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Grêmio abre base a gringos, 'esconde' argentino e mira expansão inédita

Divulgação/Grupo Carpeggiani
O paraguaio Fabián Barreto é um dos gringos na base do Grêmio que mira expansão Imagem: Divulgação/Grupo Carpeggiani

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

2013-03-22T06:00:00

22/03/2013 06h00

O Grêmio colocou em prática um ousado projeto nas categorias de base. O clube criou grupos de captação de talentos em países da América do Sul e já colheu o primeiro fruto. Um argentino, cujo nome será mantido em sigilo até completar 18 anos e assinar contrato formal, é o primeiro aprovado na abertura das divisões inferiores para gringos. Até o final do ano, a ideia é expandir ainda mais, com avaliações feitas a africanos, europeus e asiáticos.

Atualmente são dois estrangeiros na base do Grêmio. O primeiro já está no clube há bastante tempo. É Diego Fabián Barreto Lara, de 19 anos, natural de Assunción, no Paraguai. A chegada ao Brasil antecedeu o projeto de captação. E o primeiro fruto do novo plano não terá o nome divulgado. Como só pode assinar contrato profissional no Brasil ao completar 18 anos, o argentino vindo do Velez Sarsfield, mesmo acertado com o clube, será 'escondido' até o próximo mês.

"Hoje ele está na base, mas não está contratado porque só pode assinar quando completar 18 anos. Está na última fase de análise, tem tudo apalavrado conosco, mas sabemos como é o futebol, é um meio complicado. Por isso vamos aguardar para falar o nome dele. Não queremos chamar muita atenção. Ele é o primeiro resultado do monitoramento, avaliação e integração de jogadores. Até o final de abril devemos ter finalizado a contratação", disse o coordenador das categorias de base do Grêmio, Júnior Chávare, ao UOL Esporte.

O argentino será o primeiro, mas o objetivo gremista é ampliar cada vez mais este projeto de captação de jovens jogadores. A internacionalização das categorias de base mira mercados pouco comuns aos brasileiros, como Europa, África e Ásia.
 

ENQUANTO ISSO: TITULARES RESFRIADOS E NOVA PERSPECTIVA PARA MORENO

A mudança climática recente no Rio Grande do Sul afetou o elenco do Grêmio. Ao menos três jogadores se apresentaram resfriados nesta quinta-feira. Entre eles, Zé Roberto, Souza e Elano. No entanto o surto não preocupa para o confronto de sábado, contra o Caxias.
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Marcelo Moreno foi taxativo na Bolívia. Disse que não se via nos planos do Grêmio. Achava que não atuaria mais enquanto Luxemburgo fosse o treinador. Mas após a vitória por 3 a 1 sobre o Pelotas, o técnico reabriu as portas do clube para o centroavante. Segundo Luxa, a história de Moreno no tricolor não acabou.
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"Temos esta ideia. Começamos o primeiro módulo em países chave na América do Sul. E trabalhamos com projetos para África, Ásia e Europa. Estão sendo implementados os primeiros módulos, inicialmente nestes países, mas posteriormente a ideia é essa. Eu tive uma boa experiência trabalhando como avaliador na Juventus [Chávare foi olheiro do time de Turim] e posso aproveitar isso. Há pontos favoráveis pois conheço os mercados. Nossos jogadores estão atuando, hoje, em nível profissional com 20 anos. Podem chegar jogadores de outros mercados aqui, como podem ir jogadores nossos para lá", comentou.

Até o fim de abril, o primeiro jovem terá situação regularizada com o clube. Enquanto isso, já há novos objetivos definidos e traçados. E desta vez, jogadores de outros continentes já estão sendo analisados.

"A observação segue sempre. Temos hoje 30 atletas em observação espalhados pelo mundo. Não só na América do Sul. Pode pintar um europeu, ou até um africano. São mercados muito interessantes. A gente vê que hoje em dia a França, por exemplo, tem muitos africanos atuando lá. Eles se adaptam fácil", falou Chávare.

Tratamento psicológico aos meninos e valores aceitáveis

Os meninos que chegam ao Grêmio são considerados responsabilidade do clube. Por isso, o tratamento não é somente técnico, mas psicológico. Profissionais de várias áreas se unem para a adaptação rápida do estrangeiro ao Brasil. O projeto se baseia em três pilares: monitoramento, avaliação e integração.

"Eles [jogadores] só podem ser contratados com 18 anos já completos. A partir do momento que chegam ao clube, assumimos cuidados com eles, que ganham moradia no alojamento, assistência social, psicólogos, tudo à disposição. Isso pesa muito. Além da parte técnica, vamos integrar o jogador ao novo país. São etapas demoradas, mas nossas chances de erro diminuem", disse Chávare.

"Hoje estes jogadores têm o mesmo custo que um jogador de mercado interno. E ainda o benefício de terem mercados interessantes fora do país para venda. E além disso é fundamental que se crie uma relação de negócio com clubes e países não somente para trazer jogadores, mas também para levar", completou.

Júnior Chávare assumiu o comando das categorias de base do Grêmio em dezembro do ano passado e iniciou uma grande reformulação centrada na formação de atletas de qualidade para abastecer o elenco de cima. O projeto de captação conta com colaboradores espalhados pelo planeta, e não estão descartadas viagens para observação de atletas mais de perto.

"Durante o ano teremos condições de fazer uma apresentação mais concreta do nosso projeto. Estamos consolidando ele, mas o primeiro passo já foi dado. Estamos satisfeitos, mas queremos ainda mais. O projeto faz parte da mudança de métodos das categorias de base, que se transformam em um departamento de formação. O projeto de captação internacional é um dos módulos disso. É uma alegria ver tudo acontecendo", concluiu.

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