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Fluente em alemão, reforço do Cruzeiro já trabalhou em lavoura de fumo

Divulgação/Aguante Comunicação
Fabiano chega ao Cruzeiro e terá que brigar por vaga com Ceará e Mayke Imagem: Divulgação/Aguante Comunicação

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

14/01/2015 06h00

A palavra trabalho não é nova para Fabiano. O lateral direito apenas vai ter que reciclar o significado do vocábulo para se dar bem no Cruzeiro, clube com o qual assinou contrato de quatro anos no fim de 2014. Acostumado às dificuldades do período de criança, ele tem uma história de muita dedicação.

Na infância, teve que aprender a ordenhar vacas, alimentar porcos e cuidar de uma lavoura de fumo ao lado do pai. Por outro lado, tornou-se fluente em alemão e sempre esbanjou estilo com a bola no pé.

O defensor, de 23 anos, tem origem humilde. Nascido em São João do Oeste, no interior de Santa Catarina, está acostumado a trabalhar ao lado dos pais em uma fazenda. Os sulistas chamam o local de ‘roça’. As atividades prediletas do garoto eram ajudar o chefe da família com o gado e os suínos.

Antes ainda de contribuir com os familiares no campo, Fabiano aprendeu alemão por conta dos parentes. 93% da população de seu município fala o idioma, e pelo menos 97,5% entende a língua, sendo também uma matéria em sala de aula desde os períodos iniciais do ensino de base. O dialeto utilizado na região catarinense é o Riograndenser Hunsrückisch.

No caso do jogador, o aprendizado se deu por meio dos avós. Na escola, protagonizou cenas inusitadas. Foi alfabetizado em português, mas muitas vezes respondia as professoras na língua europeia. E não era o único. Fator que acarretou na extinção momentânea do idioma nas escolas da região.

Aos 16 anos e apaixonado pelo futebol, o novo reforço do Cruzeiro apareceu no ‘Genoma Colorado’ em São João do Oeste, projeto realizado pelo Internacional, e chamou a atenção do São Luiz-RS, de Ijuí, onde ficou entre 2008 e 2009.

As boas atuações como zagueiro no time do Rio Grande do Sul fizeram com que Índio, ídolo da Chapecoense na década de 1990, se interessasse pelo jogo de Fabiano. O ex-atacante levou o atleta de volta a Santa Catarina, onde defendeu a equipe da Arena Condá.

“Atuei lá em campeonatos da base. Estava para ser promovido aos profissionais. Um dia que voltei para São João do Oeste surgiu o Índio. Ele quem me levou para a Chapecoense, ainda na base também, devido à minha idade”, conta o atleta.

No clube de Santa Catarina, destacou-se e conseguiu atuar na elite do futebol nacional. Após um ano defendendo a agremiação na Série A, chamou a atenção do bicampeão brasileiro e recebeu uma oportunidade. Agora ele terá que provar tudo novamente para seguir recebendo chances.

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