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Tour do São Paulo na Europa teve goleada no 'arrogante' Barça e briga com Palmeiras

José Ricardo Leite e Mauricio Duarte

Do UOL, em São Paulo

31/07/2013 06h00

O que agora é receio de um papelão e baixa autoestima já foi oportunidade de uma glória maior para capitalizar ainda mais um período de conquistas internacionais. É com esse sentimento que o São Paulo enfrenta às 15h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira o Bayern de Munique, atual campeão europeu, pela Copa Audi. O jogo será realizado na Allianz Arena, casa do time alemão, e terá acompanhamento pelo Placar UOL Esporte

O respeito ao adversário e a péssima fase no Brasil agora têm que dar lugar a lembranças que sirvam como estímulo. Outros giros do time do Morumbi pela Europa tiveram vitórias históricas, inclusive sobre o campeão europeu da época, o Barcelona, e até uma obscura briga com o grande rival brasileiro na época, o Palmeiras.

SÃO PAULO ENFRENTA CAMPEÃO DA EUROPA PARA LEVANTAR AUTO-ESTIMA

  • A missão do São Paulo diante do Bayern de Munique é mais do que tentar vencer o atual campeão da Europa, dirigido pelo idolatrado Pep Guardiola. O time do Morumbi quer recuperar a auto-estima, que anda abalada pela situação ruim no Brasileiro e os 12 jogos seguidos sem vencer. O treinador Paulo Autuori não cansou de reiterar essa questão. “É um prazer para o São Paulo estar envolvido em uma competição top como essa, com outras grandes potências do futebol mundial. Nos últimos 15 dias tivemos que realizar cinco jogos, mas estamos muito motivados para mostrar um pouco do que o futebol brasileiro tem de positivo”, explicou.

    Guardiola, por sua vez, espera um grande espetáculo. “O futebol brasileiro é sempre uma garantia de bons jogadores. O Paulo Autuori agrega com sua experiência mundial. O time conta com grandes talentos, como o Jadson, além do Luis Fabiano e o Lúcio, que acabaram não vindo. Será um bom jogo”, disse. No São Paulo, os desfalques de Luis Fabiano e Clemente Rodrigues, que ficaram tratando de suas lesões no Brasil. O zagueiro Lúcio, afastado da equipe, também não viajou. LEIA MAIS

Depois de conquistar o título da Libertadores da América em 1992, a equipe de Telê Santana foi convidada para disputar o tradicional Troféu Teresa Herrera, em La Coruña. Se deparou na final com o temível Barcelona, então campeão europeu, e que tinha em seu elenco estrelas como Zubizarreta, Koeman e Stoichkov sob o comando do técnico Johan Cruijff.

O time catalão deu impressão de que o jogo seria uma goleada ao abrir o placar logo aos 3min. Mas acabou surpreendido e levou de 4 a 1, gerando até uma histórica manchete de “Samba no Riazor” no jornal El Mundo Deportivo, mais tradicional da Catalunha.

Os jogadores do São Paulo na época lembram que houve uma certa prepotência do campeão europeu ao enfrentar um rival sul-americano e visto como desconhecido na Espanha.

“Tinha aquela arrogância normal, eles achavam que eram imbatíveis. Eu tive um atrito com o Stoichkov, ele meteu as duas mãos no meu peito e me deu empurrão desnecessário. Era aquela arrogância normal dos europeus, mas vencemos com futebol de alta qualidade. O Barcelona era recheado de estrelas na época. Eles fizeram 1 a 0 rapidamente. Mas o São Paulo estava melhor condicionado fisicamente, e o Barcelona não estava 100%. Nos soltamos e fizemos um placar elástico”, lembra o ex-zagueiro Ronaldão.



Naquele ano, o time do Morumbi venceu não só o Teresa Herrera, mas também o Ramón de Carranza, com goleada de 4 a 0 sobre o Real Madrid. Colhia os louros da conquista sul-americana que depois se ampliaria para o título mundial e que renderia mais convites para voltar à Espanha.

