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Calendário de 2015 irrita times, e Náutico cogita adiar início de temporada

Anderson Malagutti/Site oficial do Náutico
Gláuber Vasconcelos, presidente do Náutico, cogita adiar início da temporada do clube em 2015 Imagem: Anderson Malagutti/Site oficial do Náutico

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

2014-08-13T11:00:00

13/08/2014 11h00

Divulgado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o calendário do futebol brasileiro em 2015 tem como principal novidade a criação de um período de 25 dias para pré-temporada. Contudo, essa novidade não foi celebrada por todos. Alguns clubes reprovaram a ampliação da fase de inatividade, o que também os deixará por mais tempo sem receitas como bilheteria. Como reação a isso, o Náutico cogita até postergar a retomada das atividades.

“Sabe o que vai acontecer? Em vez de darmos um mês de férias e 25 dias de pré-temporada, vamos desmontar o time no fim do ano e começar 2015 mais tarde. Não podemos pagar por um período sem jogos”, disse Glauber Vasconcelos, presidente da equipe alvirrubra.

A tese do mandatário do Náutico é que o atual modelo de divisão de cotas de TV no futebol brasileiro faz com que alguns times sejam reféns de receitas como a bilheteria. Enquanto equipes que integravam o antigo Clube dos 13 têm contrato com a Globo até 2018, os pernambucanos possuem vínculo com a emissora para esta e a próxima temporada.

“Como os clubes que já não têm uma cota de televisão que atenda as necessidades mínimas vão poder ficar dois meses sem receita e pagar salários? Para quem tem um fluxo de caixa garantido no ano seguinte, que são os 18 que assinaram contratos mais longos com a Globo, é fácil planejar. Para quem não tem é totalmente inviável”, reclamou o presidente. O atual contrato do Náutico com a TV foi assinado antes do início da gestão de Vasconcelos, que assumiu o clube em 2014.

A ideia do Náutico é extremista, mas o clube não é um caso isolado. Equipes que não têm contratos longevos com a Globo estudam medidas para compensar os meses de inatividade no início de 2015. Ao menos seis delas confirmaram incômodo ao UOL Esporte.

“Vamos ter de reestruturar. Eu vou sair no fim do ano e já venho conversando com quem vai assumir o clube, mas sabemos que não é apenas o nosso clube. Muitos de diversas divisões terão de fazer isso. Precisamos reduzir custos e repensar formas de elaboração contratual”, afirmou Antônio Luiz Neto, presidente do Santa Cruz.

“Vai acontecer o que o presidente do Náutico disse: em vez de fazer pré-temporada, clubes vão deixar para iniciar contratos mais tarde e não vão pagar pelo período de inatividade. Melhorou para quem? Para os grandes, só. Eles vão poder fazer excursões e viajar, mas o futebol não melhorou. O pessoal fala muita coisa, mas não é assim que a banda toca”, adicionou Alexi Portela, ex-presidente do Vitória, que hoje é um dos principais interlocutores entre clubes e CBF.

A criação de um período de pré-temporada no início do ano era uma das maiores bandeiras do Bom Senso FC, grupo de atletas criado no segundo semestre do ano passado para debater demandas da categoria. Em reunião com o coletivo, a CBF chegou a assumir um compromisso de estabelecer pelo menos 30 dias de férias e 30 dias de preparação no calendário de 2015.

Depois da divulgação do calendário, o Bom Senso FC criticou duramente o modelo usado pela CBF. O grupo considerou a pré-temporada um avanço, mas lembrou que a programação para a próxima temporada ainda tem falhas como jogos do Brasileiro perto de datas Fifa e Copa América concomitante ao torneio nacional de clubes.

“Talvez 25 dias sejam um prazo muito grande, mas é o que eu digo: jogadores estão brigando por isso, mas são os milionários. Quem pediu isso? Não foi o Bom Senso? Agora os clubes pequenos vão sofrer porque vão ficar um mês sem salário”, afirmou Portela.

Além da questão do calendário, uma bandeira do Bom Senso FC é a adoção de práticas de fair play financeiro no futebol brasileiro. Em 2013, um dos principais alvos do grupo foi o Náutico, que atrasou salários durante o segundo semestre. A situação no time alvirrubro gerou até ameaças de greve.

“A questão é que estamos lutando no dia a dia. O Santa Cruz tem dívidas que se acumularam ao longo de muitos anos por más gestões, mas também pelo formato do futebol brasileiro e pela injustiça na distribuição de cotas”, ponderou Antônio Luiz Neto. “Neste ano, fomos penalizados pela paralisação de 45 dias para a Copa do Mundo. Temos grandes públicos, mas ficamos muito tempo sem jogos”, completou o dirigente. O time pernambucano tem atraso salarial de um mês e meio.

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