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Palmeiras surpreende e lidera lista de faturamento com patrocínio em 2011

Leonardo Soares/UOL
Troca de montadoras, da italiana Fiat pela sul-coreana Kia, levou Palmeiras ao 1º lugar Imagem: Leonardo Soares/UOL

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

2012-06-28T14:00:00

28/06/2012 14h00

Responda rápido: qual time brasileiro recebeu mais dinheiro em patrocínio em 2011? A resposta para essa pergunta vai surpreender muita gente. Nada de Corinthians e suas ações de marketing, Santos e seus craques ou Flamengo e sua torcida. O primeiro colocado no ranking de patrocínios no futebol nacional é o Palmeiras, que recebeu, no ano passado, R$ 44,6 milhões. No total, os clubes faturaram R$ 472 milhões em acordos de publicidade e patrocínio.

RANKING DO PATROCÍNIO NO BRASIL

 20072011
Palmeiras9,544,6
Corinthians19,144,4
Flamengo16,743,9
Santos11,042
São Paulo19,630,6
Internacional10,830,2
Vasco da Gama-23,3
Grêmio9,320,8
Cruzeiro8,820,5
São Caetano10,619,4
Atlético-MG5,818,2
Fluminense6,415,8
  • * Em milhões de reais **Vasco não divulgou dados em 2007

“A liderança do Palmeiras realmente é uma surpresa. Nos últimos anos, essa posição era do Corinthians. Como essa análise é baseada em balanços, não temos como saber exatamente o que causou o crescimento, mas deve ser fruto de novos acordos, com valores altos”, explica Amir Somoggi, da BDO, empresa de consultoria que fez o levantamento.

O espanto tem origem na evolução dos acordos palmeirenses. Em cinco anos, os contratos foram de R$ 9,5 milhões para o patamar atual, em uma evolução de 368%.  Os números do segundo colocado, o Corinthians, não subiram tanto. Em 2007, o time do Parque São Jorge recebia R$ 19,1 milhões contra os R$ 44,4 milhões atuais.

O terceiro da lista é o Flamengo, com R$ 43,9 mi (R$ 16,7 mi em 2007), e o Santos, o quarto, com R$ 42 mi – aumento de 281% em relação aos R$ 11 milhões de 2007. Os quatro clubes são os únicos a superar os R$ 40 milhões. Depois deles, o melhor é o São Paulo, com R$ 30,6 mi.

Apesar dos números serem altos e mostrarem evolução, o mercado de patrocínio do Brasil está perto da estagnação nos moldes atuais. O crescimento de 2011 foi de 22%, menor do que os 30% de 2010, que, por sua vez, já foi menor do que os 38% de 2009. As maiores taxas de crescimento foram registradas em 2005, quando essa fonte apresentou evolução de 65%.

OS CASOS SÃO CAETANO E FLUMINENSE

Rubens Cavallari/Folhapresse Photocamera

Percebeu algo estranho nessa lista? O São Caetano, que está na segunda divisão, aparece com o décimo colocado. Já o Fluminense, que tem um dos elencos mais caros do país, é apenas o 12º. “Há anos o São Caetano tem um contrato altíssimo de patrocínio, completamente fora da realidade de um clube pequeno, sem torcida, sem mídia. Quanto ao Fluminense, acredito que uma parte do valor da Unimed (patrocinadora de camisa) deva estar, sim, junto com a Adidas, mas infelizmente não explicam nada no balanço. Pelo que sei, a Unimed paga um valor altíssimo em salários ou direitos de imagem para os atletas e esse valor não aparece no balanço do clube”, diz Amir.

E o maior exemplo dessa fase são três dos maiores clubes do país. Corinthians, Flamengo e São Paulo, respectivamente números 2, 3 e 5 da lista, estão sem patrocinadores de camisa. “Os valores dos patrocínios cresceram muito e, nesse momento, os patrocinadores podem estar reavaliando se isso vale a pena. A pergunta é essa. Acho que R$ 20 mi ou R$ 25 mi são aceitáveis, mas Corinthians, Flamengo e São Paulo querem R$ 35 milhões ou mais. Nem todas as empresas tem verba para isso e o retorno que elas recebem pelo patrocínio é discutível”, analisa Somoggi.

Como comparação, o Real Madrid recebe R$ 140 milhões em acordos desse tipo, mas nem todos aparecem na camisa do clube. “Os valores no Brasil cresceram, mas a entrega ainda não. Na Europa, os valores são muito mais altos, e os números do Real mostram isso, mas o que os clubes entregam aos patrocinadores é muito maior do que só a exposição na TV”, continua.

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