Topo

Futebol


Brasileiro de lendário Real diz que time foi bem melhor que o Barcelona de Messi e nega boicote a Didi

Arquivo pessoal
Mítico time do Real Madrid, de Puskas e Di Stefano, pentacampeão da Liga dos Campeões Imagem: Arquivo pessoal

José Ricardo Leite

Do UOL, em São Paulo

2013-01-19T00:06:00

19/01/2013 00h06

Darcy Silveira dos Santos foi revelado pelo Olaria e se destacou no futebol carioca como um ponta direita rápido e que infernizava os rivais. Na  década de 50, fez parte de um dos melhores times do América-RJ, onde jogou por quase seis anos.

Foi cobiçado em várias oportunidades pelos grandes clubes do Rio, principalmente o Flamengo. Mas a equipe vermelha fazia jogo duro. Até que em 1959 o Real Madrid precisava de um ponta direita e chegou com um dinheiro que o América-RJ não pôde resistir.

CANÁRIO HOJE E ONTEM

  • Arquivo pessoal

    Canário hoje vive em Zaragoza, na Espanha, e visita familiares no Brasil periodicamente. O ex-jogador fez carreira na Espanha e por lá ficou

  • Arquivo pessoal

    Canário com a camisa do Real Madrid; brasileiro venceu duas Ligas dos Campeões pela equipe

Darcy, conhecido no futebol como Canário, então chegou até a capital espanhola e atuou no clube merengue por três anos.

Fez parte de um esquadrão classificado por muitos como o melhor de todos os tempos: o Real Madrid do final da década de 50 e início da 60, que tinha nada mais nada menos do que nomes como Puskas, Di Stefano, Gento e Del Sol.

Essa equipe conquistou cinco vezes seguidas o título da Liga dos Campeões da Europa. No período em que esteve lá, Canário venceu duas vezes o torneio mais importante do continente, como titular absoluto do estrelado time. Foi o primeiro atleta do país a ganhar a competição europeia.

Depois, continuou carreira apenas no futebol espanhol. Jogou por Sevilla, Mallorca e Zaragoza, time da cidade onde vive até hoje.  Depois que encerrou a carreira, em 1969, Canário ainda tentou se aventurar no ramo comercial ao abrir uma cafeteria. Hoje, já está aposentado  e vive em Zaragoza com a família.

“Quando parei, cheguei a abrir uma cafeteria e treinar o infantil do Zaragoza. Mas hoje só me dedico à família e ver jogos do Zaragoza. Fico no palco presidencial quando vou e levo quem eu quero. Sou muito querido na cidade”, contou ao UOL Esporte.

A participação no mítico time do Real Madrid faz o ex-jogador ter um amplo respeito no time merengue. Conta que até hoje recebe inúmeros convites para homenagens em Madri e já foi chamado até para uma caravana que acompanhou ao vivo o último título da equipe na Liga dos Campeões, em 2002.

“Até hoje em dia o Real me convida pras muitas coisas.Todo mês de dezembro eles me mandam cartão de felicidade de natal e organizam uma assembleia para reencontros dos jogadores veteranos do Real Madrid. Eles têm muita consideração com a gente. Quando tem alguma coisa, sempre me chamam. Em 2002 me convidaram pra assistir aquela final. O Real Madrid é um time maravilhoso.”

Canário diz ser comum na Espanha a comparação entre o histórico Real Madrid em que atuou e ganhou cinco Ligas com o atual Barcelona de Lionel Messi, que desde 2006 pra cá venceu três edições do mais tradicional torneio europeu.

O brasileiro é enfático na opinião ao classificar a equipe merengue liderada por Puskas e Di Stefano como muito melhor do que o time catalão de Messi, Xavi e Iniesta. Diz que o seu Real Madrid era mais brilhante no ataque e proporcionava um espetáculo maior.

“O Barcelona joga bem e é o melhor nesse momento, mas esse futebol deles me aborrece muito. Essa coisa de passar a bola e tocar demais. Tocam pro goleiro, tocam pra trás...não me encanta. Nosso time era muito melhor, mais diversificado, mais pra frente. As comparações são difíceis, mas aquele Real Madrid foi muito melhor do que esse Barcelona”, opinou Canário. “A gente tinha um timaço. Sabíamos que iríamos vencer os jogos”, falou.

Didi

O mítico time do Real Madrid das décadas de 50 e 60 teve durante uma temporada a presença do atacante brasileiro Didi, bicampeão mundial com a seleção brasileira em 1958 e 1962 e que morreu no ano de 2011.

Didi teve uma passagem frustrada pelo time merengue e é bem menos lembrado no clube do que Canário, por exemplo. O bicampeão mundial não se adaptou, amargou a reserva e por algumas vezes, depois de sua passagem, alegou ter sido boicotado no elenco, principalmente por Puskas e Di Stefano.

Canário, no entanto, diz que não foi bem assim. Defende os ex-companheiros e disse que o compatriota teve problemas com o clima frio, que culminou em uma falta de adaptação. Também falou que um problema particular, que não quis revelar, atrapalhou a passagem.

SELEÇÃO

  • Arquivo pessoal

    Canário quase foi para a Copa de 1958, mas perdeu disputa para Garrincha e Joel


“Não existia isso [boicote] não. O pessoal fala que ele se dava mal, mas a verdade eu sei. Não vou falar porque ele morreu. Eu sabia de tudo, e era coisa que envolvia a mulher dele, era coisa de mulher”, falou, sem querer se aprofundar.

“Essa questão de que não passavam a bola não era verdade. Ele também sofreu com clima. Lembro de um jogo que nevava no Bernabéu e ele sofreu muito. Ele veio do Rio, e aqui era esse clima frio. Di Stefano e Puskas eram muito boas pessoas. Di Stefano é amigo meu até hoje e sempre me chama quando vou para Madrid. O time era todo amigo, não tinha grito, não tinha nada”, explicou.

Seleção brasileira

Canário esteve em uma pré-lista de jogadores que poderiam participar da Copa do Mundo de 1958,na Suécia, a primeira vencida pelo Brasil. Mas acabou não indo. Fez dez jogos pela seleção brasileira, mas sem jogar os Mundiais de 58 e 62.

Humilde, Canário diz não ter mágoa nenhuma e compreender perfeitamente que pudesse ficar de fora. “Eu estava pré-selecionado, mas aí veio o Garrincha e eu fiquei, né?”, falou. “Foram Garrincha e Joel, dois ótimos jogadores. Garrincha foi um dos maiores fenômenos que passaram pelo futebol brasileiro, só isso.”

Mais Futebol