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Wallace Teixeira/Photocamera

O presidente do Fluminense, Peter Siemsen (d), foi eleito com grande ajuda da Flusócio

31/03/2011 - 07h12

'Invisível', Flusócio dita o ritmo na gestão do presidente Peter Siemsen

Marlos Bittencourt
No Rio de Janeiro

Após ser derrotado por Roberto Horcades (reeleito) na eleição para presidente do Fluminense, em 2007, Peter Siemsen, enfim, conseguiu chegar ao poder em novembro do ano passado. O apoio incondicional da principal corrente política que atua no clube, a Flusócio, o conduziu à cadeira de mandatário supremo das Laranjeiras.

INFLUÊNCIA DA FLUSÓCIO NA GESTÃO

Exoneração do vice de futebol Alcides Antunes
A nomeação de Fernando Simone para gerenciar Xerém, menina dos olhos do clube, no lugar de Bruno Costa e do ex-jogador Assis
A retirada do apoio à candidatura de Ademar Arraes à presidência de do conselho deliberativo, defendida por Peter Siemsen, para apoiar Braz Mazullo, que foi eleito
A Flusócio teve a palavra final na contratação, pelo menos verbal, do técnico Abel Braga
A Flusócio fez Peter Siemsen, que endossou as críticas de Muricy Ramalho ao clube, mudar o discurso e atacar o treinador
O veto ao nome do técnico Joel Santana, que tinha deixado o Botafogo um dia antes

Muitos devem perguntar o que é a Flusócio. A organização política nasceu em 2004 e, neste mesmo ano, lançou a candidatura frustrada de Gustavo Marins à presidência do Fluminense. A chapa não conseguiu aglutinar os 200 sócios necessários para oficializar a candidatura e teve de recuar. À época, apenas cerca de 30 tricolores integravam a corrente.

Segundo o site do grupo político, que não tem expediente e nem os nomes dos seus integrantes, a organização começou a ser construída “nas arquibancadas por um grupo de torcedores indignados com a maneira como o clube vinha sendo administrado nos últimos tempos”.

Sete anos depois, a Flusócio inchou, tem cerca de 300 integrantes, e se tornou a mais influente corrente política entre as cinco que atuam no clube. O principal instrumento de divulgação da organização é a internet, onde até vetos a treinadores já foram feitos, como no caso de Joel Santana, cujo artigo “Enderson + Abel”, de 23 de março, deixou clara a posição da organização.

O presidente Peter Siemsen chegou a ser acusado por Alcides Antunes, vice de futebol exonerado no último mês de março, de ser refém da Flusócio que, segundo o ex-dirigente, é quem realmente dá as cartas na política do clube. Um integrante da Flusócio, que pediu para não ser identificado, disse haver muita lenda em torno da organização.

OS VICES DO FLU NA GESTÃO DE PETER

Futebol: Vago e deve ser entregue a Sandro Lima (grupo de esportes olímpicos)
Projetos especiais: Eduardo Gouveia Vieira (cota de Peter Siemsen)
Relações institucionais: Alexey Dantas (Tricolor de Coração)
Planejamento estratégico: Flavio Viana (cota de Peter Siemsen)
Geral: Ricardo Martins (grupo dos esportes olímpicos)
Administrativo: José Mohamed (Ideal Tricolor)
Finanças: Marcelo Cheniaux (cota de Peter Siemsen)
Esportes olímpicos: Sandro Lima (grupo dos esportes olímpicos)
Interesses legais: Carlos Eduardo L. Cardoso (cota de Peter Siemsen)
Marketing: Hidel Halfen (Flusócio)
Médico: Sérgio Galvão (Flusócio)

“A Flusócio virou uma espécie de Geni (aquela da música de Chico Buarque que é apedrejada). Muitas coisas que acontecem no Fluminense são debitadas na conta da Flusócio. Criou-se um mito que não existe de fato, é só conversa nos corredores do clube”, disse.

Na divisão de poder no clube, a Flusócio aparenta não ter força. Das 11 vice-presidências, apenas duas pastas estão oficialmente nas mãos da Flusócio: a de marketing, chefiada por Idel Halfen, e a médica, sob a batuta de Sérgio Galvão. As outras nove foram fatiadas entre os outros quatro grupos, além das cotas pessoais de Peter, que ajudaram a elegê-lo.

Além da Flusócio, o poder estar dividido entre as correntes Ideal Tricolor, liderada pelo professor universitário Ivan Proença, a Democracia Tricolor, do presidente do conselho deliberativo, Braz Mazullo, a Tricolor de Coração, chefiada por Paulo Mozart, e o chamado Grupo Olímpico, cuja liderança é exercida por Ricardo Guimarães.

Na Flusócio não há hierarquia, mas alguns tricolores são muito influentes na organização: o economista Cláudio Maes, o vice-presidente do conselho deliberativo do clube, Rogério Félix, e Fernando Simone, atual gerente de Xerém, que cuida das categorias de base do Fluminense, são alguns dos integrantes do grupo, além, é claro, de Peter Siemsen.

O UOL Esporte tentou conversar oficialmente com os integrantes da Flusócio, Fábio Dib e Pedro Abad. O primeiro alegou não ter tempo, pois havia chegado de viagem e indicou o segundo. Pedro Abad, por razões profissionais, sugeriu uma entrevista por e-mail. A equipe enviou as perguntas, mas não houve resposta, nem pelo correio eletrônico nem por telefone.

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