Brasileirão 2016

O que espera o Palmeiras? Fracassos criaram 'defesa impenetrável' do Grêmio

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

Explicar a boa campanha do Grêmio no Brasileiro só é possível a partir da qualidade defensiva apresentada pelo time. Curiosamente, a equipe de Roger Machado foi muito criticada ao cair do Gauchão e da Libertadores por conta da defesa. Mas mudou, aprendeu com as falhas e nesta quinta-feira (02) encara o Palmeiras já tendo feito história ao não sofrer gol nos quatro primeiro jogos do campeonato. 

Pouco mudou em relação a nomes. Para o jogo das 21h, Fred não poderá jogar por conta de uma lesão, Bressan é o substituto. Marcelo Hermes deve seguir na lateral esquerda e Bruno Grassi substitui Grohe - chamado para seleção. Edílson segue na lateral direita, titular desde sua contratação. 
 
A grande troca foi, de fato, em relação à postura. Foram tópicos retirados da análise de partidas ruins, como diante do Juventude em Caxias do Sul pelo Gauchão ou mesmo contra o Rosario na Arena. Quedas que ensinaram a melhorar o rendimento defensivo. 
 
"Evoluímos muito na nossa unidade coletiva principalmente para defender, entendendo a consciência dos jogadores de ataque dentro deste processo, fez com que déssemos um salto. No segundo gol do último jogo, o Everton está posicionado no rebote. Um atacante que se posicionou bem, facilitou na hora de atacar. Ele correu 80 metros contra um adversário desequilibrado. É diferente que estar na frente posicionado de costa para o marcador. É usar as melhores capacidades do marcador, e nisso evoluímos muito", disse o técnico Roger Machado.
 
Desde 1987 que o Tricolor não começava um Campeonato Brasileiro sem sofrer gols nos quatro primeiros confrontos. Confira o que mudou na defesa gremista para construir barreira até agora não vazada na competição mais importante do país. 
 

Como o Grêmio construiu sua defesa depois de queda

LUCAS UEBEL/GREMIO
LUCAS UEBEL/GREMIO

Marcação dupla pelos lados

O Grêmio entendeu que seria necessário marcar mais os lados de campo. Sofrendo muitos gols nascidos em cruzamentos, Roger Machado passou aos pontas a indicação de recuo sem a bola. Quando Luan atuava por ali, o Tricolor perdia em capacidade defensiva, já que não é uma das capacidades dele. Agora, com Everton pela esquerda e Giuliano na direita, consegue recompor com velocidade e auxilia os laterais na função de evitar, principalmente, cruzamentos. "Costumo dizer isso aos jogadores que tudo que serve para a primeira linha defensiva, serve para a da frente. Se o lateral não pode tomar uma bola entre o zagueiro e ele, o meu jogador de lado não pode permitir que isso seja feito na linha dele, entre ele e o volante", afirmou Roger.
Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Barreira na frente dos zagueiros

Outra troca na conduta defensiva foi 'segurar' mais o volante Walace. O jogador chegou a marcar quatro gols no primeiro semestre, estava aparecendo até dentro da área rival, mas com isso acabava perdendo tempo em sua primeira função: defender. Menos dado ao ataque, Walace forma uma barreira em frente aos zagueiros e protege a meta gremista de infiltrações pelo meio.
Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Herança de Caxias: 'ataque à bola'

A principal herança deixada pela eliminação no Campeonato Gaúcho veio do jogo contra o Juventude em Caxias do Sul. O Grêmio perdeu por 2 a 0 e ambos os gols nasceram de bola parada. Roger Machado percebeu que a conduta de seus defensores estava errada. Eles esperavam a bola para fazer o corte. Muitas vezes os adversários chegavam antes. A orientação passou a ser para 'atacar a bola'. Ou seja, ir em direção a ela independente do posicionamento base na jogada. Assim, o vazamento através de cruzamentos foi, até agora, estancado.
Ricardo Nogueira/Folhapress
Ricardo Nogueira/Folhapress

Lição do Rosario: Arma contra pressão

O Grêmio sofreu diante do Rosario Central. O time argentino marcou pressão nos dois jogos, controlou a principal saída de bola do time gaúcho - com Maicon - e assim trancou as chegadas com qualidade na frente. Ganhou os dois jogos e seguiu na Libertadores. Antevendo que outras equipes possam fazer o mesmo, Roger criou novos caminhos para saída. Um deles é com o lateral direito Edílson, que tem boa qualidade de passe. O jogador virou a 'válvula de escape' quando Maicon está marcado e tem dado certo.
Lucas Uebel/Grêmio
Lucas Uebel/Grêmio

Todos correm, mas ordenadamente

Na ânsia de atacar, o Grêmio deixou muitos espaços em jogos do primeiro semestre. O bloco de meio-campo se movimentava muito mais rapidamente para frente do que para trás, deixando a defesa em contato direto com o ataque rival. Na semana que teve de treinamentos antes do Brasileiro, Roger deu atenção à recomposição. Aos gritos, em atividades no Centro de Treinamentos do clube, dizia que não poderia haver espaço entre os setores de trás quando o time perdesse a bola. Com o bloco se movimentando rápido, auxiliado até pelo ataque, a situação melhorou.

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