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"Boy da Mooca", Edu Marangon se cansa de ser xingado como técnico e conta surra dada pelo pai

Edu Marangon quando comandou o Juventus, em 2006 - Almeida Rocha / Folha Imagem
Edu Marangon quando comandou o Juventus, em 2006 Imagem: Almeida Rocha / Folha Imagem

José Ricardo Leite

Do UOL, em São Paulo

27/09/2012 06h00

Após mais de dez anos de atuação como treinador entre times profissionais e categorias de base, o ex-jogador Edu Marangon, 49 anos, decidiu dar um tempo na profissão para uma reflexão de se vale a pena continuar.

O ex-meia de Palmeiras, Santos, Portuguesa e Flamengo, entre outros, conhecido como “Boy da Mooca" nos tempos de atleta, se disse decepcionado com algumas situações do futebol e agora se dedica a um negócio particular: conduzir uma empresa de marketing esportivo que tem em parceria com sua esposa.

“Eu já tinha a ideia de formar uma empresa. Minha mulher é formada em marketing e já trabalhava no meio. Há um bom tempo pensávamos e decidimos entrar nesse ramo. Como ela já era do ramo, ficou mais fácil. Eu tinha experiência na parte esportiva. Resolvemos dar uma alavancada nesse negócio e partir pra cima. E paralelo a isso, esse negócio de treinador me deixou meio decepcionado com algumas coisas que aconteciam e que estavam se sucedendo”, falou Marangon ao UOL Esporte.
 

Edu conta que entre os principais problemas estão a pressão por resultados, falta de boas condições para trabalhar e até mesmo o fato de não receber salários em alguns clubes. “Consegui dois títulos, da A-2 com Juventus e Taça São Paulo com Portuguesa. Mas mesmo assim, enfrentamos situação de baita dificuldade pra receber. Tem clubes que me devem bastante dinheiro. Não vou reaver mais. E esse negócio de colocar na Justiça é complicado, aí dificulta pra trabalhar em outro lugar”, falou.

“AÍ você vai batendo cabeça e coloca em xeque o que fez pelo futebol .Aí falei ´quer saber: vou dar um tempo´. Tinha dado um prazo até o final desse ano para a carreira de treinador. Ainda não estou com certeza de voltar a treinador. Posso voltar a fazer parte em outra função. Estou preparado para fazer outras coisas também, como ser gerente, por exemplo”, continuou.

VESTIDO COMO BOY DA MOOCA

  • Edu com óculos escuros e camisa aberta; o que lhe rendeu apelido dado por Osmar Santos

Edu ainda usou uma frase forte para definir a função de treinador ao destacar os xingamentos que ouve a pressão que tem. “Você tem que ganhar na quarta e no domingo, e se não vira burro. A situação é assim: minha mãe é p... e eu sou burro e não recebo.”

Boy da Mooca

Edu foi conhecido nos tempos de atleta como Boy da Mooca em apelido dado pelo ex-radialista Osmar Santos depois que o jogador apareceu para uma entrevista com carro moderno, óculos escuro e camisa aberta, estilo que era parecido com um personagem de uma música da banda Joelho de Porco.

“Eu fui para um programa dele e cheguei de carrão, camisa aberta, óculos e ouvindo rock. Quando o Osmar me viu, ele falou :´só falta você ser da Mooca´. E quando eu falei que era, ele disse ´então você é o Boy da Mooca´. Falou no rádio e o apelido pegou”, contou.

“Muita gente me conhece como Boy da Mooca. Se fosse hoje, eu patentearia a marca. Mas antes não existia esse marketing todo. Se fosse hoje, com marketing, eu ia patentear ganharia dinheiro pra caramba. Tudo que o Osmar falava virava onda”, contou.

Surra de vassoura do pai

Apesar de ter o apelido de “Boy”, Edu disse que nunca foi de balada e extravagâncias. Sempre foi um cara muito família. Lembra que só foi sair para um baile, pela primeira vez, aos 19 anos, quando ainda era um jogador júnior.

Pediu para o pai deixá-lo ir em um baile no Juventus, e, surpreendentemente, houve a liberação. Mas desde que chegasse meia noite. Mas ele chegou aproximadamente 3h da manhã. O que rendeu uma surra de vassoura do pai.

“Quando eu vi que estava atrasado, saí correndo do baile pra casa tão rápido que nem o Usain Bolt me pegava. Mas não adiantou. Quando cheguei lá, meu pai estava com uma vassoura para me bater. Ele me dava vassourada e procurava bater na minha perna esquerda [a sua boa]. Ele gritava ´é assim que você quer ser um jogador profissional´?”, falou.

“Foi a melhor surra que eu já levei. Depois me senti muito bem e dei razão a ele. Eu queria ser um jogador profissional e tinha que agir como tal. Aquilo me ajudou muito. Nunca fui de balada, nada. Depois daquilo, nunca mais”, continuou.

Edu, mesmo quando ainda jogava profissionalmente, conseguiu se formar em economia. Tudo pela exigência da família. “Foi meio nas coxas, né? Jogando como profissional e estudando. Mas era uma exigência dos meus pais de que eu tinha que jogar e estudar também.”

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