UOL Esporte Futebol
 
03/06/2010 - 18h10

Em depoimento na 38ª DP, Adriano sai em silêncio e não deve ser incriminado

Do UOL Esporte*
No Rio de Janeiro

Adriano não deve estar gostando dos dias de férias que passa no Rio de Janeiro, após seu contrato com o Flamengo ter se encerrado no último domingo. Depois de depor por quase duas horas no Ministério Público nesta última quarta-feira, o jogador teve de prestar esclarecimento nesta quinta na 38ª DP, em Brás de Pina, para falar oficialmente com a Polícia Civil. Ao menos, recebeu uma boa notícia e, pelas explicações que deu, não deverá, a princípio, ser incriminado.

ADRIANO E OS PROBLEMAS EXTRA-CAMPO

  • Rafael Andrade/Folha Imagem

    Em março deste ano, Adriano teria se envolvido numa confusão com a sua noiva, Joana Machado, em uma favela no Rio de Janeiro. Outros jogadores do Flamengo estariam também no local. Por causa destes problemas, o atacante ficou de fora de algumas partidas da equipe e até realizou treinos separadamente. As confusões pesaram na ausência de Adriano na Copa do Mundo de 2010.

O atacante chegou no fim da tarde na companhia de dois advogados, sem querer dar qualquer tipo de entrevista, e ficou cerca de uma hora no local.

O Imperador está sendo investigado por possíveis ligações com traficantes da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. O centroavante teria sido grampeado pela Polícia Civil e, nas ligações interceptadas, teria dito que enviaria R$60 mil a um amigo de Fabiano Atanásio da Silva, o FB, chefe do tráfico na Vila Cruzeiro.

Diante do delegado Luiz Alberto Andrade, Adriano explicou que o dinheiro foi sacado para a compra de cestas básicas, alegando que que ele e sua mãe ajudam a comunidade local há alguns anos. A Polícia Civil prometeu investigar as informações e, pelo menos por enquanto, afirmou não ter indícios para incriminar o jogador.

Em nota oficial divulgada nesta última quarta-feira, o Ministério Público afirmou que pedirá à Justiça a quebra dos sigilos bancário e telefônico do jogador. No texto, o Ministério Público dizia que as suspeitas “são gravíssimas e há fortes indícios que o mesmo tenha repassado dinheiro ao traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, líder do comando vermelho”.

Também tem pesado contra o ex-jogador do Flamengo fotos comprometedoras ao lado de amigos, publicadas pelo jornal O Dia na última segunda-feira. Em uma, segurava o que seria uma arma, enquanto na outra fazia, com as mãos, sigla de uma facção criminosa. No mesmo dia, o empresário do atacante, Gilmar Rinaldi, afirmou que seriam armas de brinquedo que o Imperador tinha na época em que morava na Itália.

O FLAMENGO NO TWITTER

O atleta foi questionado sobre todos esses assuntos pelo promotor Alexandre Themístocles no depoimento da última quarta-feira, mas não se sabe o teor das respostas do centroavante. O promotor também não quis dar entrevista.

O depoimento na tarde desta quinta-feira foi o terceiro no ano que Adriano teve de dar. Em abril, o atleta já havia tido de se explicar na 22ª DP por ter comprado uma moto e a mesma ter sido registrada no nome da mãe de um traficante. Na ocasião, o jogador afirmou desconhecer o fato e convenceu os investigadores.

De qualquer forma, mesmo sendo investigado, Adriano não deverá ter problemas para viajar neste domingo para a Itália, onde assinará seu contrato com a Roma e passará alguns dias de férias na Sardenha. A imprensa italiana, inclusive, enviou repórteres para o Rio de Janeiro e tem acompanhado os passos do Imperador nas delegacias.

*Atualizada às 18h30

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