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Bruno Cantini/Site do Atlético-MG

Giovanni vê benefícios na prática das artes marciais para seu rendimento no futebol

12/05/2011 - 07h00

Reserva no Atlético-MG, Giovanni se transforma em goleiro 'bom de briga'

Bernardo Lacerda
Em Vespasiano (MG)

Começou escondido, em uma academia pequena, em frente ao Centro de Treinamento do Marília, no interior de São Paulo, mas já dura sete anos e o goleiro Giovanni, reserva imediato de Renan Ribeiro no Atlético-MG, chegou à faixa marrom de Jiu-Jítsu e hoje divide o futebol com as lutas marciais. Ele pratica também Muay-Thai e planeja aprender Aikido.

BENEFÍCIOS DO JIU-JÍTSU EM CAMPO

  • Bruno Cantini/Site do Atlético-MG

    Giovanni considera que praticar artes marciais o ajuda a manter a calma e aprimorar os reflexos

“Onde eu jogava tinha uma academia, toda vez que passava na porta ficava olhando, teve uma vez que tive a oportunidade de assistir à aula, aí comecei a praticar escondido e, nesse momento, comecei a ter uma paixão”, disse Giovanni ao UOL Esporte, revelando o seu segundo esporte, depois do futebol.

Tudo se iniciou ainda na categoria de base do Marília, clube que revelou Giovanni para o futebol. À convite do mestre Garcia, o goleiro saía dos treinos no clube paulista, atravessava a rua e ia para a academia praticar Jiu-Jítsu. Porém, tinha de ser escondido, já que a diretoria e comissão técnica do seu time não permitiam.

“Depois de uns dois anos descobriram, mas o meu treinador começou até a assistir as aulas”, lembrou Giovanni, que à época era treinado por Wilson Carrasco, então técnico da base do Marília. Do Jiu-Jítsu, arte marcial japonesa, de auto defesa, utilizada pelos Samurais, o goleiro atleticano passou a treinar Muay-Thai, luta tailandesa, criada para defesa pelos guerreiros daquele país. Apesar de não se graduar nesta modalidade, Giovanni a treinou por mais de quatro anos.

“Gostei, tive convite do mestre Garcia, ele sempre me chamava, fui lá, gostei, o ambiente era legal, bom, e me apaixonei pelo esporte. Hoje, quando vejo uma academia sempre olho para tentar praticar. O Jiu-Jitsu e o Muay-Thai fazem parte da minha vida”, comentou Giovanni.

Apesar das horas de práticas e da paixão pela luta, Giovanni nunca chegou a disputar uma competição. Segundo ele, por falta de apoio do Marília, que não permitiu. “Cheguei a me inscrever em um, mas tive de retirar o nome, pois a diretoria do Marília não gostou”, destacou.

Encarada com certa desconfiança pela equipe paulista, a prática de artes marciais começou a lhe trazer benefícios no futebol. De acordo com Giovanni, a luta o ajuda dentro de campo com características como tranquilidade, reflexo, calma e dinamismo, entre outros aspectos. “Graças a Deus só me ajudou, a partir do momento que comecei a fazer me ajudou dentro de campo, consegui dominar o nervosismo, só me ajudou em termos de reflexo, atitudes, em tudo”, salientou Giovanni.

DORIVAL APROVA AS LUTAS DE GIOVANNI

O técnico Dorival Júnior não vê problema no fato de o goleiro atleticano praticar outro esporte e afirma ser comum atletas buscarem em outras modalidades algum tipo de atividade. ?Não vejo problema nenhum, tem atletas que fazem dança, tem atletas que fazem tênis, fazem inúmeras atividades?, disse.
?É apenas uma forma de proteção, ele trabalha fisicamente, mas de uma maneira bem dirigida, bem técnica, não vejo problema algum?, acrescentou o treinador atleticano, Dorival Júnior. A arte marcial é apontada por Giovanni como o fator determinante para a sua tranquilidade e bom comportamento dentro e fora de campo.
O técnico Dorival Júnior reconhece que o goleiro mostra essas características no dia a dia. ?Existe a liberação de tudo o que está armazenado, vejo ele calmo, não tem problema algum, ruim é para nós que não fazemos nada, este é o problema?, brincou Dorival Júnior.

