Justiça dos EUA diz que Marin pode pegar 20 anos de prisão

Do UOL, em São Paulo

José Maria Marin e outros seis dirigentes podem pegar 20 anos de prisão em virtude de irregularidades em contratos comerciais de torneios  na América do Sul e Central. A informação é do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Ao todo, 14 réus são acusados de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro.

"Eles [os sete detidos] podem pegar 20 anos de prisão, mas a sentença depende de cada um. Cada caso é um caso", reforçou Loretta Lynch, procuradora-geral da Justiça dos EUA.

O ex-presidente da CBF de 83 anos está detido em Zurique. A Justiça suíça informou que os detidos serão extraditados para os Estados Unidos, base da investigação coordenada pelo FBI. Caso Marin se oponha à extradição, será aberto um requerimento em que ele terá de permanecer por pelo menos 40 dias na Suíça. 

A Fifa anunciou o banimento temporário de 11 envolvidos na investigação da Justiça dos Estados Unidos. 

A investigação aponta suborno de US$ 150 milhões (equivalente hoje a mais de de R$ 450 milhões) em questões ligadas a transmissão de jogos e direitos de marketing do futebol na América do Sul e Estados Unidos. O esquema fraudulento existe desde a década de 90, ainda segundo a investigação.

Investigação aponta suborno em contratos da Copa do Brasil e Libertadores 

A Traffic, do empresário brasileiro J Hawilla, é apontada pela investigação como um dos principais canais de desvios de recursos e propinas. A empresa é detentora dos direitos de transmissão da Copa do Brasil, Libertadores e Copa América. J Hawilla se comprometeu à Justiça norte-americana a devolver US$ 150 milhões.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Marin recebeu R$ 2 milhões em propinas por cada edição da Copa do Brasil. O suborno tinha como intuito facilitar os direitos comerciais do torneio.

 

O Departamento de Justiça dos EUA também mira o contrato da CBF feito com a Nike, ainda na gestão Ricardo Teixeira.

"A maioria dos esquemas investigados diz respeito a solicitação e recebimento de propinas por autoridades do futebol vindas de executivos de marketing, em conexão com a comercialização de direitos de imagem e marketing de várias partidas e campeonatos, incluindo as Eliminatórias da Concacaf, a Copa Ouro da Concacaf, a Liga dos Campeões da Concacaf, a Copa América da Conmebol, a Copa Libertadores da Conmebol e a Copa do Brasil, que é organizada pela CBF. Outros esquemas citados dizem respeito a propinas em conexão com o patrocínio da CBF dado por uma grande marca de material esportivo, a seleção da sede da Copa de 2010 e a eleição presidencial da Fifa em 2011", diz a nota do Departamento de Justiça, claramente citando a Nike.

Os outros dirigentes detidos em Zurique são Jeffrey Webb (presidente da Concacaf), Eduardo Li (presidente da Federação Costarriquenha), Julio Rocha, Costas Takkas, Rafael Esquivel e Eugenio Figueiredo (ex-presidente da Conmebol). A sede da Concacaf, em Miami, nos EUA, passará pela execução de um mandado de busca. 

Além disso, membros do Ministério Público da Suíça recolheram documentos e dados eletrônicos na sede principal da Fifa, em Zurique. Além disso, o órgão anunciou que abriu um processo criminal por suspeitas de gestão desleal e lavagem de dinheiro em relação com a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022.

 

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