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08/05/2010 - 07h02

Fábio Santos não entende vaias: "Alguns podem errar 10 passes, outros 1"

Marinho Saldanha
Em Porto Alegre
  • Fábio Santos e sua filha Eduarda, vítimas de acidente doméstico

    Fábio Santos e sua filha Eduarda, vítimas de acidente doméstico

O lateral-esquerdo Fábio Santos está afastado do time do Grêmio por uma lesão nos tendões do pé direito. O fato, ocorrido em um acidente doméstico, sacou o jogador das finais do Gauchão e da Copa do Brasil. Em recuperação, Fábio abriu as portas de seu apartamento, na zona norte de Porto Alegre, à reportagem do UOL Esporte. Em um animado bate papo, o defensor referiu situações sobre sua carreira, a lesão, vaias e o momento do time tricolor.

Quando da chegada no apartamento de Fábio Santos, uma animada garotinha recepcionou o atleta, seu assessor de imprensa, a reportagem do UOL Esporte e o pai de Fábio, que o acompanhava. Eduarda, de apenas 2 anos, que também participou do acidente que tirou Fábio do time. Percebendo a presença de estranhos, a menina ficou um pouco tímida, mas somente nos primeiros minutos, logo já estava praticamente participando da entrevista.

Antes do bate papo, Fábio Santos levou todos até o banheiro de sua casa, local onde, quando saia de um banho com a garotinha, com um empurrão da menina, o box de vidro se chocou com a parede e partiu, com os estilhaços perfurando o pé direito do lateral e fazendo ferimentos em sua filha. "Quando voltamos do hospital estava cheio de sangue no chão, parecia cena de crime", contou o jogador. A falta de uma trava no vidro foi o provável motivo para o rompimento com a batida. "Felizmente nada mais grave ocorreu", comentou Fábio.

  • Neco Varella/Freelancer

UOL Esporte: Como está o processo de recuperação de sua lesão?
Fábio Santos: Este primeiro momento, de 3 semanas, é sem movimento, somente com a bota para imobilização. Depois, se fará um novo exame para ver a cicatrização e os movimentos dos dedos,  se estão 100%. Acredito que durante o recesso da Copa eu volte a fazer os trabalhos normais. Tem o problema que a bota afina um pouco a perna, mas recuperarei aos poucos, não tem porque apressar.

UOL Esporte: E a rotina...
Fábio Santos: É muito ruim porque não dá para fazer nada. Dirigir, por exemplo, é impossível. A primeira semana foi terrível, não ia nem no clube porque precisava ficar completamente parado. Fiquei sempre em casa, no sofá, via filme atrás de filme, tem uns 15 DVD's que eu vi. Minha mulher está até estranhando, não é amor? "É, tem que voltar a concentrar logo", brincou a esposa de Fábio.

Todo o mundo tem azar no ano inteiro, o meu veio todo na mesma semana.

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Grêmio

UOL Esporte: Como foi o fato e no dia seguinte houve um acidente de carro, correto?
Fábio Santos: Sim. Aqui em casa foi no chuveiro, quando tinha acabado de tomar um banho com a minha filha. Ia passar ela para minha esposa e ela empurrou o box. Quem quebrou o vidro Duda? (Fábio conversando com sua filha, que não respondeu) Ela está um pouco tímida, mas acostuma daqui a pouco. Então, não havia a trava do box, eu acho, e daí quebrou e estilhaçou, caindo sobre mim e ela. Perto de tudo que poderia acontecer, foi o menos pior. O acidente de carro aconteceu no dia depois. Eu tinha acabado de ir no clube fazer curativos, me indicaram tomar vacina anti-tetânica. Iria até o posto de saúde, quando chegava perto, um motoqueiro bateu no nosso carro, na lateral, quando entraríamos na rua. No final nem tomei a vacina, ficou para o outro dia.

