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Atacante volta ao Vasco e quer nova chance após superar drogas e álcool

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

2015-07-02T06:00:00

02/07/2015 06h00

Artilheiro da Copa do Brasil de 2006 e ovacionado por uma das maiores torcidas do Brasil. Natural de Canhotinho, no interior de Pernambuco, Valdiram teve tudo o que um jovem humilde almejou na carreira de futebol, mas colocou a perder em função da dependência por cocaína, maconha e álcool. Dizendo-se convertido a religião evangélica há cinco anos, o atacante, hoje com 31 anos, ganhou mais uma oportunidade de Eurico Miranda e viu as portas do Vasco, clube onde viveu o ápice de sua vida, abrirem-se novamente.

Sem jogar desde janeiro do ano passado, ele tem usufruído da estrutura do Cruzmaltino para se recuperar de cirurgias nos ligamentos cruzados dos dois joelhos.  A chance lhe foi dada após o próprio procurar o presidente do clube, que mais uma vez não lhe deu as costas, assim como havia feito há nove anos, quando tentou salvá-lo dos problemas dando assistência e até mesmo matriculando-o na escola do Vasco para alfabetizá-lo.

"Eu estava com dois meses e dez dias de cirurgia e fui em São Januário conversar com o Eurico. Ele me abriu as portas. Tenho que agradecer primeiramente a Deus, e depois ao presidente por me dar mais essa oportunidade. Ele é um homem de palavra. Já estou fazendo fisioterapia no clube há dois meses e estou sendo muito bem tratado por funcionários e jogadores", disse o atacante, que fica junto com os jovens da base.

Embora esteja se cuidando no clube, Valdiram, a princípio, não será aproveitado no elenco profissional. Mas o atacante, por enquantp, prefere não se preocupar com isso, já que só terá condições de retornar aos gramados ano que vem. No momento, opta por demonstrar gratidão ao Vasco mais uma vez.

"Para mim é gratificante voltar onde fui ídolo. Até hoje não esqueceram da passagem que tive pelo Vasco. O clube faz parte da minha vida. Passei pelas drogas, vivi no mundo da cocaína, da maconha, da prostituição, e o Vasco me abriu as portas novamente. O Vasco faz parte da minha recuperação. Há cinco anos, tive forças para sair desta situação e agora estou focado em voltar aos gramados", declarou.

Atualmente, Valdiram mora na igreja que frequenta, a Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em São João de Meriti (RJ). Ele garante que sua rotina tem sido a de sair do templo, ir a São Januário e do estádio retornar para o local. Paralelamente, revela que tem feito palestras e pregações em cultos religiosos e em presídios do Rio de Janeiro.

Seu discurso de "limpeza" das drogas e do álcool há cinco anos foi contestado no início de 2014, quando deixou o Comercial (AL). Na ocasião, a diretoria do clube o acusou de recaída e até de furto de celular de um ex-companheiro. O atacante, por sua vez, nega veementemente a versão.

"O Comercial me abriu as portas depois do Bonsucesso. O presidente Flávio mandou me chamar na minha casa e eu fui. Conversei com o pai dele, que é o prefeito da cidade (Viçosa). Fechei o contrato e ele me prometeu que pagaria salário. Passou o mês de dezembro inteiro, mais 20 dias de janeiro e nada. Então eu fui realmente falar com ele que tinha quase dois meses que não recebia, que o clube estava numa situação difícil, a alimentação não era a ideal. Então arrumei minhas coisas e fui embora. Aí saiu na matéria ele me acusando que eu tinha feito furto sem eu ter feito. Mas como homem de Deus, perdoei aqueles pessoas. Agora fiquei sabendo que o clube acabou. Era tudo mentira", defende-se.

Embora voltar a vestir a camisa do Vasco oficialmente ainda seja um desejo distante, Valdiram ainda mantém o sonho de ouvir novamente a música que fez sucesso nas arquibancadas de São Januário e do Maracanã em 2006: "Ram! Ram! Ram! Matador é o Valdiram!".

"Eu sinto muita saudade. Você não sabe a alegria que eu vivo hoje. Depois de tudo que passei, poder voltar a vestir a camisa de treino, o calção... Espero um dia voltar a ouvir a torcida do Vasco cantando a música do Valdiram. Tudo isso vem na minha mente. Eu mereço uma oportunidade. Larguei samba, pagode, baile funk, as mulheres... Ninguém vai se arrepender. As pessoas ainda acham que eu sou o Valdiram de antigamente, mas hoje sou um homem de Deus", garantiu.

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