Promessa despenca no Corinthians após promoção surpresa e tour pela Europa

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

O meia armador Matheus Pereira hoje tem 17 anos, mas é grande promessa do Corinthians desde a categoria sub-11. Passou, com destaque, por todas as categorias até o sub-17. Mas, desde janeiro, quem convive e trabalha com o jogador, apelidado de Pirulão por ser magro e alto, se espanta com a queda de rendimento dele em treinamentos após a profissionalização.

Na primeira semana do ano, em decisão tomada pelo superintendente de futebol Andrés Sanchez, Matheus foi promovido dos juvenis diretamente para o grupo principal. A decisão apanhou de surpresa o comando das divisões de base do Corinthians. O departamento amador à época sequer teve participação na promoção. Pirulão não passou pelos juniores e nem foi submetido ao crivo da Copa São Paulo. 

No Sul-Americano sub-17 disputado em março, Matheus Pereira logo foi para o banco de reservas do time em que se notabilizava como uma das principais esperanças. Funcionários da CBF que acompanharam a seleção brasileira no torneio demonstraram preocupação com a atitude de Pirulão. À reportagem, dois deles falaram em tom de preocupação sobre a passividade de Matheus, a falta de dedicação em campo e os efeitos do excesso de elogios feitos por seus empresários. 

Ambos os membros da seleção citaram a viagem feita por Pirulão e o colega de Corinthians, Malcom, em dezembro. A bordo do avião de seu agente, Fernando Garcia, ele visitou o Olympique de Marseille-FRA e virou notícia pela possibilidade de transferência. As regulamentações da Fifa, porém, só permitem o negócio na medida em que ele complete 18 anos. É certo que em caso de venda o lucro do clube será mínimo: conforme revelado pelo UOL Esporte, apenas 5% dos direitos econômicos são corintianos. Presidente à época, Mário Gobbi trocou as fatias por dívidas. 

Os funcionários da CBF se baseiam no calendário para relacionar a queda de desempenho de Matheus Pereira com a viagem para a Europa, a especulação de transferência e a promoção no Corinthians. Pouco antes desses fatos, a serviço da seleção sub-17, ele foi destaque na disputa de dois torneios pela seleção: no Chile, em novembro, e nos Estados Unidos, em dezembro. Depois, só regrediu. 

Quem acompanha a trajetória do jogador na base do Corinthians vê com preocupação os efeitos que uma promoção precoce pode causar. Embora Matheus Pereira seja um jogador talentoso, acredita-se que ele ainda precisa evoluir física e taticamente. O diagnóstico é semelhante ao que é feito dentro da CBF: falta dinâmica de jogo na mesma proporção que sobra habilidade. 

Desde janeiro, Pirulão participa de treinamentos entre os profissionais, mas normalmente acaba fora dos coletivos mais intensos, contra os titulares. É comum vê-lo treinar à parte enquanto os demais jogadores estão sob os olhares de Tite. Em cinco meses, só foi relacionado uma vez, na estreia do Campeonato Brasileiro, diante do Cruzeiro. 

Em alguns momentos, como na Copa do Brasil sub-17, o jogador voltou para jogar com as divisões de base, o que acabou inútil. O desempenho dele, a exemplo do que demonstrou no Sul-Americano, foi abaixo do habitual. A principal promessa do Corinthians corre o risco de ser só uma promessa.  

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