UOL Esporte Futebol
 
11/03/2010 - 15h20

Por "futebol universal", Blatter justifica veto ao uso de tecnologia no esporte

Do UOL Esporte
Em São Paulo
  • Suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, defende o futebol universal

    Suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, defende o futebol universal

No último dia 6 de março, a International Board (IFAB), entidade que determina as regras do futebol, definiu em seu 124º encontro o veto ao uso de tecnologia para ajudar árbitros durante a partida. A reunião foi realizada em Zurique, na sede da Fifa, que corroborou a decisão do órgão. Para o presidente da organização que rege o futebol, o suíço Joseph Blatter, a decisão visa manter o futebol como um esporte “universal”.

“O futebol precisa ser praticado da mesma maneira em qualquer lugar do mundo. Se você está treinando um grupo de adolescentes um uma cidade pequena ou jogando com profissionais em uma partida televisionada, as regras precisam ser as mesmas”, explicou o dirigente em texto publicado no site da Fifa.

A International Board usou sua reunião para descartar, por exemplo, o uso da “bola inteligente”, que pode determinar se a bola ultrapassou ou não a linha da meta. Mas para Blatter, a tecnologia iria contra princípios básicos do futebol, como sua simplicidade e universalidade, que seriam a razão do sucesso do esporte.

“Se a aprovássemos a tecnologia que indica se um gol foi marcado, o que evita o uso de meios tecnológicos em outros aspectos do futebol? Em pouco tempo toda decisão e ação de jogo seria questionada”, explicou Blatter.

Além disso, o presidente da Fifa aponta que, mesmo com a tecnologia, o parecer final será humana, o que tiraria o poder de decisão do árbitro e deixaria lances polêmicos ainda mais subjetivos. Segundo Blatter, é o que acontece em transmissões televisionadas, quando comentaristas dão opiniões distintas sobre um mesmo acontecimento. “Os torcedores adoram discutir lances de jogo. Faz parte da natureza humana do nosso esporte”, analisou.

Blatter vê outros problemas no uso de tecnologia, entre eles acabar com o ritmo veloz do futebol. De acordo com o presidente da Fifa, se um lance pudesse ser revisto pelo árbitro, isso comprometeria a própria partida.

“O futebol é um esporte dinâmico, que não pode ser interrompido a todo momento para que uma decisão seja revista. Isto quebraria o ritmo do jogo e poderia impedir uma equipe de marcar um gol. Não faz sentido interromper a partida a cada dois minutos”, disse.

A International Board é composta pelas federações da Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte (cada uma delas com um representante) e a Fifa, que tem direito a quatro votos. Para que alguma mudança seja aprovada, ela deve contar com o apoio de pelo menos 75% dos eleitores. A entidade se reunirá novamente em encontro especial, em que serão discutidos o uso de dois árbitros extras e a proibição da "paradinha" no momento da cobrança de pênalti.
 

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