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Ricardo Teixeira participa de assembléia e pode deixar a presidência da CBF

Ricardo Teixeira participa de assembléia e pode deixar a presidência da CBF

29/02/2012 - 06h00

Envoltos por irregularidades, presidentes de federações decidem futuro de Teixeira na CBF

Gustavo Franceschini e Vinicius Konchinski
Do UOL, em São Paulo

A CBF realiza nesta quarta-feira, às 14h, uma assembleia extraordinária que reunirá os 27 presidentes das federações estaduais. O encontro que ocorrerá no Rio de Janeiro deve definir o futuro de Ricardo Teixeira, que tem sofrido forte pressão para deixar o comando da entidade que preside devido a uma série de denúncias de corrupção.

Boa parte dos presidentes das federações, porém, não chega com muita credibilidade para cobrar lisura do mandatário da CBF. Além de manter forte ligação com Teixeira, a maioria dos dirigentes enfrenta ou já enfrentou acusações de corrupção e outros desvios administrativos.

Na lista de acusações estão desde denúncias dos tempos da CPI que devassou as contas da CBF até uma suposta adulteração de documentos de Liedson, hoje no Corinthians. A longevidade de alguns cartolas também é notável. Zeca Xaud, de Roraima, por exemplo, comanda a federação de seu estado desde 1974. 

De acordo com convocação feita pela CBF, a assembleia desta quarta-feira será realizada para “discutir e deliberar sobre reforma parcial do Estatuto” da entidade. Para aprovar qualquer mudança, é preciso dois terços dos votos dos presentes.

O UOL Esporte, assim como seu site parceiro Trivela (leia aqui), fizeram um levantamento dos cartolas que decidirão o futuro de Teixeira. Confira:

