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Futebol em Marte? Astrônomo projeta riscos de uma "pelada" no planeta

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Daniel Lisboa

Do UOL, em São Paulo

23/10/2015 06h00

Marte está na moda. A NASA anunciou recentemente ter descoberto água por lá, e o filme “Perdido em Marte” trouxe a história de um astronauta largado pelos companheiros no planeta e que precisa se virar para sobreviver até que consigam resgatá-lo. Realidade ou ficção, tudo o que remete ao “vizinho” traz uma série de questões: existe vida em Marte? Quando o homem vai pisar lá? Como ele sobreviveria?

Polêmico e contestado por alguns especialistas, há um projeto holandês chamado “Mars One” que pretende começar a instalar uma colônia humana em Marte a partir de 2025. O site do projeto traz informações detalhadas sobre como isso seria feito, mas, curiosamente, não diz nada sobre atividades físicas ou como os “colonos” fariam para manter a forma. Realidade ou devaneio, há quem já pague pra começar a morar no local. Os mais empolgados já começam a planejar uma vida por lá. O UOL Esporte aproveitou o momento para tentar responder a mais uma dúvida: se um dia colonizarmos Marte, será possível jogar futebol em terras marcianas? 

Órgãos explodiriam

Quem ajuda a responder à hipotética questão é Rodrigo Nemmen, doutor em astrofísica pela UFRGS e professor de astrofísica no IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo). Logo de cara, ele já deixa claro as terríveis condições as quais estariam sujeitos os peladeiros do planeta vermelho.

“Marte não é um lugar amigável para os seres humanos. A pressão atmosférica lá é muito menor que aqui na Terra (equivale a cerca de 1%). Se você chegasse de bermuda, chinelo e camiseta, em poucos minutos a sua pele iria se romper, os seus órgãos explodiriam e você sofreria uma morte rápida, porém dolorosa”, avisa o astrônomo.

Para resolver esse “probleminha”, Rodrigo sugere abandonar a moda peladeiro e imaginar que, futebol em Marte, só com o traje protetor usado por astronautas. Afinal, a temperatura média no planeta é de -47°C. Só que aí haveria um outro obstáculo a contornar. “A gravidade em Marte é menos da metade da gravidade na Terra (cerca de 40%). Seria bastante complicado tentar contornar este problema”, explica o astrônomo, que, no entanto, sugere um cenário interessante.

Bom para cabeceadores e velocistas

“Seria um futebol acrobático. Você dificilmente levaria tombos no planeta vermelho”, diz Rodrigo, para alegria dos boleiros e jogadores que se contundem facilmente. Ele ainda revela que um pulo em Marte alcançaria uma altura três vezes maior do que na Terra. O mesmo valeria para um passo, que lá também renderia três vezes mais do que nestas bandas. Ou seja: bons cabeceadores, e os chamados “velocistas”, provavelmente seriam os jogadores mais disputados em Marte.

Ter que sair correndo para buscar a bola chutada para longe também faria parte da rotina futebolística marciana. “Seria difícil manter a bola dentro do campo de futebol. Uma bola chutada em Marte alcançaria mais que o dobro da distância da mesma bola chutada na Terra”, explica Rodrigo, que faz um alerta frustrante para quem gostar de “botar efeito” na redonda. “A baixa resistência do ar em Marte tornaria difícil certas jogadas que bons jogadores usam, por exemplo colocar giro na bola”, esclarece ele.

Bolas “terráqueas” inúteis em Marte

Falando em bola, nem pense em levar a sua para o planeta vermelho. Por mais avançada e cara que ela seja, não irá sobreviver. Isso porque, explica Rodrigo, “uma bola de futebol normal provavelmente iria rasgar em Marte. Ela iria se expandir devido à pressão atmosférica muito mais baixa no planeta vermelho”. A solução? Ainda não existe, mas a bola precisaria ser feita de um material especialmente desenvolvido para as condições marcianas.

O astrônomo Rodrigo Nemmen - Arquivo pessoal
O astrônomo Rodrigo Nemmen
Imagem: Arquivo pessoal

Outro desafio seria arranjar um local adequado para bater uma bolinha. “A superfície de Marte é um grande deserto, coberto de pedra basáltica com uma camada de areia vermelha. E bastante acidentada, cheio de crateras. Seria difícil achar uma área limpa para jogar”, esclarece o astrônomo. E sabe aquela história que craque que é craque joga em qualquer lugar? Em Marte, seria preciso dar um pouquinho mais.

Menos esforço físico, mais precisão

“Um Messi marciano precisaria de uma preparação física extremamente diferente daquela de um terráqueo”, brinca Rodrigo. Ele esclarece que, teoricamente, os jogadores seriam menos exigidos fisicamente em Marte por causa da gravidade reduzida. Por outro lado, seria preciso muita agilidade.

“Como o jogador vai ter que jogar bola com um traje de astronauta que não permite muita agilidade, o jogo vai ser menos ágil, mais lento. A importância do posicionamento e precisão dos passes vai ser muito maior que aqui na Terra”, imagina o astrônomo.

Perda de massa

Se o futebol marciano seria menos extenuante para os jogadores, eles precisariam tomar cuidado para manterem a forma durante a viagem à Marte. Astronautas podem perder massa muscular e óssea devido às condições enfrentadas em uma expedição espacial. Mas não se preocupe: a “malhação espacial” existe para resolver esse problema. “Existem aparelhos de ginástica especiais para que os astronautas se mantenham em forma. Por exemplo, esteiras e pesos especiais.”

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