Topo

Futebol


D'Ale chega aos 33 anos com 'festa perfeita' e cogita se aposentar no Inter

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

15/04/2014 06h00

D’Alessandro completa 33 anos nesta terça-feira, mas o presente veio no domingo. A vitória de 4 a 1 diante do Grêmio e o tetracampeonato do Gauchão transformaram o aniversário do gringo em uma festa perfeita. O momento tão bom faz o meia cogitar uma mudança importante nos planos para o final da carreira. Ele admite que pode se aposentar no Beira-Rio.

O ato de pendurar as chuteiras sequer tem data para ocorrer. D’Ale garante que ainda não pensou sobre aposentadoria, mas revela que quer renovar contrato com o Inter. O vínculo atual termina em junho de 2015. E a renovação, somada com a idolatria da torcida, faz a ideia de regressar para o River Plate nos últimos meses como jogador de futebol ser revista.

“A ideia continua na minha cabeça, mas eu não sei o que pode acontecer. Essa dúvida que deixo no ar aí é porque sempre foi minha intenção terminar no River, mas continuam passando coisas aqui no Inter. O carinho é muito grande, os títulos. Tudo pode mudar”, disse.

Em casa, na zona leste de Porto Alegre, D'Alessandro recebeu o UOL Esporte para falar sobre o aniversário, o título do Gauchão e um novo ciclo de conquistas importantes. Ao lado dele os pais, Eduardo e Gladys, o irmão Marcelo e os amigos Turco, Claudio e Chileno.

"Foi um ótimo presente, um grande presente. Temos que comemorar o título mesmo. E foi mais especial pela presença da minha família, eles foram no jogo e estão aqui desde a semana passada esperando pelo meu aniversário. Se não tivesse vindo o título não seria a mesma festa", contou.

Confira a entrevista.

UOL Esporte: Quando se é mais novo é difícil vislumbrar o futuro, a própria vida lá adiante. Mas o que você pensava lá atrás para os seus 33 anos?

D'Alessandro: Olha, eu estou orgulhoso. Sou privilegiado por ser atleta e jogar futebol. Mas tem o outro lado, deixei muita coisa de lado. É uma profissão diferente e praticamente não fazia nada, ficava em casa com meus pais. Eles ainda controlavam minha vida, né? A gente tinha que descansar para treinar, concentrar para jogar. Tive que renunciar a muitas coisas. Eu tinha um sonho de ser atleta, ser profissional, mas naquele momento era algo muito longe. Era muito difícil.

Não sei se você se lembra, mas teve outro jogo tão marcante perto do seu aniversário?

Não, nunca. Não tinha passado por isto.

E o curioso é que o segundo jogo da final seria antes, mas foi remarcado pela reinauguração oficial do Beira-Rio...

É, ficou sendo bom agora. Depois da final. Poderia ser diferente. Com o resultado definido eu fico feliz, o meu aniversário vai ser totalmente diferente. Tenho certeza de que não seria igual se a gente tivesse perdido. Ou sem o título. Ainda não consigo separar a minha vida do futebol e isto às vezes atrapalha. Não tenho como evitar ficar chateado e triste.

UOL Esporte: Um título com goleada em cima do Grêmio e tão perto do seu aniversário. Um presente especial, não?

D'Alessandro: Foi um ótimo presente, um grande presente. E como falei, seria diferente se o resultado não fosse bom para o Inter. Juntou um monte de coisas para que tudo desse certo. Não tenho nada a reclamar da semana, nada. Foi bom para consolidar o trabalho dos primeiros meses, dar gás para a comissão técnica, para o presidente que merece. E culminar com a estreia no Brasileirão.

Com 33 anos, capitão do time, eleito melhor da América, campeão da Libertadores. O que falta para você?

Objetivo pessoais você sempre tem que ter. Não posso parar e ficar pensando que conquistei tudo. Ninguém sabe tudo e ninguém conquista tudo na vida. Sempre falta alguma coisa. Acho que no coletivo, fazendo parte do Inter hoje, um título nacional vai ser importante para este grupo. Para o clube. Para os caras que estão há tempos. E é um desafio pessoal também. Vencer o Brasileirão e mostrar que o time está à altura do maior campeonato do continente.

