De olho no cofre

Sem receber jogos, Arena Amazônia passa a cobrar R$ 400 por sessão de fotos

Vinícius Segalla

Do UOL, em São Paulo

  • Portal da Copa

    Estádio dá prejuízo ao Estado do Amazonas desde a sua inauguração

    Estádio dá prejuízo ao Estado do Amazonas desde a sua inauguração

A Arena Amazônia, estádio erguido pelo Governo do Estado do Amazonas por cerca de R$ 750 milhões e com capacidade para 42.300 pessoas, é um estádio deficitário desde a sua inauguração. Os times amazonenses quase não jogam lá, já que a média de público das partidas locais não chega aos mil pagantes, e que faz com que o dinheiro arrecado ba bilheteria não seja suficiente para cobrir o custo de operação.

Por causa disso, a Fundação Vila Olímpica do Amazonas (FVO), órgão estatal que administra a arena, encontrou uma nova forma de monetizar o equipamento: a cobrança de R$ 400 para a realização de ensaios fotográficos na Arena Amazônia.

Assim, o Estado do Amazonas passa a oferecer este novo serviço à população. É possível tirar fotos por duas horas ininterruptas dentro da moderna arena, ao custo de R$ 400. é este o preço para a entrada de, no máximo, cinco pessoas. A partir deste número, serão R$ 50 a mais por pessoa. O ensaio poderá ser realizado no pódio, na área VIP, arquibancadas inferiores e ao gramado sintético. Não será autorizado o acesso ao gramado natural.

Na semana passada, o Diário Oficial do Estado do Amazonas explicou o motivo de criar esta nova fonte de renda para o estádio: "a necessidade de prover a manutenção, conservação, segurança e outros, inerentes à utilização plena do complexo desportivo".

Para realizar o ensaio, o interessado deverá pagar a taxa na conta da FVO com dez dias de antecedência, além de protocolar uma solicitação oficial dirigida ao presidente da fundação instituição. A solicitação será analisada pela FVO, que informará sobre a disponibilidade, a data e o horário.

A título de multa, o cancelamento do ensaio após o pagamento da taxa não enseja a restituição dos valores pagos. O não comparecimento sem comunicação prévia, na data e horários previstos, será considerado 'no show' (desistência sem cancelamento).


Tragédia anunciada 

Desde a inauguração da Arena Amazônia, ficou claro que o principal propósito do estádio - receber jogos de futebol - não seria capaz de tornar sua operação economicamente viável.

Em 2014, a praça esportiva recebeu somente quatro jogos após a última partida da Copa do Mundo disputada em Manaus, entre Suíça e Honduras, no dia 26 de junho. Assim, o equipamento fechou o período de 2014 pós-Copa com uma média de 0,7 jogo por mês, a pior média entre as 12 arenas construídas ou reformadas para receber os jogos do Mundial.

De acordo com a fundação estadual responsável pela administração do estádio, o valor arrecadado nas bilheterias do estádio de julho a dezembro, com as quatro partidas realizadas, foi de R$ 8.237.835.

Por força de uma lei estadual, 10% da renda bruta dos jogos realizados na Arena Amazônia deve ficar nos cofres amazonenses. Isso significa que, em seis meses, o Estado do Amazonas recebeu R$ 823 mil em virtude dos jogos realizados na nova arena, ou uma média de R$ 137,3 mil por mês. O valor representa 27,45% do custo de manutenção mensal da Arena Amazônia.

Em 2015, o quadro apenas se deteriorou. Os clubes amazonenses não demonstraram interesse em jogar no estádio, já que o público e a renda não justificam o investimento no aluguel do equipamento. Em uma tentativa de baratear as operações, o governo estadual chegou a cancelar a contratação de equipes de limpeza para os dias seguintes aos eventos ocorridos no estádio, mas nem isso tirou a arena do vermelho.

Nada disso, porém, tira o otimismo das autoridades estaduais do Amazonas. "A Arena Amazônia passou a ser o orgulho da Região Norte, a joia do Norte. O Estado ganha com os impostos dos eventos no local e, como o futebol é o esporte que mais garante ascensão social, a arena tem que ser olhada como cunho social. (...) Quando olhamos para o lado social, é mais fácil um torcedor amazonense ver um jogo da Copa do Mundo ou de um time do Rio de Janeiro em Manaus do que comprar uma passagem aérea para ir até o Rio. Daí, percebemos o valor do estádio", explica Aly Almeida, presidente da FVO. 

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