E em um deles, no Ramón de Carranza de 1993, houve uma confusão com o Palmeiras e que foi pouco divulgada numa época que a internet engatinhava e o Brasil não era bombardeado com imagens do que acontecia nos gramados europeus. Na semifinal, o Palmeiras venceu por 2 a 1 e depois foi relatado pela imprensa espanhola que houve confusão no caminho para os vestiários. Ela teria sido iniciada por uma discussão entre os técnicos Telê Santana e Vanderei Luxemburgo, que viraram desafetos pela grande rivalidade entre os dois times no período.

Não há imagens para mostrar o que ocorreu, de fato. E apenas as lembranças dos jogadores é que podem contar como foi a confusão. Pintado lembra que os jogadores do time alviverde carregavam um desejo de igualar as conquistas do rival e que isso foi levado para o campo.

“O Palmeiras queria seguir a trajetória do São Paulo, ganhar Libertadores e Mundial, e o São Paulo em 93 chegou diferente, mais respeitado, já não era mais azarão. E o Palmeiras querendo tomar nosso lugar. O Palmeiras foi para ganhar da gente, essa rivalidade saiu daqui do Brasil e foi para o campo lá, a gente dentro de campo percebia que Palmeiras queria vingança. Começou uma discussão, acho que teve uma expulsão para cada lado”, lembrou o ex-volante Pintado.

Ronaldão lembra da discussão entre os  técnicos, mas afirma que o tumulto ficou só na troca de empurrões e não houve agressões mais sérias. “Teve uma confusão nos bastidores e empurra empurra, o Telê ficou xingando o Luxemburgo. Teve troca de farpas, foi no caminho para o vestiário, nos corredores, foi aquele tumulto fora de campo. Era uma rivalidade normal em campo e que foi levada pros vestiários, teve tumulto e não teve agressão. Todo mundo se conhecia e acabou acalmando os ânimos, mas teve um tumulto no túnel.”


Ex-jogadores veem chance de recuperação

Apesar do cenário atual ser completamente oposto ao das glórias e badalação são-paulina no tour da década de 90, os ex-jogadores dizem que a chance de enfrentar times como Bayern de Munique, Manchester City e Benfica pode ser benéfica para uma reciclagem mental do time.

“Aquela época nós tínhamos que ganhar tudo, era o que tínhamos em mente: ganhar todos os torneios. Hoje o momento é totalmente diferente, com a equipe na zona de rebaixamento e podendo ficar na última colocação. Mas é uma grande oportunidade de os jogadores voltarem para o Brasileirão com força redobrada e outra mentalidade se conseguirem bons resultados e aproveitarem a chance de duelar contra outras escolas”, falou Ronaldão.

Pintado alerta apenas que o time não entre em clima de amistoso e jogue como se fosse campeonato, pois os europeus vão querer cair para dentro. “Era um detalhe muito importante daquele São Paulo que ganhou, viajávamos muito para fazer torneios. Isso deu uma experiência, maturidade, que fortaleceu a equipe. Eram muito importantes para nós. Além de vencer, que dá força e credibilidade, acho que o São Paulo vai ganhar muito com essa excursão”, falou.

“No primeiro torneio você chega como desconhecido, não é favorito, menosprezam em algumas situações. Claro que não é assim hoje com o São Paulo, mas acho que eles sabem do momento do time aqui e vão tentar atropelar, não vão ter dó. Não fizeram o torneio para o São Paulo se recuperar. Se puderem, pisam na nossa cabeça”, continuou.

FICHA TÉCNICA

BAYERN DE MUNIQUE X SÃO PAULO
Local: Allianz Arena, em Munique (ALE)
Data/Hora: 31/7/2013, às 15h30 (de Brasília)
Árbitro: não divulgado
Auxiliares: não divulgado
Transmissão: Rede TV e Sportv

BAYERN DE MUNIQUE: Neuer; Lahm, Jérôme Boateng, Dante e David Alaba; Javier Martínez, Schweinsteiger, Ribéry e Thomas Müller e Robben; Mario Mandzukic - Técnico: Pep Guardiola

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Douglas, Paulo Miranda, Rafael Tolói e Reinaldo; Wellington, Rodrigo Caio, Fabrício e Jadson; Osvaldo e Aloísio - Técnico: Paulo Autuori

  • Reprodução/El Mundo Deportivo

    Vitória são-paulina sobre o Barcelona por 4 a 1 foi manchete de jornal "El Mundo Deportivo"

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