa da Eurocopa mesmo sem levantar o título. Mas como em 2016 nada é comum, algumas das mais impressionantes histórias de conto de fadas do ano esportivo ganharam, também, um lado sombrio.

Os pontos altos e baixos das surpresas de 2016

Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Thiago Braz, o ouro e queda do esporte olímpico

Vamos começar a lista com um fato que muita gente comemorou. O ouro de Thiago Braz no salto com vara foi, provavelmente, o momento mais impressionante do país nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O garoto de 22 anos já tinha assegurado a medalha de prata. Já era um feito inédito para o esporte nacional. Só um rival, o francês Renaud Lavillenie, recordista mundial, o superava. Foi aí que ele fez algo que ninguém esperava. Apostando tudo, ele mandou o sarrafo subir para 6,03m, uma altura que nunca tinha ultrapassado em competições em sua vida. Thiago superou a marca, virou recordista olímpico e ficou com a medalha de ouro. Seis meses depois, a medalha é um troféu que parece ter significado pouco para o grande cenário esportivo brasileiro. O caos que muita gente previa para o esporte olímpico após a Rio-2016 se confirmou. Muita gente perdeu patrocínios. E os atletas que chegaram aos Jogos com um plano de saúde bancado pelo Comitê Olímpico Brasileiro estão, em massa, perdendo a cobertura médica.
Danilo Verpa/Folhapress
Danilo Verpa/Folhapress

Audax, a final do Paulistão e a luta contra rebaixamento

Indo para o futebol, o Brasil tem outro exemplo da estranheza de 2016. Olhe o Grêmio Osasco Audax, finalista do Campeonato Paulista. Pouca gente discordaria, no meio do ano, que o time comandado por Fernando Diniz era o mais surpreendente da temporada. Com um futebol inovador, priorizando a posse de bola e usando jogadores que atuavam em duas ou três posições (durante a mesma partida!), o pequeno eliminou grandes. Nas quartas de final goleou o São Paulo, na semi bateu o Corinthians e só perdeu na decisão, para o Santos. Só que como o sucesso veio neste ano maluco, o que é bom não poderia continuar. Assim que o Paulista terminou, começou a desmontagem do elenco. O Palmeiras levou um, o São Paulo outro, o Corinthians ficou com dois, o Santos também contratou e o técnico Fernando Diniz se viu, na estreia na Série B do Brasileirão (após um acordo com o Oeste), com um time em reconstrução. O campeonato nacional foi todo complicado e o time teve de brigar contra o rebaixamento boa parte do segundo semestre, se salvando apenas na última rodada.
Michael Regan/Getty Images
Michael Regan/Getty Images

Leicester, o título e a luta contra o rebaixamento

Na Inglaterra, o que aconteceu com o Audax é mais ou menos o que aconteceu com o Leicester. E antes que você comece a reclamar da comparação, leia até o final desse parágrafo. Quando o ano virou e o Leicester estava entre os primeiros colocados do Campeonato Inglês, muita gente disse que o time não aguentaria. Só Claudio Ranieri e seus jogadores não deram muita bola para isso. O resultado? O time aproveitou uma série de tropeços dos grandes, fez o seu trabalho com maestria e levantou o título. Como aconteceu com o Audax, os jogadores foram assediados. Mahrez esteve perto de gigantes, o Arsenal quase levou Vardy, mas no fim das contas só o volante Kanté saiu. O que ninguém esperava era o quanto o time sentiria a sua falta. Sem o francês, o Leicester sofreu até agora no Campeonato Inglês. Foram apenas quatro vitórias em 16 jogos até agora, incluindo momentos ruins de Mahrez e Vardy e seca de gols das principais contratações. O time chegou a aparecer em 17º lugar na temporada e, na Liga dos Campeões, em que a equipe estava voando, acabou goleado por 5 a 0 pelo Porto na última rodada - sorte que o time já estava classificado para os mata-matas.
Kirsty Wigglesworth/AP
Kirsty Wigglesworth/AP

Islândia, a Euro e as Eliminatórias

Até mesmo o xodó da Eurocopa sentiu o feitiço de 2016. Ninguém conhecia a Islândia como um país poderoso no futebol antes da invasão aos estádios da França, no meio do ano. A ilha de apenas 320 mil habitantes se empolgou com a inédita classificação para o torneio e foi em peso para o continente. No último jogo da primeira fase, por exemplo, 3% de toda a população islandesa estava no Stade de France para a vitória sobre a Áustria. Quase 10% dos islandeses tentaram comprar ingressos para a competição. Em campo, os jogadores corresponderam. Além da vitória sobre os austríacos, o time ainda empatou com Portugal (que seria o campeão) e eliminou a Inglaterra nos mata-matas. Mas como tudo isso aconteceu em 2016, essa fase não durou muito. Nas Eliminatórias para o Mundial de 2018, o time não está tão bem assim. Após quatro partidas, o time é apenas o terceiro colocado do Grupo I, atrás de Croácia e Ucrânia. Hoje, estaria eliminada, já que o vencedor de cada grupo na Europa vai para a Copa e só quem termina em segundo lugar ganha uma última chance de classificação na repescagem.

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