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Famoso por jogar com até 115kg, ex-goleiro ajuda atletas e relembra combates com Palmeiras

Divulgação/Facebook
Juca Baleia (dir.) ainda atua em peladas no Maranhão, onde é presidente da AGAP local Imagem: Divulgação/Facebook

José Ricardo Leite

Do UOL, em São Paulo

2013-01-18T06:00:00

18/01/2013 06h00

Um dos personagens mais folclóricos do futebol do Maranhão, o ex-goleiro Juvenal Marinho, mais conhecido como Juca Baleia, coloca em prática atualmente uma das coisas que mais queria após encerrar a carreira: ajudar os jogadores e ex-atletas.

Juca, famoso por atuar profissionalmente com mais de 100 kg e muitas gorduras, é atualmente presidente da AGAP (Associações de Garantia ao Atleta Profissional) do estado do Maranhão. Assumiu o cargo em 2010 e terminará seu mandato em 2014.

A entidade é vinculada à Faap (Federação das Associações de Atletas Profissionais), com sede em Brasília, e destina recursos para ajudar pessoas do esporte de diferentes maneiras, desde medicação e cesta básica a auxílio nos estudos.

“Nós auxiliamos atletas com bolsa de estudos e cursos profissionalizantes e damos ajuda aos desempregados. Damos, por exemplo, cesta básica de quatro meses quando o atleta do estado não tem trabalho. Ajudamos alguns atletas a se formarem”, explicou o ex-goleiro.

“Decidi ajudar dessa maneira porque a classe não tinha representatividade na época de jogador. Não tínhamos tempo para correr atrás. E assim decidi entrar nessa luta. Faço muito trabalho no lado social. Uso das amizades e dos contatos pelo AGAP”, continuou.

Juca conta que por conta de sua popularidade no Maranhão e trabalho na área social já recebeu diversos convites para adentrar à política. Mas se recusa por ter medo de uma decepção.

O GOLEIRO GORDO

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    Juca Baleia nos tempos de Sampaio Corrêa


“Todo ano eu recebo convite. Tenho medo de me decepcionar, como me decepcionei algumas vezes por ajudar quem é eleito e, depois de eleito, a pessoa não toma nem conhecimento de você mais. Não quero cair em um sistema e decepcionar meus amigos, um sistema que eu não acredito.”

Carreira

Juca Baleia encerrou a carreira em 1994. Jogou apenas no futebol maranhense, no Moto Clube, Maranhão Atletico Clube, Expressinho e Sampaio Corrêa. Foi tricampeão estadual. Ganhou destaque nacional depois de boas apresentações na Copa do Brasil contra o estrelado time do Palmeiras, do início da era Parmalat, no ano de 1992.

O Sampaio Corrêa perdeu por 1 a 0 em casa e 4 a 0 em São Paulo. Parou na primeira fase, mas as atuações de Juca tiveram repercussão e elogios de jogadores do time alviverde.
Poucos anos depois, pendurou as chuteiras. Ele conta que chegou a jogar até com 115 kg. E quando jogou “magro”, com 85 kg, foi aí que viveu sua pior fase no futebol.

“Cheguei a jogar com até 115 kg. E em uma passagem minha pelo Maranhão, tive de fazer uma dieta e perder 20 kg. Foi a minha pior fase. Não sei se era porque já me havia me acostumado a jogar gordo, mas ficava com mais medo de sair do gol. Antes eu estava sempre melhor colocado”, falou. “Não pegava mais nada. Todo mundo falava que eu não era mais aquele. Depois, ganhei uns quilinhos e voltei ao normal”, continuou.

“Eu não tive grandes oportunidades porque só apareci quando estava no final de carreira, em 1991, 1992, contra o Palmeiras. Aí tinha mídia nacional e todos me olharam. Mas minha idade já era alta.”

Juca, que ganhou o apelido de Baleia por conta do filme “Moby Dick”, conta que ex-treinadores chegaram a trazer goleiros magros para as equipe onde atuava. Mas nem assim deixou de perder a posição de titular.

“Teve treinador que chegou e não me conhecia. Eu olhava no semblante dos caras e pensava 'vou ficar mais um mês, no máximo, por aqui'. Teve caras que trouxeram outros goleiros que terminaram na reserva. Eu me destacava e os técnicos ficavam receosos de mudar”, falou.

Ele lembra que já surpreendeu muitos adversários com sua elasticidade, mesmo com tanto peso. “Quando os caras viam, não acreditavam. Falavam que eu driblei a lei da Fifa. O Roberto Dinamite uma vez perguntou: 'como você joga com esse corpo?'. Mas essas coisas nunca me incomodaram. Só me motivavam”, finalizou.

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