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10/01/2010 - 12h15

Com ingressos em alta, Corinthians se especializa em 'marketing de arquibancada'

Thales Calipo
Em São Paulo
  • Apesar de ser bajulado pela diretoria e jogadores, torcedor comum deve ficar fora da Libertadores

    Apesar de ser bajulado pela diretoria e jogadores, torcedor "comum" deve ficar fora da Libertadores

A expressão “jogar para a torcida” é antiga no futebol, mas a direção do Corinthians, pelo menos no discurso, se esforça para mantê-la cada vez mais atual. Depois de aumentar o preço dos ingressos para a Copa Libertadores e praticamente limitar a venda aos sócio-torcedores, dirigentes e jogadores alvinegros, sempre que possível, tentam fazer “média” e destacar a sua numerosa torcida.

No início desta semana, Roberto Carlos foi apresentado oficialmente como jogador do Corinthians. Antes de vestir o uniforme do clube, no entanto, o lateral-esquerdo segurou camisas das três principais organizadas e agradeceu a cada uma delas. No início da entrevista coletiva, concedida no gramado do Parque São Jorge e acompanhada por cerca de 6 mil torcedores, o jogador ostentou um boné da Gaviões da Fiel.

Frases como “Mais um para o bando. Chegou mais um louco. Muito obrigado pelo carinho de vocês” e “Hoje eu sou corintiano, quero ganhar títulos com a camisa do Corinthians, quero trabalhar para a nossa torcida” serviram para animar os torcedores e tentar minimizar o fato de Roberto Carlos já ter defendido no passado o rival Palmeiras.

A “devoção” à torcida não se limita aos jogadores. Na última sexta-feira, durante o anúncio da aposentadoria de Marcelinho Carioca e a transformação do ídolo no “Senhor Centenário”, o diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, demonstrou quão forte é a influência do torcedor no cotidiano do clube.

“A torcida é a dona do Corinthians. As organizadas são tratadas com respeito e sempre aceitamos sugestões. O diálogo com os torcedores é fundamental”, disse o dirigente.

Mesmo com toda boa vontade demonstrada no discurso, a situação para os torcedores não é a mais vantajosa. Na Copa Libertadores, grande objetivo do clube nesta temporada, poucos "comuns" terão a oportunidade de acompanhar no estádio as partidas. Os primeiros lotes de ingressos foram liberados apenas para os sócio-torcedores. Dessa forma, mais da metade das entradas para as três primeiras partidas em casa já foram comercializadas, e existe a possibilidade de os tíquetes nem chegarem às bilheterias.

Porém, se as entradas forem disponibilizadas ao torcedor “comum”, o outro empecilho deve ser o preço. Disposto a lucrar com a sua participação na Libertadores, o Corinthians decidiu majorar os ingressos, cobrando R$ 50 para arquibancada, R$ 200 para cadeira laranja, R$ 300 para numerada e R$ 500 para o setor VIP, fato que deve dificultar o acesso às pessoas sem um alto poder aquisitivo.

O Corinthians estreia na Libertadores no dia 24 de fevereiro, contra o vencedor do duelo entre Atlético Júnior, da Colômbia, e Racing do Uruguai. No dia 1º de abril, o time enfrenta o Cerro Porteño e, no dia 22 do mesmo mês, encerra a primeira fase em casa contra o Independiente de Medellín.

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