"Falastrão" Túlio se aposenta em clima melancólico diante de 36 torcedores

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

Túlio Maravilha
Túlio Maravilha

A história de Túlio no futebol terminou sem grande reação por parte dos 36 torcedores que acompanharam in loco o momento. Não houve aplausos agradecidos ou vaias indignadas. O atacante, que ficou conhecido por ser um dos maiores falastrões do futebol brasileiro, saiu sem causar.

A carreira de Túlio Maravilha, 44 anos, acabou no último domingo longe dos grandes estádios brasileiros e sem gol. Ele pendurou as chuteiras aos 18 minutos do segundo tempo, ao ser substituído no empate por 0 a 0 do Araxá, seu time, com o Montes Claros, no estádio Uberabão, em Uberaba (MG).

A passagem pelo clube da segunda divisão mineira rendeu a Túlio o tão sonhado milésimo gol (pelas contas do atacante). Para o clube, no entanto, a presença do agora ex-jogador ajudou mais fora de campo do que dentro.

"Para o Araxá, o que teve de bom foi a publicidade, a projeção nacional. Mas de futebol, nada de retorno", afirmou o diretor de marketing da equipe, Willian Tardelli.

Túlio não causou boa impressão na comissão técnica e foi titular em somente duas partidas do campeonato, sendo uma delas a deste domingo. O diretor de marketing explica que o jogo já não valia nada porque a equipe estava eliminada. Houve dispensas no elenco e a base do Araxá foi formada por juniores.

Apesar do fim melancólico, Túlio mexeu com as emoções de dezenas de equipes ao longo da sua carreira e ficou marcado, principalmente, pela passagem no Botafogo. Um gol dele em impedimento deu o único Campeonato Brasileiro do clube, em 1995. O sucesso na época permitiu ao atacante rivalizar com Romário (então no Flamengo) e Renato Gaúcho, no Fluminense, como grandes personagens do futebol carioca.

A boa fase rendeu até convocação para a seleção, também em 1995. E o artilheiro, mais uma vez, recebeu "ajuda" da arbitragem para ficar marcado na memória da torcida brasileira. Na semifinal da Copa América, contra a Argentina, Túlio recebe na área, ajeitou com o braço e tirou do goleiro. Todo mundo, menos o juiz, viu a irregularidade e o gol foi validado.

A partida seguiu para os pênaltis, o Brasil avançou e o atacante ganhou mais pontos com os brasileiros porque conseguiu enganar e irritar os argentinos que reclamaram muito do erro do árbitro. Mas na final a seleção não teve a mesma sorte e viu o Uruguai levantar a taça.

Depois de sair do Botafogo, ele defendeu equipes como Corinthians, Cruzeiro e Vitória. Foi pela equipe mineira em 1999 que começou a saga em busca do milésimo gol. Na ocasião, o artilheiro exibiu uma faixa comemorando os 500 anos do Brasil e os 500 gols dele.

Desde então, foram 15 anos e camisas de menor expressão do futebol brasileiro. A busca pelo feito terminou em 8 de fevereiro com um gol de pênalti. Ele pode descansar com sensação de dever cumprido.

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