Guepardo em reunião, leão de presente e calote: causos do futebol árabe

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Instagram

    Atacante brasileiro Carlos Eduardo segura leão que ganhou de presente de príncipe árabe

    Atacante brasileiro Carlos Eduardo segura leão que ganhou de presente de príncipe árabe

Brasil e Arábia Saudita, adversários do amistoso desta sexta-feira (às 15 horas de Brasília), podem ser considerados parceiros no futebol, tamanha a quantidade de brasileiros que vai jogar lá. Dentro de campo, a linguagem é universal, mas fora dele, o choque cultural costuma render histórias bem curiosas: 

Reprodução/Twitter @jobson11oficial
Reprodução/Twitter @jobson11oficial

1

Calotes

Parte da motivação do atual governo árabe em financiar a contratação de grandes nomes do futebol brasileiro para os clubes locais é tentar superar a fama de "caloteiro" que o país ganhou ao longo dos anos, depois das situações vividas por jogadores como Diego Souza, Hernane e Jóbson. Em 2012, Diego Souza recorreu ao Itamaraty para poder sair do país, pois o Al Ittihad não forneceu a documentação necessária - o clube atrasou seus salários e não pagou o valor da transferência ao Vasco. O Al Nassr fez a mesma coisa com Hernane quando o atacante deixou o Flamengo. O caso de Jóbson foi mais grave: depois de se recusar a fazer exame antidoping, rescindiu o contrato com o Al-Ittihad, mas teve o passaporte retido pelo clube e ficou sem dinheiro para se manter no país, até que seu advogado pediu ajuda às autoridades brasileiras.
Fernando Santos/Folha Imagem
Fernando Santos/Folha Imagem

2

Rodrigão e o guepardo

Falando em calote, o ex-atacante revelado pelo Santos passou por uma situação ameaçadora ao cobrar o que tinha para receber do Al Hilal, clube árabe que defendeu em 2007. Seguindo o conselho do seu empresário, ele decidiu não comparecer ao treinamento. O presidente do clube, Mohammed bin Faisal, não gostou e o chamou para uma reunião. Esperou o jogador em sua sala, ao lado de um guepardo sem coleira. Intimidado com a presença do animal, Rodrigão pediu desculpas e aceitou ser multado em 20% de seu salário.
Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

3

Presentes exóticos

O atacante Carlos Eduardo não teve problemas para receber salários do Al Hilal. Na verdade, ele ganhou muito mais do que esperava. Quando fez o gol do título da Copa do Rei do ano passado, foi presenteado com um iPhone de ouro pelo presidente do clube: "Nem sei quanto vale isso". Ídolo na Arábia, o jogador costuma receber mimos até de torcedores. De relógios de pulso até um leão de estimação. Isso mesmo: ele já ganhou um filhote de leão de presente de um príncipe. Mas este ele não pôde aceitar: "Expliquei que não tinha onde deixar o animal. O que eu ia fazer com um bicho desses no meu condomínio?", contou à Folha.
Arquivo/Agência Estado
Arquivo/Agência Estado

4

Rivellino e o príncipe

Primeiro astro brasileiro a levar seu talento para a Arábia Saudita, Roberto Rivellino jogou três anos no Al Hilal. Se o Fluminense recebeu cheques sem fundo como garantia pelo negócio, o craque não teve problemas para se adaptar ao novo país. Afinal, vivia como um rei e tinha todos os seus pedidos atendidos pelo príncipe Khaled bin Al Saud. O problema foi quando Rivellino quis voltar para o Brasil ao final do contrato. O príncipe fez de tudo para tentar convencê-lo a ficar, e surgiram rumores de que os dois teriam se desentendido. Rivellino teria até acertado uma bolada na tribuna real durante uma partida. Na biografia escrita por Maurício Noriega, ele nega estas versões: "Foram jornalistas que inventaram esse papo. O que aconteceu foi que, quando acabou meu contrato, vim embora. Eles queriam renovar, e eu falei 'chega!'. Não queria mais jogar bola". E foi assim que ele encerrou a carreira.
Juca Varella/Folha Imagem
Juca Varella/Folha Imagem

5

Vampeta preso

Ao norte da Arábia Saudita, a cerca de 400 quilômetros da capital Riad, está o Estado do Kuwait, país onde Vampeta protagonizou a melhor anedota de um jogador brasileiro no mundo árabe. Lá, assim como na Arábia Saudita, bebidas alcoólicas são totalmente proibidas. Mas Vampeta conheceu um libanês que o ensinou a fazer vinho caseiro. Durante uma blitz, policiais flagraram o jogador com seis litros da bebida amazenada em garrafinhas de Gatorade. "Os caras não quiseram saber se era jogador não, não tinha dessa", relembrou Vampeta, que passou 36 horas na prisão. Ao voltar para casa, "só de raiva", bebeu mais vinho: "Era ruim, mas ficava todo mundo melado".

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos