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Muricy faz depoimento com uniforme tricolor: filme prioriza histórias de superação

13/09/2010 - 13h45

Filme "Soberano" faz força para dramatizar o hexa do São Paulo

Rafael Krieger
Em São Paulo

Para buscar algo diferente dos filmes que recentemente exaltaram Grêmio, Internacional e Corinthians, os produtores do documentário “Soberano” não negam que o principal desafio de retratar as conquistas do São Paulo em 90 minutos é a falta de drama.

O filme tem pré-estreia nesta segunda-feira em São Paulo, e chega aos cinemas no próximo dia 17. Com a proposta de narrar os seis títulos brasileiros através de histórias contadas por torcedores e pessoas relacionadas ao time, arranca risadas e chega a comover até quem não é são-paulino, usando dramas pessoais para ilustrar os sucessos em campo.

Mas toda a emoção dessa relação apaixonada do torcedor com o time se concentra apenas no começo do filme, em que são retratadas as primeiras conquistas do clube no Campeonato Brasileiro, justamente as mais eletrizantes. Já o tricampeonato consecutivo obtido na era dos pontos corridos minguou o clímax da narrativa.

“A maior dificuldade foi falar das qualidades do São Paulo”, reconhece Carlos Nader, que dirigiu o filme ao lado de Maurício Arruda. “O filme sobre o Corinthians, por exemplo, já tinha um roteiro pronto, com todo aquele sofrimento. Para nós foi mais difícil, porque o São Paulo só ganha, e o maior desafio foi encontrar os pontos dramáticos”, completa.

TRILHA É DE NANDO REIS


O cantor são-paulino Nando Reis foi o responsável pelas músicas de abertura e encerramento do filme.

No começo, ele canta uma letra sobre a hereditariedade dos torcedores, tema que amarra o roteiro.

Nos créditos finais, a canção tem como refrão o título do filme, "Soberano".

Nando não pensa em incluir essas músicas em sua discografia pessoal: "Elas estão totalmente vinculadas ao DVD, que será o melhor meio para divulgá-las".

Nada disso é preciso para descrever o título conquistado nos pênaltis sobre o Atlético-MG fora de casa em 1977. Um torcedor que estava de lua-de-mel no dia da final relembra a situação ao lado da mulher, enquanto Muricy Ramalho dá risada ao contar como despachou Serginho Chulapa às pressas para Belo Horizonte só para intimidar os rivais, já que o atacante estava suspenso.

O clima nostálgico continua, embalado agora por imagens históricas da final de 1986, contra o Guarani. Para ilustrar a disputa do título mais sofrido do São Paulo, conquistado também nos pênaltis, uma reportagem da época mostra o único torcedor não são-paulino ouvido no filme: um corintiano preso por abusar da pinga na entrada do Morumbi no dia da primeira final.

Passagens engraçadas se mesclam ao choro de torcedores que relembram suas histórias de amor ao São Paulo. Todo esse clima de emoção é mantido quando o documentário aborda a passagem do técnico Telê Santana e entrevista o craque Raí, que revela histórias curiosas do ex-comandante.

Depois, chega a vez de relatar como foi o tricampeonato consecutivo, feito inédito alcançado pelo clube entre 2006 e 2008. Eis que, para dar emoção a um dos maiores feitos do time, os diretores admitem que tiveram de quebrar a cabeça.

Principalmente para falar sobre o título de 2007. Foi complicado encontrar emoção na vitória por 3 a 0 sobre o América-RN no Morumbi, que definiu o título. “No começo foi difícil, eles estavam com os 11 jogadores na defesa”, relata um dos torcedores ouvidos.

Pelo menos sobre 2008, o documentário não omite a polêmica da troca de árbitros envolvendo ingressos do show da Madonna, e tem mais conflito para narrar, graças à superação do São Paulo no segundo turno daquele torneio, e à preleção emocionada de Rogério Ceni antes da “final” contra o Goiás.

FILME É UMA RESPOSTA AO MORUMBI FORA DA COPA?

Não tem nada a ver com isso. Foi uma produção trabalhada com o tempo. Ser soberano é estatístico, com menos de 100 anos, somos o clube mais vitorioso. Não é soberba. O filme está sendo exibido para presentear a torcida.

Julio Casares, vice-presidente de comunicação e marketing do São Paulo

No fim, o espectador fica praticamente sem ouvir o termo “Soberano”, título escolhido pela torcida. A palavra não reflete sua arrogância dentro do filme, e só é usada por Nando Reis na música de encerramento. Já o roteiro tem a preocupação de ser amarrado por histórias de paixão hereditária, mas em certo ponto faz questão de lembrar dos são-paulinos que nascem em famílias de torcedores rivais.

Além disso, a busca por histórias de superação dentro da trajetória vitoriosa do São Paulo faz com que o filme possa ser visto por outros torcedores sem que se incomodem, pois essa obsessão pelo sofrimento até nas situações mais tranquilas se identifica com o senso comum dos apaixonados por futebol.

Mesmo assim, o diretor Carlos Nader faz questão de lembrar: “Esse é um filme feito por são-paulinos para são-paulinos”. De fato, os produtores asseguram que 100% da equipe é formada por tricolores. Perguntado se até o eletricista é torcedor do São Paulo, ele admite: “Aí, fica mais difícil”.

Ficha Técnica

Nome: Soberano - Seis Vezes São Paulo
Direção e roteiro: Maurício Arruda e Carlos Nader
Canções originais: Nando Reis
Duração: 90 minutos
Estreia nos cinemas: 17 de setembro
Classificação indicativa: Livre
Site oficial: www.filmesoberano.com.br

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