O goleiro, que defendeu o Grêmio Prudente, no Brasileiro do ano passado, chegou ao Atlético-MG no começo desta temporada, explica que não deixa de praticar as lutas, mas por falta de academia não vem treinando diariamente. “Hoje, pratico, não diariamente como antes, mas duas vezes por semana, procuro fazer alguma coisa. Aqui em BH não achei uma academia legal ainda”, explicou.

Uma das maneiras de “praticar” o esporte, segundo ele, é ensinando os companheiros de Atlético. Giovanni conta que alguns jogadores pedem para que ele ensine alguns golpes. “Sempre ficam vendo estes esportes, pedem para eu ensinar um pouco, me perguntam como faz um Americana, um Catagatami”, conta Giovanni, citando alguns golpes.

O ‘professor’ Giovanni se mostra exigente e vê dificuldade em seus alunos no aprendizado de alguns golpes. “Eles demoram um pouco para pegar, mas toda hora me chamam e pedem para mostrar”, comentou o goleiro, elogiando a persistência dos companheiros.

Dizendo-se tranquilo e pacato, Giovanni garante que foge das brigas, mas admite que utilizou os aprendizados das artes marciais uma vez em campo, ainda na época que atuava nas categorias de base do Marília. “Antes de fazer eu me achava o bonzão, queria brigar com todo mundo, depois que comecei a fazer não briguei mais, apenas uma vez dentro de campo, tive de brigar, estava em uma época boa na academia, teve uma briga generalizada entre Marília e Noroeste, um clássico do interior, Sub-20”, lembrou.

“Estava apartando a briga, onde segurança, sócio torcedor pulou em campo para bater na gente, do meu time quase todo mudo apanhou, eu só bati. Mandei um cara para o hospital, queria me bater, não tive como, tirei o pessoal de campo. Não aconselho brigar dentro de campo, não é legal, no esporte tem de ser praticado dentro da modalidade e não fora”, garantiu.

O goleiro atleticano afirma que pensa em praticar, agora em Belo Horizonte, a terceira modalidade de autodefesa. “Fiz um pouco de Aikido, mas é difícil de achar uma academia legal, mas se eu for fazer uma outra modalidade será essa, estou procurando um lugar legal para praticar”, revelou Giovanni.

GOLEIRO SE DIZ 'CONTENTE' NO ATLÉTICO. APESAR DA CONDIÇÃO DE RESERVA

  • Bruno Cantini/Site do Atlético-MG

    Goleiro Giovanni foi homenageado pelo lateral-direito Patric, na vitória do Atlético-MG sobre o Cruzeiro, por 2 a 1, domingo passado, quando marcou o 2º gol da equipe na Arena do Jacaré

Apesar de ser reserva e ainda não ter tido brecha para atuar, já que o titular, Renan Ribeiro jogou em todas as partidas oficiais do ano, o goleiro afirma estar feliz em vestir a camisa atleticana, mesmo ficando no banco de reservas. No domingo passado, na vitória sobre o Cruzeiro, por 2 a 1, no primeiro jogo da final, ao comemorar seu gol, o lateral-direito Patric, correu na direção do goleiro suplente e o abraçou.

“Estou contente sim, diferente de outros clubes aqui a gente está brigando por título, a estrutura é muito boa, a oportunidade vai aparecer, tem de trabalhar forte. O Barbiroto (treinador de goleiros) tem todo os méritos, ele quem passa as dicas, então, quando a gente trabalha forte as coisas acontecem”, salientou Giovanni.

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