CONHEÇA OS 27 PRESIDENTES DE FEDERAÇÕES QUE VOTARÃO NESTA QUARTA

Gustavo Dantas Feijó (Alagoas)
Presidente da federação desde 2007. Em 2010, ele foi preso por desacato após ter um veículo apreendido por suposta boca de urna. Em entrevista ao UOL Esporte, Gustavo se defendeu dizendo ter sido vítima de uma armação. Ele apoiava o candidato do Renan Calheiros em Boca da Mata, na grande Maceió. Ele diz inclusive que os carros foram parados por documentação irregular, e não por boca de urna. Mas admite ter passado a noite na prisão para explicar a situação.
Roberto Goes (Amapá)
Presidente da Federação Amapaense desde 2004 e também prefeito de Macapá. Em dezembro de 2010, foi preso na sede da PF em Brasília, acusado de destruir e ocultar provas da operação Mãos Limpas, deflagrada dois meses antes. Ficou detido até fevereiro de 2011, quando retornou à prefeitura de Macapá sob protestos da oposição. Como está sempre ocupado com os trabalhos na Prefeitura, quem toca a federação, na prática, é Paulo Rodrigues, seu vice-presidente.
Dissica Valério Thomaz (Amazonas)
Está há mais de 20 anos na presidência. Foi acusado pelo Ministério Público local de cometer irregularidade nas eleições e de problemas com a Previdência Social. Por isso, em 2009, a Justiça nomeou um interventor para a federação. Só que o interventor escolhido para a função foi justamente Dissica Valério. Em dezembro de 2010, ele foi destituído do cargo pela Justiça, mas voltou ao poder 14 dias depois por decisão do desembargador Arnaldo Carpinteiro Peres.
Ednaldo Rodrigues (Bahia)
Presidente desde 2001. Foi denunciado pelo Ministério Público Baiano em 2009 por ter adulterado o documento de Liedson para forjar uma suposta passagem pelo Poções de 1993 a 2000 (Liedson esteve na Liga Valenciana de Futebol de 1995 a 1999). Com a fraude, ele garantiria ao Poções uma renda por ser um suposto clube formador. O processo contra Rodrigues aguarda julgamento no Tribunal de Justiça da Bahia. Na primeira instância, ele foi absolvido.
Francisco Cesário (Mato Grosso do Sul)
O presidente da Federação Sul-Matogrossense foi condenado em primeira instância em 2009 a dois anos de prisão por desvio de verba pública destinada à entidade. Recorreu e conseguiu anular sua condenação na segunda instância. O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul entendeu a prazo para punição prescreveu por demora na investigação do caso.
Cesarino Oliveira (Piauí)
Foi o pivô de um grande imbróglio na Federação Piauiense, que passou por duas eleições polêmicas no último ano e foi comandada no período por um interventor da CBF. Confusões no último pleito provocaram o pedido de desfiliação de 11 clubes e Oliveira acabou eleito por apenas cinco equipes que restaram na entidade. Teve seu mandato reconhecido pela CBF na última segunda, após telefonema de Ricardo Teixeira.
Miguel Alfredo (Distrito Federal)
A Federação Brasiliense era comandada por Fábio Simão e Paulo Cesar Araujo, que se envolveram no escândalo do mensalão do Arruda. A gestão da dupla tem dois processos contra si, e a Justiça decidiu afastar toda a diretoria por conta das acusações de irregularidades. Neste ano, a entidade passou a ser comandada por Miguel Alfredo, administrador provisório indicado pela Justiça. As contas da FBF estão bloqueadas. Ela vive de arrendamento de estádios e não recebe a “mesada” da CBF
Marco Polo Del Nero (São Paulo)
Assumiu a Federação Paulista em 2003, prometendo modernização após o 'reinado' de José Eduardo Farah. Cumpriu suspensão de 90 dias e risco de banimento pelo 'Caso Tardelli', quando levantou suspeita de suborno a árbitro na rodada final do Brasileirão de 2008. Absolvido após cumprir o prazo, voltou ao poder e mantém relação estreita com Ricardo Teixeira.
Rubens Lopes
Assumiu o comando da Federação em 2006, com a morte do então presidente Eduardo Viana, conhecido como 'Caixa D'Água'. Ex-dirigente do Bangu, estaria participando de articulações para novas eleições na CBF se Ricardo Teixeira deixar o cargo.
Francisco Noveletto (Rio Grande do Sul)
No comando da Federação Gaúcha desde 2004, seria um dos articuladores de novas eleições para a presidência da CBF em caso de renúncia de Ricardo Teixeira. Empresário do ramo fonográfico, permanecerá à frente do futebol do Rio Grande do Sul até o fim da Copa do Mundo de 2014. Conselheiro do Internacional, tem um estádio com seu nome na cidade de Canoas.
Antônio Aquino Lopes (Acre)
Dirigente comanda a Federação desde 1988, com oito mandatos consecutivos. Advogado, deu seu nome ao estádio Florestão.
Carlos Orione (Mato Grosso)
É o segundo presidente de federação há mais tempo no poder. Com 75 anos de idade, comanda a entidade matogrossense há 31 anos.
