UOL Esporte Futebol
 
26/02/2010 - 07h04

Com apelidos em alta, clubes brasileiros armam estratégias para faturar

Cauê Rademaker e Luiz Gabriel Ribeiro
No Rio de Janeiro e em São Paulo
  • Divulgação/Vipcomm

    Fla aposta no sucesso dos produtos do 'Império do Amor', mas Vágner Love já tem camisa e tranças

  • Divulgação

    Camisa de El Loco Abreu foi bem aceita entre os torcedores, e Botafogo pretende repetir a iniciativa

Camisas personalizadas, canecas, canetas, bichos de pelúcia... Com os apelidos em alta no Brasil, os clubes se organizam para tentar tirar proveito da popularidade das alcunhas de seus principais jogadores e faturar. Vale qualquer coisa para explorar a boa imagem que o ‘Império do Amor’ tem entre os flamenguistas ou que El Loco construiu em pouco tempo no ataque do Botafogo.

Os apelidos entre jogadores sempre foram a marca do futebol brasileiro e voltaram à moda nesta temporada. Além da dupla formada por Adriano e Vágner Love no Fla e do uruguaio Sebastian Abreu no Botafogo, há mais exemplos de alcunhas famosas entre os torcedores. O Santos conta com Ganso. Já o Cruzeiro tem Gladiador como destaque.

“A popularidade de um jogador é consequência do que ele faz dentro de campo. Não adianta forçar a barra para vender alguma coisa, porque a torcida tem a sua própria percepção. Mas apelidos chamam atenção e ajudam porque permitem uma diversidade maior de produtos”, diz Marcio Padilha, diretor de marketing do Botafogo.

O clube alvinegro lançou uma camisa personalizada de El Loco Abreu para marcar a chegada do uruguaio ao clube. A iniciativa teve sucesso, e o Botafogo planeja seguir a estratégia. No entanto, o clube espera a oficialização do novo patrocinador da camisa oficial para montar uma linha especial de produtos com o apelido do atacante em destaque.

Assim como o Santos no caso de Ganso, o Cruzeiro ainda não explorou o potencial de marketing que o Gladiador tem. Mas os mineiros já tiveram uma experiência bem-sucedida e que pode servir como inspiração. A oportunidade de usar a alcunha de um atleta veio com Kerlon, mais famoso entre os torcedores como Foquinha. A estratégia rendeu a linha ‘Foquinha de Pelúcia’, em referência ao drible criado pelo jogador, atualmente no Ajax, da Holanda.

O Flamengo segue a ideia e pretende lançar uma marca ainda mais forte. Para isso, o departamento de marketing do clube registrou o ‘Império do Amor’. O ex-jogador do Palmeiras já possui a camisa Love e trancinhas vermelhas e pretas, sucessos entre a torcida. Ao lado do Imperador Adriano, os atacantes protagonizam uma nova versão, com um apelo ainda mais forte. “Estamos indo devagar para fazer direito. A linha Império do Amor está sendo pensada com calma, para ficar um produto bacana”, diz o vice de marketing do Fla, Henrique Brandão.

Jogadores fazem o seu próprio marketing

Mesmo sem contar com o ‘empurrão’ do clube para que os apelidos possam se tornar ainda mais populares, os atletas não abrem mão da alcunha. A escolha é parte da estratégia para se tornar conhecidos com maior facilidade. Com isso, os jogadores fazem o seu marketing pessoal e se destacam. Conhecido como Dentinho desde as categorias de base do Corinthians, o atacante virou Bruno Bonfim assim que foi promovido aos profissionais. Mas usou o nome composto por pouco tempo.

O jovem preferiu Dentinho, segundo ele, porque os torcedores já o conheciam assim. O Cruzeiro, que conta com o Gladiador em seu elenco, reconhece a força dos apelidos. Entretanto, diz priorizar o nome do jogador em ações de marketing. De acordo com Antonio Claret, diretor do departamento no clube mineiro, explorar a alcunha de um jogador só em caso de uma oportunidade excelente.

SABE TUDO SOBRE O APELIDO DOS JOGADORES BRASILEIROS?

“Fizemos isso com o Kerlon, mas dentro de um contexto. A chance surgiu após um clássico contra o Atlético-MG e pelo drible que ele deu. Se houver uma chance extraordinária de colocar um produto para os torcedores com o Kléber, por exemplo, poderemos fazer novamente”, ressalta Claret, que lembra que a revista oficial do clube já trouxe uma capa com o atacante Kleber, caracterizado como Gladiador.

Paulo Henrique é conhecido por poucos no Santos. Já Ganso é muito mais popular. Mesmo considerado um apelido pejorativo pelo clube, o meia-atacante fez questão de manter o apelido que ganhou assim que chegou ao clube. A maneira como o jogador é chamado pode gerar grandes discussões e belas oportunidades de marketing. No entanto, com o nome da identidade ou apelido na camisa, a imagem que fica é sempre pelo futebol mostrado dentro de campo.

Compartilhe:

    Placar UOL no iPhone

    Hospedagem: UOL Host