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22/12/2009 - 07h01

"Esporte do futuro", futebol feminino fecha ano com saldo positivo no Brasil

Felipe Held
Em São Paulo

O ano de 2009 não previa eventos do porte de Jogos Pan-Americanos, Olimpíadas ou Mundial – torneios que, inevitavelmente, atraem a atenção para o futebol feminino no Brasil . Mas a modalidade, que sempre se queixou da pouca visibilidade que tem no cenário nacional, encerra a atual temporada com um balanço positivo. E com a crença de que o futuro trará novidades interessantes – desde que sejam feitos investimentos.

PALAVRAS DE MARTA


Foi um ano praticamente perfeito. O futebol feminino está evoluindo no Brasil. Tivemos muita coisa boa, tivemos competições de suma importância. Tudo o que a gente almejava era disputar torneios internos, e estou muito feliz por poder ter essa oportunidade

O futebol feminino passou por mudanças na temporada, a começar pela seleção brasileira: Kleiton Lima assumiu o comando da equipe em abril, após a ida de Jorge Barcellos para os Estados Unidos. No cargo, o treinador, que desde 1997 empenhou esforços no futebol feminino, promoveu uma renovação no time. E obteve êxito: novatas como a lateral Maurine e a polivalente Érika, por exemplo, deixaram o Torneio Cidade de São Paulo como destaques, ao lado de nomes tarimbados como os de Marta, Cristiane e Rosane.

Aliás, o campeonato disputado no Pacaembu conseguiu uma razoável média de público ao longo das duas semanas. Na final, 24.715 pessoas (sendo 21.343 pagantes) assistiram à vitória por 5 a 2 sobre o México, com três gols de Marta. A camisa 10, que reforçou o Santos com a também habilidosa Cristiane no segundo semestre e conquistou a Libertadores feminina e a Copa do Brasil, finalizou a temporada com seu quarto título consecutivo de melhor do mundo, segundo a Fifa – ultrapassando nomes como Ronaldo e Zidane, tricampeões entre os homens.

“Foi um ano praticamente perfeito”, avalia Marta, que concretizou o sonho de disputar campeonatos em seu próprio país. “O futebol feminino está evoluindo no Brasil. Conseguimos muita coisa boa, tivemos competições de suma importância. Tudo o que a gente almejava era disputar torneios internos, e estou muito feliz por poder ter essa oportunidade.”

A lateral Rosana endossa as palavras de Marta. Mas a jogadora, que em março de 2010 completará dez anos de presença na seleção, ainda indica algumas carências. “Antes brigávamos porque não tinha calendário e campeonato no Brasil, que agora as entidades estão criando. Só falta os investidores acreditarem um pouco mais. Costumo falar que o futebol feminino vai ser o esporte do futuro. Estados Unidos e Europa estão tentando profissionalizar a categoria. Vai ser algo rentável”, avisa.

A atacante Cristiane, quarta colocada na premiação de melhor do ano da Fifa, crê nas palavras de Rosana. “Tomara que o futebol feminino seja o esporte do futuro. Vemos que tudo está mudando, e esse retorno das jogadoras foi muito importante”, diz. Quem tirou proveito do convívio com Marta e Cristiane foi a lateral Maurine, que chamou a atenção no Torneio Cidade de São Paulo após boas partidas pelo Santos. “Aprendi muito com elas, tirei o máximo que podia. O ano foi muito importante. Agora, espero que o futebol feminino aconteça no Brasil”, indica.

Uma das sugestões das próprias jogadoras para que a modalidade ganhe destaque no Brasil é aproveitar as brechas do calendário do futebol masculino e preencher a “carência” que a torcida nacional sente no período sem campeonatos. Entretanto, as atletas sabem – e pedem – para que clubes criem e invistam no departamento feminino de futebol. A começar em 2010.

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