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10/01/2010 - 08h26

Após ser baleado, goleiro de Togo passa por cirurgia e está na UTI

Das agências internacionais
Em Johanesburgo (África do Sul)

O goleiro Kodjovi Obilalé, que sofreu um tiro durante o ataque à delegação de Togo que ia para a Copa Africana de Nações em Cabinda, região separatista de Angola, foi operado e está estável em uma UTI de Johanesburgo, na África do Sul. Mas os médicos deixaram claro que é cedo para qualquer prognóstico.

Obilalé foi baleado na parte inferior lombar na sexta-feira e sofreu uma lesão neurológica na região da coluna vertebral. Ele voou de Angola para a África do Sul no sábado, para ser operado no Netcare Milpark Hospital. O especialista em traumas Elias Degiannis disse neste domingo que ele está bem, mas foi sedado e respira por aparelhos na unidade de tratamento intensivo.

“A cirurgia ocorreu com tranquilidade”, declarou Degiannis, que comanda a equipe médica responsável pela recuperação de Obilalé. O médico explicou que as consequências dos ferimentos do goleiro só serão conhecidas quando ele acordar e respirar por conta própria. "Neste estágio inicial, estamos satisfeitos com o progresso de Obilalé", completou.

Três pessoas foram mortas e oito ficaram feridas no ataque ao ônibus da seleção de Togo, reivindicado por um grupo separatista de Cabinda. Os médicos sul-africanos inicialmente informaram que Obilalé foi atingido por duas balas, porém, mais tardem confirmaram que foi apenas uma, e o outro ferimento foi causado pelos fragmentos dessa mesma bala.

O PONTO "A" INDICA O LOCAL DO ATAQUE

O médico Ken Boffard, outro especialista que está cuidando de Obilalé, disse que o goleiro estava alerta e era capaz de mexer as suas pernas antes da cirurgia, ainda que com muitas dores. “Ele estava extremamente em forma e com uma resistência muito boa. O fato de ele ser um atleta é muito favorável à recuperação”, completou.

Obilalé tem 25 anos e joga no clube francês GSI Pontivy, do Grupo D do campeonato amador do país. Ele participou da Copa do Mundo de 2006 defendendo a sua seleção.

Entenda o caso

O ônibus da delegação de Togo que ia para Cabinda, cidade-sede da Copa Africana de Nações, foi metralhado na sexta-feira em um ataque que matou três pessoas – o assessor de imprensa, o assistente técnico e o motorista do ônibus. Outros oito integrantes do grupo ficaram feridos.

O ataque teria sido reivindicado pelo grupo separatista Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (Flec). No entanto, o exército civil da organização enviou um e-mail à Associated Press informando que não teria responsabilidade por esse “infeliz episódio”, mas que os organizadores da competição ignoraram os avisos de que a região de Cabinda não deveria sediar jogos.

Após o ataque, os jogadores informaram no sábado que desistiriam do torneio, mas voltaram atrás no dia seguinte e decidiram jogar para "honrar os mortos". No entanto, o governo de Togo pediu a volta dos atletas e espera que a delegação abandone a competição ainda neste domingo.

Com a permanência na Copa Africana, Togo deverá estrear na segunda-feira, às 16h30 (de Brasília), contra a seleção de Gana pelo Grupo B, que ainda tem Costa do Marfim e Burkina Fasso. Cinco dos seis jogos do grupo serão realizados em Cabinda.

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