UOL Esporte Futebol
 
18/05/2011 - 13h30

Deputado faz projeto de lei para limitar "estrangeiros" na seleção a apenas 10%

Gustavo Franceschini
Em São Paulo
  • Kaká (à direita) seria um dos atingidos pela lei proposta na Câmara, que reduz espaço na seleção

    Kaká (à direita) seria um dos atingidos pela lei proposta na Câmara, que reduz espaço na seleção

O deputado federal Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara, quer que a seleção brasileira volte a ter apenas jogadores que atuam no Brasil. Ou quase isso. O parlamentar de Goiás apresentou, na semana passada, um projeto de lei que exige que todas as seleções profissionais do Brasil sejam formadas basicamente por atletas não estejam no exterior, limitando os estrangeiros a, no máximo, 10%.

“Acho que a sociedade pretende isso. O futebol representa uma comoção popular. Às vezes, a seleção é 100% estrangeira, com jogadores que não tem nem conhecimento da cultura brasileira. É uma vergonha”, disse Jovair Arantes, em entrevista ao UOL Esporte.

Na última Copa do Mundo, apenas três dos 23 convocados por Dunga estavam atuando no Brasil: Gilberto, do Cruzeiro; Kleberson, do Flamengo, e Robinho, do Santos. O número representa apenas 13% do total elenco, bem abaixo do que espera o deputado. 

A ideia do parlamentar ainda é muito incipiente. Ela foi apresentada, terá de passar pelas comissões específicas, ser submetida a audiências públicas para, então, chegar à votação no plenário. O próprio deputado acredita que o processo para uma possível aprovação deve superar um ano de espera.

Mesmo assim, Jovair mostra confiança. O deputado diz que a ideia foi aprovada pelos seus pares em conversas informais. Conselheiro do Atlético-GO, o parlamentar diz que também tem pesquisas que mostram que a população aprova a proposta. Na hora de dar exemplos, no entanto, ele patina em erros futebolísticos.

“Quando sai uma convocação, vem Gomes, que joga não sei aonde, Julio Cesar, que joga não sei aonde e Euller, enquanto o Rogério Ceni, que é um baita jogador, não foi convocado por discriminação absoluta”, disse o deputado, citando três goleiros e o atacante Euller, que não é lembrado pela seleção brasileira há mais de dez anos.

“A grande prova disso foi o Afrânio, da Dinamarca [referindo-se a Afonso Alves, convocado por Dunga quando atuava na Holanda]. Na última tinha um não sei o quê Luiz [lembrando David Luiz, zagueiro do Chelsea]”, emendou Arantes, que foi mais além ao lembrar do meia Ramires, ex-Cruzeiro e hoje no Chelsea.

“O Benitez só foi chamado quando foi jogar lá fora”, completou.

O deputado até admite fazer concessões em sua proposta inicial, mas nada muito drástico. “Nosso projeto é de que ele tem de estar jogando nos últimos seis meses. Coloquei 90%, sei que é um pouco rígido. Pode ser 80%, que é um meio-termo. Em 24 convocados, não temos mais do que cinco ou seis supercraques lá fora. Esses 20% daqui é para convocar estrela. Isso vai aproximar a seleção da torcida”, disse o parlamentar.

Jovair Arantes diz não temer represálias da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), principal prejudicada caso a proposta avance. O líder do PTB entende que a proposta não atrapalha o atual momento do futebol brasileiro, ao contrário de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CBF.

“Não assinei [a proposta de CPI feita pelo deputado Anthony Garotinho] e acho que ela é intempestiva. Essa sim pode prejudicar o futebol brasileiro. Estamos às portas da Copa de 2014. Causar um problema de tal envergadura pode comprometer inclusive o Brasil”, concluiu.
 

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