Por que a Lusa chegou ao fundo do poço? Sete números ajudam a entender

Do UOL, em São Paulo

  • Rubens Cavallari/Folhapress

    Portuguesa foi rebaixada para a Série D após perder da Tombense

    Portuguesa foi rebaixada para a Série D após perder da Tombense

Um dos times mais tradicionais do Brasil, a Portuguesa termina 2016 no ponto mais baixo de sua história de 96 anos. A equipe foi rebaixada para a Série D do Campeonato Brasileiro no domingo (18), após perder por 2 a 0 para a Tombense em Minas Gerais.

O declínio da Lusa se acelerou de forma assustadora desde o "caso Héverton" em 2013 – quando o meia foi escalado irregularmente na última rodada do Brasileirão e causou a perda de pontos no STJD que culminou com a queda para a Série B. Desde então, foram mais três rebaixamentos (dois no Brasileiro e um para a Série A2 do Paulista).

Sete números ajudam a entender a dimensão da crise administrativa e financeira da Portuguesa e como o clube despencou tão rápido da elite para a última divisão nacional. Confira:

R$ 17,3 milhões

Essa é a diferença entre o valor que a Portuguesa recebeu da CBF em cotas de televisão por participar da Série A em 2013 (R$ 20 milhões) e por jogar a Série B em 2014 (R$ 2,7 milhões, parcelados em 10 vezes). O prejuízo milionário e repentino de um ano para o outro foi o catalisador dos problemas financeiros do clube, que já eram graves antes do rebaixamento no STJD e se tornaram insustentáveis depois dele.

30 dias

Esse foi o período em que a Portuguesa ficou sem presidente no ano de 2016. Jorge Manuel Marques Gonçalves, que havia assumido um ano antes, renunciou em 30 de março, acusando dirigentes do clube de conspirarem para derrubá-lo. Em 29 de abril, assumiu o atual mandatário, José Luiz Ferreira de Almeida, que registrou a única chapa da eleição e ainda precisou de uma liminar judicial para derrubar uma tentativa da oposição de impugnar sua candidatura.

3 meses

Foi o tempo em que o elenco ficou sem receber a totalidade dos salários e direitos de imagem, entre fevereiro e abril, durante a disputa da Série A2 do Campeonato Paulista. O clube correu até risco de cair para a A3 após uma denúncia do sindicato dos atletas. O problema dos atrasos salariais não parou por aí: os jogadores não treinaram em protesto no dia 4 de maio, e logo alguns começaram a entrar na Justiça para conseguir se desligar do clube ? um exemplo foi o zagueiro Luan Peres, considerado revelação rubro-verde, que saiu em junho dessa maneira.

45 jogadores

Foi essa a quantidade de atletas relacionados pela Portuguesa para os 18 jogos da Série C. Com jogadores brigando contra o clube na Justiça e uma folha salarial considerada incompatível com a realidade financeira do clube, a equipe foi remontada às pressas no meio do ano para a disputa da terceira divisão nacional. O resultado foi um time que sofreu para se encaixar e fez uma campanha de quatro vitórias, dois empates e 12 derrotas.

5 treinadores

Se não houve qualquer continuidade dentro de campo, com mais de 40 contratações de jogadores durante a temporada, com o cargo de técnico não foi diferente. A Portuguesa teve cinco comandantes ao longo do ano. Estevam Soares começou a temporada e foi demitido depois de apenas dois jogos em 2016; Ricardinho entregou o cargo ao não conseguir o acesso à Série A1 do Paulista; Anderson Beraldo pediu demissão depois de tomar de 5 a 0 do Botafogo-SP no Canindé; Jorginho foi mandado embora após três derrotas seguidas na Série C; e Márcio Ribeiro assumiu em 22 de agosto para concluir o torneio nacional.

R$ 200 milhões

Esse é, aproximadamente, o total de dívidas do clube. Nesse montante, estão incluída pendências trabalhistas, com as várias ações de jogadores e funcionários na Justiça, e também dívidas tributárias, como pagamentos atrasados de IPTU à prefeitura. Incapaz de honrar seus compromissos mensalmente e com quase toda a sua receita penhorada, a Portuguesa vê esse valor aumentar cada vez mais devido aos juros. A situação desesperadora fez com que o Estádio do Canindé fosse a leilão. Mas...

R$ 154 milhões

Esse é o lance inicial do leilão do Canindé, que deve acontecer em 7 de novembro. O valor deve ser usado para pagar dívidas trabalhistas e nasceu de uma ação de 2002, do ex-jogador Tiago Barcellos, que cobrava originalmente R$ 5 milhões do clube. A Portuguesa fez um acordo para pagar o atleta, mas só conseguiu saldar metade da dívida. O caso se transformou em uma "bola de neve", e agora o clube será obrigado a vender os 45% do terreno do Canindé de que é proprietário.

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