UOL Esporte Futebol
 
16/03/2010 - 21h23

Presidente do Avaí acusa ex-árbitro de tentar vender vitória na Série B de 2008

Róbinson Gambôa
Em Florianópolis (SC)

IDEIA ERA PRENDER O SUSPEITO

  • O promotor Abel Melo revelou nesta segunda-feira que, na sequência das investigações, um servidor da Justiça se fez passar por dirigente do Avaí. As conversas foram gravadas, mas o conteúdo não foi revelado. O ex-árbitro Barelari será processado por crime de extorsão e também responderá na Justiça desportiva, podendo ser banido do esporte.

    Para Zunino (foto), o ex-árbitro apontado como autor das mensagens não tem ligação com os árbitros que trabalharam durante o campeonato. “Acredito que era um blefe. Se o time vencesse, ele recebia. Se perdesse, ficava por isso mesmo”, avaliou.

    Segundo o presidente do Avaí, o Ministério Público pretendia marcar um encontro com Barelari em Florianópolis e prender o ex-árbitro ainda no Aeroporto Hercílio Luz, mas as informações acabaram vazando numa entrevista concedida por uma pessoa ligada à CBF a um canal de TV a cabo.

    De acordo com o “Jornal do Meio-Dia”, o ex-árbitro teria oferecido facilitar a partida entre Avaí e Fortaleza, pela Série B, em 2008, jogo que terminou empatado por 2 a 2.

    Zunino, no entanto, disse que não houve oferta a uma partida específica, já que as mensagens se estenderam por cerca de um mês, ainda no começo da competição. “Espero que esse comportamento nefasto seja expurgado do futebol. Jamais o Avaí iria compartilhar dessa sujeira”, afirmou o dirigente.

Uma suposta oferta de combinação de resultados na Série B de 2008 veio à tona nesta semana em Santa Catarina. Após revelação do Jornal do Meio-Dia, da Ric/Record, de que um ex-árbitro, Eduardo Cristaldo Barelari, teria tentado vender vitórias ao Avaí no campeonato daquele ano, o presidente do clube, Nilson Zunino (na foto à esquerda), veio a público para dar sua versão ao tema.

Em entrevista coletiva, o cartola revelou que foi interpelado em 2008 por um suposto ex-juiz da Federação Maranhense por meio de mensagens de celular, antes mesmo de o campeonato começar. “No começo, pensei que fosse uma piada. Como a coisa prosseguiu, levei o caso à Federação [Catarinense de Futebol]”, contou Zunino.

De acordo com o presidente, foram cerca de 40 torpedos, que ofereciam ao Avaí as vitórias na Série B, cobrando entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Em alguns deles, Barelari fazia ameaças, apontando jogos de outras equipes onde o acordo não teria sido aceito. “Veja o que aconteceu com aquela equipe, não quis o acordo, se deu mal”, era o conteúdo de uma das mensagens.

Diante das supostas ofertas de combinação de resultado, o dirigente teria procurado a Federação Catarinense, que levou a denúncia à CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Esta, por sua vez, teria encaminhado o caso à Comissão Nacional de Arbitragem, cujo diretor Sérgio Corrêa solicitou a intervenção do Ministério Público Catarinense, que investiga o caso há dois anos.

O processo corre em segredo de Justiça. Segundo o promotor Abel Antunes de Melo, ligações telefônicas monitoradas pela Justiça identificaram o ex-árbitro Eduardo Cristaldo Barelari como sendo a pessoa que teria oferecido os resultados ao Avaí.

Já Zunino diz que as denúncias não foram abertas à imprensa na época dos fatos para não prejudicar as investigações. O presidente contou que começou a receber mensagens pelo celular ainda no início de 2008, antes mesmo de o campeonato começar. Naquele ano, o Avaí foi terceiro colocado da Série B, subindo para a elite do Campeonato Brasileiro.

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