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Testemunha relata agressão e confirma atos racistas da torcida do Grêmio

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

04/09/2014 15h58

O taxista e orientador da Arena do Grêmio, Filipe Guilhon, de 27 anos, prestou depoimento na tarde desta quinta-feira sobre os atos de racismo da torcida contra o goleiro Aranha, do Santos, na última quinta-feira. Aos policiais, ele confirmou os atos de racismo da torcida e ainda revelou agressões ocorridas na tentativa de invasão do campo, no segundo tempo. 

"Trabalho como orientador da Arena desde a inauguração. Sempre fico na área da arquibancada, onde fica a Geral. Eu nunca tinha observado algo assim em outras partidas, mas nesta ocorreram xingamentos racistas. Preto, macaco, preto safado, foram algumas coisas que foram ditas por um grupo pequeno de torcedores. Eram uns três ou quatro", relatou. 
 
Filipe conversou por cerca de uma hora com os policiais na 4ª Delegacia de Polícia e posteriormente viu os vídeos do sistema de câmeras da Arena do Grêmio. Não conseguiu identificar os aficionados. 
 
"Não foi nenhum dos torcedores que eu conheço. Alguns eu conheço de ver sempre ali na arquibancada. Não foi nenhum deles", disse. 
 
Quando ocorreram os xingamentos racistas, o goleiro Aranha, do gramado, pediu para Filipe observar o que acontecia. A torcida, irritada, foi para cima do orientador, que acabou levando chutes. Posteriormente, houve um movimento para invasão do campo através dos portões que ligam as arquibancadas ao gramado. Mas a investida não teve sucesso.
 
"Eu vi membros da Geral do Grêmio tentando evitar a confusão, tirar o pessoal que queria invadir dali. Esperei até o chefe da segurança chegar e eles acabaram não conseguindo", explicou. 
 
Vários torcedores e profissionais que trabalharam no jogo foram ouvidos pela polícia. A investigação segue e deve ter duração de 30 dias. 
 
Patrícia Moreira chora e vê protesto
 
A torcedora Patrícia Moreira, flagrada pelas câmeras de transmissão do jogo chamando o goleiro Aranha de 'macaco', compareceu na polícia na manhã desta quinta e prestou depoimento. Ela chegou chorando muito, confirmou o xingamento, mas negou o cunho racista. Segundo ela, como há músicas da torcida utilizando esta palavra e muitos gritavam, ela também acabou gritando. 
 
Ao deixar a DP, Patrícia foi alvo de um protesto de um grupo de negros. A Unegro, União de Negros pela Igualdade, gritou contra a jovem e expôs uma faixa com a frase: "Rebele-se contra o racismo". 
 
Enquanto isso, na quinta-feira, o Grêmio foi punido pelos atos dos torcedores. Em julgamento no STJD, o clube gaúcho acabou excluído da Copa do Brasil e recebeu multa de R$ 50 mil. Os aficionados identificados estão proibidos de comparecerem em estádios de futebol por 720 dias.

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