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Conselheiros aprovam contas do Santos mesmo com R$ 40 milhões de déficit

Divulgação/Santos FC
Odílio Rodrigues não gosta de comparações entre o déficit e a venda de Neymar no mesmo ano Imagem: Divulgação/Santos FC

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

2014-05-20T06:00:00

20/05/2014 06h00

A reunião do Conselho Deliberativo do Santos na noite desta segunda-feira, na Vila Belmiro, foi “calorosa”, cheia de provocações e acusações entre os presentes, porém terminou com um final feliz para atual gestão. Isso porque os conselheiros aprovaram por maioria de votos as contas do clube referentes ao exercício de 2013. A votação terminou com 89 favoráveis, 40 contrários e cinco abstenções.

A reunião foi polêmica do início ao fim, pois o déficit de R$ 40, 6 milhões ocorreu no mesmo ano que o Santos vendeu o atacante Neymar, principal jogador da seleção brasileira, ao Barcelona, da Espanha. Questionado em entrevista coletiva sobre como explicaria ao torcedor o prejuízo no ano da venda de um dos maiores ídolos da história do clube, o presidente Odílio Rodrigues, esbravejou.  

“Você entendeu a explicação? Você pode ajudar porque é você (repórter) quem fala com o público. Ficou muito fácil ali no quadro para um bom entendedor, entender o que foi explicado. Vou pedir uma publicação para facilitar isso para o leitor”, rebateu o presidente santista.

“O Santos vendeu os jogadores e gastou praticamente a mesma coisa para você, que estava presente, para comprar os jogadores. Essa ideia que você acha que tem, já que está me perguntando isso após ver essa exposição, é de que após vender o Neymar o Santos ficou com muito dinheiro. Ali foi demonstrado que o Santos comprou jogadores, vendeu jogadores, e que o dinheiro que a gente vendeu, foi praticamente o mesmo que compramos. Essa pergunta perde a validade porque não é verdade que o Santos vendeu o Neymar, ficou muito dinheiro em caixa e teve o déficit”, completou.

A aprovação das contas aconteceu por votação nominal por causa de uma lista entregue com pouco mais de 50 assinaturas de conselheiros. Desta forma, os conselheiros tinham que gritar em seus acentos “a favor ou contra” quando tinham seus nomes chamados pelo presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Schiff.

Antes da votação, a reunião começou com a exposição do balanço. O Comitê Gestor fez um levantamento comparando a receita do Santos com os três clubes grandes de São Paulo para explicar um dos motivos do déficit.

“O Santos tem menos receitas de televisão e bilheteria que os três clubes de São Paulo. O Santos tem menos receitas de estádios que os grandes de São Paulo. O Santos gasta praticamente a mesma coisa que gastam com o futebol. O Santos tem que disputar o campeonato disputando com São Paulo, Corinthians e Palmeiras com uma receita que muitas vezes é metade deles. Isso você só consegue fazer com parceiro, receita ou empréstimo”, explicou Odílio após a reunião.

O advogado Leandro da Silva polemizou a reunião ao duvidar da idoneidade do balanço e por chamar a maioria dos conselheiros de focas amestradas.

Além dele, o conselheiro Dagoberto Cipriano também esquentou o plenário ao pedir a renúncia do atual presidente do Conselho, Paulo Schiff, o acusando de descaso com o Estatuto Social do Santos. O conselheiro também lembrou que Schiff foi vaiado pelos conselheiros em 1994 por ter dado o único voto a favor do então presidente, Miguel Kodja Neto, que foi afastado e processado judicialmente por infringir o Estatuto Social e provocar prejuízos financeiros e morais ao clube. Os outros 223 conselheiros votaram pelo afastamento de Kodja na época.

“A pá de cal ocorreu agora (2014) com a publicação do balanço sem analise pelo Conselho. Sr. Paulo Schiff demonstre-me que estou errado. Que deliro. Renuncie ao cargo imediatamente. Acabou-se o conselho, o que temos é um órgão decorativo cuja única função é entregar medalhas e diplomas”, disse Dagoberto Cipriano.

Schiff se explicou no final da reunião, com poucos presentes. Ele se orgulhou do ato, citou “laços familiares” com o ex-presidente Miguel Kodja Neto e, inclusive, lembrou que deixou a Vila Belmiro com o acusado de carro na ocasião. Após o discurso do atual presidente do Conselho, alguns conselheiros falaram ao plenário e a reunião terminou.

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