Torcedor que atirou a banana fala em arrependimento, e caso vai à polícia

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona (Espanha)

O Villarreal já entregou à Polícia local o responsável por atirar a banana em Daniel Alves no estádio El Madrigal. Ele confessou ser o autor do ato racista e deu declaração de arrependimento pelo seu ato ao clube. Agora, tem prevista multa de 3 a 4 mil euros (entre R$ 9 mil e R$ 12,3 mil) de acordo com uma a Lei antiviolência na Espanha.

O UOL Esporte ouviu o Villarreal após identificar o torcedor. O clube comunica que o mesmo disse estar ciente do dano causado à instituição e avisou ter cometido um ato impulsivo.  Mesmo assim lhe foi retirado o carnê de sócio e proibida a entrada pelo resto da vida no El Madrigal . 

A sanção esperada no clube agora será aplicada pela Comissão Antiviolência da Espanha. Há uma Lei contra violência, racismo, xenofobia e intolerância que prevê a multa de 3 a 4 mil euros e um período de seis meses a um ano sem poder entrar em eventos esportivos no país. A punição é administrativa e caso não seja cumprida, será transformada em penal.

O Villarreal trata o fato como caso isolado. Da mesma maneira o faz a torcida Colectivo Aldeano, conhecida por ter integrantes com ideologias nazistas e situada no local em que a banana foi atirada ao campo.

"Não podemos pegar um ato infeliz e tentar generalizar. Essa atitude foi asquerosa e não compactuamos com esse tipo de gente. O responsável por atirar a banana jamais vai entrar no estádio, nós lutaremos para isso. É tolerância zero", destacou Xavier Ibañez, presidente das torcidas organizadas do Villarreal ao UOL Esporte.

O torcedor ainda usa como discurso de defesa o fato do volante brasileiro Marcos Senna ser um dos principais ídolos do clube e já ter sido homenageado pela organizada com a imagem e o nome em um portão de acesso ao estádio. 

"Nossa referência é o Senna. Não podemos ser vistos como racistas, pois te digo que as pessoas da nossa torcida não são como o torcedor da banana. O nosso clube está agindo contra o racismo, e o ideal se todos fossem assim", opinou.

Um torcedor do Villarreal presente no setor, e que pediu para ter preservada a identidade, associa a imagem do responsável por atirar a banana ao campo ao Real Madrid, principal rival do Barcelona. "Todos aqui o conhecem como um fanático do Real, só foi ao campo por ser jogo contra o Barça", destacou o torcedor.

Jornalistas espanhóis presentes no estádio disseram que manifestações racistas vindas do setor  de onde foi atirada a banana foram ouvidas durante boa parte do jogo. Muitas das vezes em que Daniel Alves estava com a bola gritos imitando som de macaco foram entoados.

A torcida Colectivo Aldeano tem apenas dois anos de existência e não possui mais que 100 associados. Só que já há no histórico um ato de violência, quando em fevereiro deste ano uma bomba de gás lacrimogêneo foi atirada no El Madrigal pouco antes do fim da partida entre Villarreal x Celta de Vigo pelo Campeonato Espanhol e provocou a paralisação do jogo por quase meia hora.

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