UOL Esporte: Qual a primeira coisa que passou na sua cabeça no momento do acidente em casa?
Fábio Santos: Todo o mundo tem azar no ano inteiro, o meu veio todo na mesma semana. Primeiro pensei na minha filha, nem tinha visto o meu pé, minha esposa é que falou que eu havia me machucado. Minha preocupação era com ela, não dava para saber onde tinha sido o corte porque estava toda suja de sangue. Mostra para o 'titio' onde foi o corte, Duda (Novamente conversando com a filha. A menina mostra o braço, mas rapidamente). Mas o preocupante era que eu não sentia os dedos do pé. Não sabia se isso era normal ou não. Chegando no hospital eles cuidaram primeiro da minha filha. O doutor disse que se olha primeiro a criança, mas minha esposa falou para ele que eu era jogador de futebol e não estava sentindo os dedos, logo ele mudou para ver meu pé. Ali mesmo se fez uma micro cirurgia. Lembro que perguntei para ele: Se der alguns pontos aí dá para jogar domingo? (havia o primeiro Gre-Nal decisivo do Gauchão).

Meu pior momento jogando foi a eliminação na Libertadores, estávamos muito perto, tivemos chances para marcar em Minas Gerais.

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Grêmio

UOL Esporte: Como é ficar fora das decisões?
Fábio Santos: Foi difícil. Agora estou tranquilo, mas na primeira semana eu não aceitava, não acreditava. Mas, depois comecei a olhar por outro lado, poderia ser pior. Na verdade foi uma coisa simples, em 40 dias se resolve.

UOL Esporte: Como você vê a possibilidade do Grêmio contratar um novo lateral-esquerdo?
Fábio Santos: É uma situação normal. Pelos 2 jogadores da posição, eu e o Lúcio, estarem lesionados é possível. Acredito que: se fossem contratar já teriam contratado, porque agora o Neuton se firmou e ainda tem o Bruno que nos ajuda muito. É questão do Silas ver o elenco que tem e conversar com a direção, se achar necessário, contratar.

UOL Esporte: Qual foi o pior e o melhor momento de sua carreira pelo Grêmio?
Fábio Santos: O começo do Brasileirão passado foi muito bom. Tive uma sequência de uns 12 jogos e consegui render bem. A sequência é tudo para um jogador de futebol. O pior foi a lesão no ano passado (contra o Palmeiras pelo Brasileirão, afastou Fábio mais de 2 meses), Jogando, certamente foi a eliminação na Libertadores para o Cruzeiro (semifinais da Libertadores de 2009). Tivemos chances claras para vencer em Minas Gerais. Se fizéssemos 1 gol a torcida começaria a vaiar o time deles, estávamos tão perto e não conseguimos.

UOL Esporte: Em alguns momentos no Grêmio o torcedor te vaiou. Mesmo assim, sempre permaneceste como titular. Acreditas que por seres um jogador mais tático o torcedor não compreende e acaba criticando?
Fábio Santos: Ano passado, o torcedor preferia o Jadílson. Porque, com as partidas que eu estava fazendo, com o time, a direção e a comissão técnica me elogiando, era a única razão. Mas creio que era somente uma parte, a maioria sempre me elogiou, até hoje. Eu trabalho para a equipe, não deixo de apoiar em nenhum momento. Mas, cada um enxerga o que quer. Neste caso, eu sempre lembro do Alecsandro (centro avante do Internacional), ele faz muitos gols e sempre é criticado. As vezes há críticas pessoais, mas eu fico bem tranquilo quanto a isso. O pessoal do clube sempre me elogia bastante, sou útil para a equipe e acredito que a maioria do torcedor goste do meu futebol e saiba como eu me entrego.

As vezes eu não entendo porque sou vaiado. Você vê o 'cara' se entregando, correndo, criando, marcando, e mesmo assim conseguem achar críticas. Realmente não entendo

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Grêmio

UOL Esporte: Te incomoda...
Fábio Santos: Não é que incomode, mas as vezes eu não entendo porque sou vaiado. Você vê o 'cara' se entregando, correndo, criando, marcando, e mesmo assim conseguem achar críticas. Realmente não entendo. Mas não é algo que me tire o sono. Tenho uma carreira que fala por mim, sempre joguei em times grandes, conquistei alguns títulos e estou feliz pelo resultado da minha carreira. Críticas sempre vão existir.

