Times que bateram Palmeiras gastam 20 vezes menos e nem existiam há 10 anos

Diego Salgado e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

  • JOSé LUIS SILVA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

    Água Santa surpreendeu o Palmeiras no último domingo ao fazer 4 a 1

    Água Santa surpreendeu o Palmeiras no último domingo ao fazer 4 a 1

Os times pequenos têm roubado a cena no Campeonato Paulista ao conseguirem fazer frente aos clubes grandes da competição. Nas últimas três rodadas, o Palmeiras tornou-se a principal vítima das equipes marcadas por uma realidade bem diferente da observada no próprio clube alviverde. Osasco Audax, Red Bull Brasil e Água Santa conseguiram vencer a disputa desigual que acabou culminando na crise alviverde.

As disparidades não estão ligadas somente à capacidade financeira, em especial às folhas de pagamento dos clubes. O fato se estende também à estrutura, seja nos estádios ou nos locais de treinamentos, além do tempo de vida no futebol profissional. 

Para explicar o abismo entre os clubes, o UOL Esporte falou com dirigentes dos três clubes. Eles foram representados por Nei Teixeira, diretor de futebol do Osasco Audax, Mário André Mazzuco, diretor esportivo do Red Bull, e Paulo Sirqueira, presidente do Água Santa. 

Em comum, estão as folhas de pagamento enxutas, que chegam a ser 20 vezes menor que a do Palmeiras. Os três algozes, por exemplo, vivem principalmente do repasse da Federação Paulista de Futebol. Esse cenário adverso, entretanto, não impede as equipes de lutarem pela classificação às quartas de final.

O Red Bull ocupa a segunda posição do Grupo D, com 19 pontos, quatro a mais que o Água Santa, o terceiro colocado. Já o Osasco soma 18 pontos, mesmo números do líder São Paulo na Chave C.

Abismo entre Palmeiras e os times modestos

Folha salarial do Palmeiras é 20 vezes maior

O Palmeiras tem uma folha salarial de aproximadamente R$ 7 milhões. Osasco Audax, por sua vez, gasta R$ 330 mil. O Água Santa desembolsa R$ 380 mil. Já o Red Bull não divulgou o total, mas indicou que o dinheiro repassado pela Federação Paulista é mais do que suficiente (são R$ 600 mil mensais, por cinco meses). O presidente do Água Santa disse á reportagem que os bichos pagos aos atletas faz o clube colocar dinheiro para as despesas com os atletas. "Nesse semestre agora foi bastante tranquilo. O dinheiro da Federação dá para gente cobrir todos os nossos custos. tem a questão do bicho que damos, por isso tivemos que colocar um pouco", disse Paulo Sirqueira.

3 times e 21 anos contra um clube centenário

O Palmeiras completará 102 anos no dia 26 de agosto. Juntos, Água Santa, Red Bull e Osasco somam 21 anos no futebol profissional. O caçula é o time de Diadema, que disputou seu primeiro campeonato em 2013. As outras duas equipes passaram a atuar profissionalmente em 2007. "Este é o nosso terceiro ano na elite. Estamos em evolução constante. Fizemos um planejamento estrutural e nem tanto financeiro até porque as nossas condições são pequenas, afirmou o diretor de futebol do Osasco, Nei Teixeira.

Elenco mais modesto, da quantidade à qualidade

No máximo 28 atletas no elenco. Essa é a realidade de Água Santa e Osasco Audax. O Red Bull disputa o Paulistão com 27 jogadores no grupo. No Palmeiras, Cuca tem à disposição 37 atletas (só 27 podem ser inscritos), o mesmo número de todas os profissionais envolvidos no futebol do Red Bull. "Nós temos uma equipe eficiente. enxuta e suficiente. Temos mais uns 12 profissionais envolvidos, além dos 28 atletas. Quarenta pessoas no total é um número suficiente", explicou Mário André Mazzuco.

Do campo emprestado à Academia de Futebol

As realidades são extremamente distintas também no que diz respeito aos locais de treinamento usados por Palmeiras e Água Santa. O time alviverde trabalha na Academia de Futebol, um dos centros de treinamentos mais modernos do país. A equipe do ABC Paulista treina muitas vezes em um campo emprestado, próximo ao estádio. "É uma estrutura modesta. Muito simples. Treinamos no próprio estádio. Quando o treino é mais leve, nós treinamos no Acampamento dos Engenheiros, um clube de Diadema, que é a dez minutos do estádio", explicou Paulo Sirqueira. Os outros dois clubes, em contrapartida, têm a chance de treinar em centros de treinamentos mais estruturados.

Palmeiras tem o dobro de média de público que os 3 clubes somados

Depois de 12 rodadas disputadas, o Palmeiras tem a segunda melhor média de público do Paulistão, com 19.540 espectadores por confronto em casa. O Osasco tem o melhor resultado na comparação com Red Bull e Água Santa. Em média, 4.674 pessoas acompanham as partidas do time. A equipe de Diadema leva 3.217 torcedores em média, contra 3.053 do Red Bull. O montante das três equipes chega a 10.944.

Capacidade dos três estádios quase equivale a um Allianz Parque

Água Santa, Red Bull e Osasco Audax mandam seus jogos em estádios modestos. O time de Diadema utiliza o Distrital de Inamar, que tem capacidade para dez mil torcedores. No José Liberatti, em Osasco, a lotação máxima é de 15 mil espectadores. O maior entre os três é o Moisés Lucarelli, usado pelo Red Bull -- o estádio tem 19 mil lugares. Já o recorde de público do Allianz Parque é de quase 40 mil pessoas.

Palmeiras arrecada dez vezes mais com bilheteria

Existe também um abismo em relação à bilheteria. O Palmeiras, depois de seis jogos como mandante, já registrou renda bruta de R$ 5,2 milhões. O valor é quase dez vezes maior que o alcançado por Red Bull (R$ 593 mil) e Osasco Audax (586 mil). O Água Santa fica ainda mais atrás, com total de R$ 479,7 mil de renda nos seus jogos como mandante. A soma dos três times, dessa forma, chega a R$ 1,6 milhão.

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