Romário 50 anos: vida do craque é marcada por gols, choros e polêmicas

Do UOL, em São Paulo

 

Campeão do mundo e autor de 1002 gols, Romário completa 50 anos nesta sexta-feira (29). Na comemoração do aniversário, confira os principais momentos da carreira do craque, que brilhava tanto dentro da área quanto arrumava confusões fora dela.

Pisco del Gaiso/Folha Imagem
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Estrela da Copa do Mundo de 1994

Se na Copa do Mundo de 1990 Romário, recuperando-se de uma grave lesão, jogou apenas uma partida, o Mundial de 1994 foi o ponto de desequilíbrio da seleção brasileira desde antes da abertura do torneio. Em conflito com o técnico Carlos Alberto Parreira, o atacante é deixado de lado em quase toda a campanha das Eliminatórias, mas é lembrado para o último confronto, diante do Uruguai, substituindo o machucado Müller.

Em um dia de profunda inspiração, Romário marcou os dois gols do Brasil na vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, no Maracanã, resultado que classificou a seleção para a Copa. No Mundial, só deu Romário: gols decisivos contra a Suécia e Holanda, além da jogada que resultou no tento de Bebeto, que classificou o Brasil diante dos Estados Unidos nas oitavas de final. Em toda a competição, o atacante apenas não marcou contra o time norte-americano e a Itália, na final.
Reprodução
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Passagem arrasadora pelo Barcelona

Romário teve uma passagem meteórica pelo Barcelona, mas suficiente para se tornar ídolo do clube catalão. Na temporada 1993/94, o "Baixinho" foi fundamental na arrancada rumo ao título do Campeonato Espanhol: 30 gols em 33 partidas. O desempenho fantástico, aliado ao título da Copa do Mundo, deram ao atacante o prêmio de melhor jogador do mundo de 1994.
Patrícia Santos/Folhapress
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Volta ao Flamengo e melhor ataque do mundo

Campeão mundial e melhor jogador do mundo. Depois de um 1994 espetacular, tudo indicava que Romário ficaria por anos na Europa. Mas a paixão pelo Rio de Janeiro fez com que o atacante forçasse junto ao Barcelona sua saída para o Flamengo. No clube carioca, protagonizou ao lado de Sávio e Edmundo o "melhor ataque do mundo".

A parceria, porém, não trouxe os resultados esperados dentro de campo. No ano de seu centenário, o Flamengo passou 1995 sem conquistar nenhum título e terminou o Campeonato Brasileiro na modesta 21ª colocação, entre 24 clubes. A primeira passagem do Baixinho pelo time rubro-negro durou apenas até 1996 com o título carioca, mas retornou no ano seguinte após passar rápido pelo Valencia.
Jorge Araújo/Folha Imagem
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Corte na Copa do Mundo de 1998

Em 1998, um gesto marcou a passagem de Romário pela Copa do Mundo: as mãos juntas em frente ao rosto tentando conter às lágrimas. O choro era causado por causa de seu corte da competição dias antes de seu início, quando a seleção já treinava na França. A saída do Baixinho do elenco foi polêmica: o médico Lídio Toledo disse que o atacante não tinha como se recuperar a tempo, mas Romário voltou a atuar pelo Flamengo antes que terminasse a Copa do Mundo.
AP Photo/Eraldo Peres
AP Photo/Eraldo Peres

Pedidos públicos de convocação

Depois do corte em 1998, duas comoções públicas aconteceram para que Romário integrasse a seleção brasileira em duas importantes competições seguintes: Jogos Olímpicos de 2000 e Copa do Mundo de 2002. Nas duas ocasiões, porém, os respectivos técnicos optaram por deixá-lo de fora.

O primeiro foi Vanderlei Luxemburgo, que decidiu por não levar para os Jogos Olímpicos nenhum jogador com mais de 23. A decisão chegou a incomodar até Ronaldo, que disse não haver justificativas para que o Baixinho não fosse convocado. Dois anos mais tarde, Felipão também não se comoveu com os apelos públicos do próprio Romário e acabou anunciando os 23 convocados sem o atacante ? o Brasil acabou campeão com ótimo desempenho de Ronaldo.
Fernando Santos/Folhapress
Fernando Santos/Folhapress

Polêmicas dentro e fora de campo

Na mesma velocidade em que marcava gols e conquistava títulos, Romário entrava em polêmicas. Entre as mais famosas, destaca-se as duas confusões em sua passagem pelo Fluminense, em 2003: bateu em um torcedor que criticava o time durante um treino e deu um tapa no zagueiro Andrei, seu companheiro de equipe, durante a derrota por 6 a 0 para o São Paulo.

Incomodado com o corte na Copa do Mundo, Romário criou polêmica com Zagallo e Zico, técnico e coordenador-técnico da seleção na época. Em sua boate no Rio de Janeiro, colocou charges da dupla nas portas do banheiro. Acabou processado.

A brincadeira nas portas dos banheiros da boate também teve Edmundo como alvo, em uma atitude apontada como um dos motivos para o fim da amizade entre ambos. A relação ficou ainda mais estremecida em 2000, com os dois no Vasco. Na ocasião, Romário falou que o time cruz-maltino era uma corte, em que ele seria o príncipe e Edmundo o "bobo da corte".
REUTERS/Bruno Domingos
REUTERS/Bruno Domingos

Volta ao mundo em busca do gol 1000

Com 40 anos e 957 gols na carreira, Romário deu início a uma volta por centros menores do futebol em busca do milésimo tento. Em 2006, pelo Miami FC, balançou as redes 22 vezes. No fim do mesmo ano partiu para o Adelaide United, da Austrália, e anotou mais um.

Em fevereiro de 2007, já estava outra vez no Vasco. O Baixinho sempre deixou claro: queria marcar o milésimo no Maracanã. Em 25 de março, contra o Flamengo, fez o 999.

Mas teve de recuar. O Vasco se recusou a mudar o mando de campo da partida contra o Sport, em 20 de maio de 2007, do São Januário para o Maracanã. De pênalti, aos 2 minutos do segundo tempo, alcançou o gol mil colocando a bola no canto esquerdo do goleiro Magrão, do time de Recife.
Reuters
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Experiência no banco de reservas

Também em 2007, depois da saída de Valdir Espinosa, Romário assumiu o Vasco de Eurico Miranda na condição de jogador-treinador. Antes disso, havia comandado interinamente o clube em duelo contra América-MEX, pela Copa Sul-Americana.

No total, foram 8 partidas na função, com cinco vitórias e três derrotas. Era previsto que ficasse à frente da equipe até o fim da Taça Guanabara de 2008, mas foi demitido antes, por divergência com o presidente ? à época, alegou que estava sendo pressionado a escalar o atacante Alan Kardec, atualmente no São Paulo.
Alan Marques/Folhapress
Alan Marques/Folhapress

Carreira política

Romário entrou na política em 2009, filiado ao PSB. Elegeu-se deputado federal em 2010 e, em 2014, senador pelo estado do Rio de Janeiro.

Em cargo público, passou a atacar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e seus líderes. O Baixinho comemorou a prisão de José Maria Marin, em maio de 2015: "Um dos maiores corruptos do país", disse, na oportunidade.

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