UOL Esporte: Ocorreu entre o ano passado e este ano, um problema do Grêmio com um jogador que era ídolo da torcida, o Maxi Lopez. Ele ficaria no Grêmio, depois não ficou e o clube acabou muito chateado com isso. Ele, em algum momento comentou algo com vocês, que sairia?
Fábio Santos: Ele nunca falou nada, mas é compreensível. Todos tem vontade de jogar na Europa, mas até achava que ele ficaria pela maneira que a torcida agia com ele.

Se eu disser que não há vaidade entre os jogadores é mentira.

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Grêmio

UOL Esporte: Também ano passado ocorreu um momento em que o Tcheco disse que o Maxi Lopez era o 'bonitinho' da torcida. Quando perdia ele tinha que dar explicação, quando ganhava, aparecia o 'bonitinho'. Havia este sentimento no grupo?
Fábio Santos: Eu nunca liguei muito para essas coisas, mas se eu disser que não há vaidade entre os jogadores é mentira. A gente sabe que o pessoal lá de trás nunca vai ser a estrela do time, mas o pessoal da frente tem um pouco isso, quem vai fazer mais gols, essas coisas. Se o Maxi era o 'queridinho' da torcida, ele fez por merecer. O próprio Tcheco, o Souza, todos eram queridos do torcedor. Eu nunca vi problema em dar explicação. Sempre tem o jogador que a torcida gosta mais, sabemos que tem 'queridinhos', mas por mérito deles.

UOL Esporte: Mas a torcida perdoa os 'queridinhos'. Se o Maxi errasse 10 passes não era vaiado, tinha jogadores que não podiam errar 1...
Fábio Santos: Tinha jogadores? (dando a entender que falávamos dele próprio) Sabemos que há jogadores que podem errar 10 passes e os que não podem errar 1. No momento, por exemplo, o 'queridinho ' é o Mário, mas é mérito dele. Não tem porque ficar com ciúme, inveja, nada disso. O jogador tem é que buscar o mesmo status.

Sabemos que há jogadores que podem errar 10 passes e os que não podem errar 1. No momento, por exemplo, o 'queridinho' é o Mário, mas é mérito dele.

Fábio Santos, lateral-esquerdo do Grêmio

UOL Esporte: Grêmio e Santos e a polêmica dos meninos da Vila com Luxemburgo...
Fábio Santos: Vai ser um jogo muito bom. Temos que fazer o resultado em casa, nem digo uma vantagem grande, mas uma vitória e sem sofrer gols. O Grêmio sabe jogar esta competição, nem sempre quem joga para frente é que ganha. O Santos faz muitos gols, mas também sofre muitos gols, eles não tem uma defesa tão consistente. Sobre a polêmica, achei que ambos os lados tem razão. Os garotos não fizeram por maldade, e o Luxemburgo não esta errado por ter reagido da maneira que reagiu. Imagina você ajudar a reerguer um clube e depois ser hostilizado como ele foi. É uma situação semelhante a do Silas no Avaí. Mas os meninos não fizeram por mal, é coisa de jovem e estavam felizes pelo título.

UOL Esporte: Quem são os favoritos ao título do Brasileirão?
Fábio Santos: Temos que avaliar os grupos, os elencos. O Grêmio vai chegar muito forte este ano, tem o São Paulo, o Cruzeiro, o Corinthians e o Flamengo, acho que estes são os favoritos.

UOL Esporte: Como está sua renovação com o Grêmio?
Fábio Santos: O Grêmio fez uma proposta, mas tem algumas pendências ainda. A minha vontade é permanecer, a família está adaptada à cidade, eu gosto daqui, do clube, mas estamos analisando. Quero deixar passar a fase decisiva. Na parada da Copa do Mundo acredito que acerte tudo.

 

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