Mauro Carmélio (Ceará)
Comanda a Federação Cearense desde junho de 2009. É advogado com especialização em direito esportivo e já trabalhou como assessor jurídico e vice-presidente da entidade.
André Pitta (Goiás)
Assumiu a presidência da Federação Goiana em 2007, após exercer outras funções na entidade. Aliado fiel de Ricardo Teixeira, não se manifestou sobre a possibilidade de eleições na CBF.
Rosilene de Araújo Gomes (Paraíba)
Primeira mulher a presidir uma federação de futebol, está no poder desde 1989. Conhecida como "Dama de ferro" do esporte local, enfrentou acusações de nepotismo e desvios de verbas. Foi investigada pela CPI CBF-Nike em 2001, onde admitiu favorecimento à sua família na entidade. Recentemente enfrentou manifestações para que fosse destituída da função, mas permaneceu no cargo.
Marcus Vicente (Espírito Santo)
Presidente da Federação Capixaba desde 1994. Ex-deputado federal, é cotado para ser o candidato do Partido Progressista (PP) à prefeitura de Serra. Foi investigado pela CPI do futebol em 2000 por irregularidades em sua gestão e acusado de desvio de verbas da Federação
Heitor Costa (Rondônia)
É o único presidente da história da Federação Rondoniense. Assumiu o cargo em 1989 e tem comandado a entidade desde então. Feroz defensor de Ricardo Teixeira, já chefiou delegações da seleção em diversas oportunidades.
Zeca Xaud (Roraima)
Preside a Federação Roraimense desde sua criação em 1974. Atualmente está em sua 11ª reeleição de uma entidade que organiza um campeonato estadual com apenas quatro equipes participantes.
Antônio Américo (Maranhão)
Comanda a Federação Maranhense desde 2011, quando foi nomeado interventor após afastamento do então presidente Alberto Ferreira, e permaneceu à frente da entidade ao vencer eleição convocada pelos clubes. É advogado e já atuou como presidente do TJD-MA.
Paulo Schettino (Minas Gerais)
Preside a Federação Mineira desde 2004 e já conseguiu ampliar seu mandato até a Copa do Mundo de 2014, apesar das críticas feitas por equipes do interior. Assumiu o cargo após saída de Elmer Guilherme, acusado de corrupção, e foi alvo de investigação pelo sumiço de R$ 1 milhão dos cofres da entidade, que estavam sendo guardados fora do banco para evitar que fossem confiscados, por conta das dívidas da FMF. O MP entendeu que não havia problema e inocentou a gestão de Schettino. Aliado de Marco Polo Del Nero, deve apoiar uma possível candidatura do paulista caso haja mudanças na CBF.
José Vanildo da Silva (Rio Grande do Norte)
Presidente da Federação potiguar desde 2007, quando o então mandatário Alexandre Cavalcanti deixou o cargo por motivos de saúde. Chegou a alfinetar o governo estadual sobre a participação na Copa do Mundo. Hoje é secretário adjunto da secretaria local para assuntos do Mundial.
Hélio Cury (Paraná)
Substituto de Onaireves Moura, que ficou 22 anos no poder, assumiu o cargo em 2007 e já acertou sua permanência à frente da Federação Paranaense até 2022. Tem forte apoio das Ligas Amadoras e ficou conhecido por tomar medidas polêmicas, como obrigar o Coritiba a ceder o Couto Pereira por preço irrisório ao Atlético-PR durante a reforma da Arena da Baixada para a Copa de 2014.
Evandro Carvalho (Pernambuco)
Assumiu a presidência da Federação Pernambucana em 2011, após o falecimento de Carlos Alberto Gomes de Oliveira, que comandava a entidade havia 16 anos. Ex-opositor de Teixeira, mudou de lado e representou o presidente da CBF na última eleição da Fifa.
Delmir Peixoto (Santa Catarina)
Ex-deputado estadual, é presidente da Federação Catarinense há 27 anos e pretende se candidatar a uma nova reeleição em 2015. No ano passado seu filho agrediu um narrador no estádio.
Antônio Carlos Nunes de Lima (Pará)
Ex-secretário de segurança pública do Estado do Pará, é conhecido como "Coronel Nunes". Após dirigir a Federação local entre 1982 e 1987, reassumiu o cargo em 1994 e tem comandado a entidade desde então, com cinco reeleições ao posto. Foi chefe da delegação brasileira na Copa das Confederações de 2009, quando falou mal da África do Sul e foi censurado pela CBF.
José Carivaldo de Souza (Sergipe)
Dirige a Federação Sergipana desde 1990. Em 2008 foi indiciado pelo Ministério Público por problemas em sua gestão como prefeito de Macambira, cidade que atualmente é administrada por seu filho.
Leomar Quintanilha (Tocantins)
Senador por Tocantins desde 1995, era um dos principais representantes da “Bancada da Bola” na CPI do Futebol. Foi indiciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha em 2005.

 

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