UOL Esporte Futebol
 
11/04/2010 - 09h29

Após R$ 8 milhões, Botafogo troca de 'partido' em eleição no Clube dos 13

Do UOL Esporte
Em São Paulo

A eleição para a presidência do Clube dos 13, marcada para esta segunda-feira, inclui na campanha dinheiro da CBF e antecipações de cotas de televisão em troca de votos. De acordo com a Folha S. Paulo, Corinthians, Botafogo, Goiás e Coritiba, exatamente os vices na chapa de Kléber Leite, candidato da confederação, são os clubes que aceitaram trocar de lado após receberem dinheiro ou promessas e benefícios.

Os dois primeiros desmentem que votam em Kléber Leite em troca de apoio financeiro, mas admitem que receberam dinheiro da CBF e da TV Globo às vésperas da eleição.
Botafogo, Goiás e Coritiba assinaram abaixo-assinado, em 29 de março, apoiando a reeleição de Fábio Koff. Dias depois, apareceram na chapa de Leite.

"Se fosse por causa de dinheiro, então, todo mundo estaria agora com o Kléber Leite", diz o corintiano Andres Sanchez, quase avalizando a acusação de que o ex-presidente do Flamengo passou sua campanha trocando benefícios por votos. O botafoguense Maurício Assumpção acertou apoio à candidatura de Fábio Koff na segunda-feira, dia 29 de março.

Três dias antes, no entanto, o clube formalizara acordo costurado no dia anterior com a CBF no valor de R$ 8 milhões. O Botafogo receberia R$ 3,5 milhões em 6 de abril, R$ 2,5 milhões em 6 de maio e R$ 2 milhões em 6 de agosto. Em 30 de março, o dirigente do Botafogo recebeu recado de que o empréstimo estava condicionado ao voto em Leite.

Sem apresentar justificativas objetivas, Assumpção apareceu na chapa de Leite dois dias depois. "Não é justo dizer que apoiei o Kléber Leite em troca do empréstimo. Comecei a negociar um valor de R$ 10 milhões em janeiro, muito antes do processo eleitoral. E só recebi R$ 3 milhões", diz Maurício Assumpção. "Os dois lados me fizeram ofertas", diz ele.

Koff, por meio de sua assessoria, nega que tenha oferecido qualquer benefício financeiro para ter o voto do Botafogo. "É injusto cobrar do Botafogo uma posição igual à do Corinthians, porque nosso poder financeiro é diferente", afirma o presidente do time carioca. A CBF informa que "vários clubes têm dívidas com a entidade, inclusive alguns que votam em Fábio Koff".

Primeiro vice na chapa de Leite, Andres Sanchez teve acesso a R$ 8 milhões de antecipação de direitos de TV em 9 de março, que pagará em oito parcelas de R$ 1 milhão até abril de 2011. "Peguei R$ 3,5 milhões", disse ele. Confrontado pela reportagem, recuou: "Se foi isso [R$ 8 milhões], pergunte ao Raul [Corrêa e Silva, diretor financeiro]".

Dois dias depois de ter firmado seu nome se comprometendo a votar em Koff, Syd Oliveira, presidente do Goiás, passou a terceiro vice de Leite. Em carta ao C13, oficialmente alegou "motivos institucionais". Mas a interlocutores admitiu ter sofrido pressão da federação goiana e da CBF, inclusive com ameaça de rebaixamento à Série B do Brasileiro. O Coritiba, que terá na próxima quinta o julgamento sobre a punição ao estádio Couto Pereira, também trocou de lado abruptamente. "Foi uma decisão de colegiado do clube", defende-se o presidente Jair Cirino.

O racha entre a CBF e o Clube dos 13 se deu quando Ricardo Teixeira rompeu, em 2009, com a FBA, entidade responsável pela organização da Série B. Aos clubes da Segundona ofereceu R$ 30 milhões pelo contrato de televisão. O Clube dos 13 tinha quatro filiados na Série B e precisava avalizar o novo acordo, mas o recusou. Foi quando Ricardo Teixeira e Fábio Koff se afastaram.

"Nunca vi tanta baixaria como nesse mundo do futebol", declarou o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, que apoia Fábio Koff. O dirigente gaúcho se disse surpreso com "traições por razões inconfessáveis".

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