Você acha que ainda é possível começar um novo ciclo? Considerando um título do Brasileirão, ou ao menos vaga na Libertadores, e aí um novo título de Libertadores e Mundial?

Vai começar, em algum momento vai começar. Não sei se vai ser com este grupo, mas vai recomeçar. Em 2006 o Inter começou, teve 2007 ali, mas em 2008 voltou. E depois teve 2009, 2010 e 2011. Vai recomeçar, até pela estrutura do clube. A nossa cabeça, do grupo, está por conquistar coisas. São caras que já ganharam várias coisas, mas querem continuar conquistando. O mais importante é ter um grupo que queira ganhar. Aí depois depende de uma série de coisas, mas com o pensamento dá para encaminhar um planejamento e que o ciclo recomece.

Pergunto isto porque no primeiro ciclo, lá em 2006, o principal personagem era o Fernandão e ele saiu depois. Em 2008, no título da Sul-Americana, era o Alex e ele também saiu do clube e voltou agora. A Libertadores de 2010 tem você como a grande figura do Inter. Ainda dá tempo de você participar deste novo ciclo?

[Pausa] Sinceramente uma coisa me deixa tranquilo: o meu trabalho até agora no clube. Se eu vou fazer parte deste novo ciclo, não sei. Não temos como saber. Mas a minha ideia é cumprir o contrato e ver o Inter continuar assim. O clube é muito maior do que qualquer atleta. Seja em que época for. Se não tiver o fulano vai ter o mengano e ele tem que assumir e continuar. É isto que quero e espero do Inter.

D'Alessandro está no Internacional desde 2008 e planeja renovar contrato mais uma vez - Jeremias Wernek/UOL
D'Alessandro está no Internacional desde 2008 e planeja renovar contrato mais uma vez
Imagem: Jeremias Wernek/UOL

UOL Esporte: Com 33 anos você já pensou, nem que seja por alguns minutos, até quando vai continuar jogando?

D'Alessandro: Sinceramente não, mas o futebol hoje está difícil. Só querer jogar bola não adianta, não resolve. Você tem que estar 100% fisicamente, com a cabeça boa. Meu objetivo vai ser este, continuar. Cheguei aqui com 27 anos e estou com 33, passou muito tempo. Muito tempo. Mas meu esforço continua, vou querer mostrar que quero ajudar. Não sei quando vou parar.

Até pela história que você tem no River Plate é natural que exista um desejo de voltar para a Argentina e encerrar a carreira lá. E aí vem a pergunta de quando vai acontecer a volta. Qual a resposta?

Não tem data. Não tem. A ideia continua na minha cabeça, mas eu não sei o que pode acontecer. Essa dúvida que deixo no ar aí é porque sempre foi minha intenção terminar no River, mas continuam passando coisas aqui no Inter. Eu continuo recebendo um carinho incrível do torcedor. São coisas que mexem com o cara, que eu sinto.

Pode mudar este plano, então.

Tudo pode mudar. Tudo pode mudar...

Pesa todo um contexto de Argentina e Brasil? As diferenças dos países, a economia, o contexto social e também a situação do futebol de lá contrastando com aqui?

Economia não, se eu voltar para a Argentina não vai ser para ganhar dinheiro.

Mas eu digo a economia para viver lá, de fato.

O que mais me preocupa, na realidade, é a insegurança. Eu fico preocupado e triste ao ver amigos e pessoas próximas da minha família sem trabalho. Ou precisando trabalhar o dia todo para ganhar muito pouco. E a segurança da minha família. Tudo isto vai indo para a balança. Tudo isto o cara leva em conta.

Se em junho de 2015 o Inter chegar e propor uma renovação, dá para imaginar você encerrando a carreira no clube?

Não tem data [para a aposentadoria], mas é muito provável que eu renove o contrato. Tudo que eu fizer não vai retribuir o carinho que recebi do torcedor. Se o Inter quiser que eu renove é muito provável que eu renove. Tomo isto como um reconhecimento, se eles me procurarem vou ver como um reconhecimento e deve acontecer a renovação.

Mais Futebol