Times brasileiros culpam crise, dólar e até China por mercado da bola fraco

Vanderlei Lima e Vinicius Castro

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

O mercado da bola está frio. O festival de contratações faz parte do passado no novo panorama do futebol brasileiro. A crise econômica, a alta do dólar e o poder de compra dos chineses reduziram as investidas dos clubes na busca por reforços para 2016.

Os próprios dirigentes confirmam a postura conservadora e admitem dificuldades na hora de negociar. A principal contratação até o momento foi a do meia Diego Souza pelo Fluminense. O jogador voltou ao Tricolor com status de líder. Marlone chegou ao Corinthians, enquanto Jean está próximo de ser confirmado pelo Palmeiras. Fora isso, pouca coisa aconteceu.

O Flamengo é dono de um dos maiores potenciais no mercado. Com uma previsão orçamentária de R$ 20 milhões para contratar, o Rubro-negro também contará com R$ 8,6 milhões da venda de Samir para a Udinese-ITA. Ainda podem entrar R$ 13 milhões do Al-Nassr, da Arábia Saudita, pela venda do atacante Hernane Brocador em 2014. Tudo será utilizado para reforçar o elenco. Entretanto, o trabalho é extremamente dosado pela gestão do presidente Eduardo Bandeira de Mello.

"O Brasil está em recesso. É uma crise sem fim. Há três anos repatriávamos e buscávamos qualquer jogador. Euro e dólar estavam mais baixos. É um problema e a responsabilidade nas contratações torna-se ainda maior. Não dá para entrar em aventura. Se entrar, precisa cumprir. O Flamengo cumpre rigorosamente. Vivemos outro panorama. Um clube para ter as certidões negativas precisa manter as obrigações fiscais e tributárias. Também não existe um número considerável de bons jogadores circulando. Os clubes trabalham mais ainda na manutenção. Uma série de fatores exige cautela no panorama atual", explicou o diretor executivo de futebol do Flamengo, Rodrigo Caetano.

O poder do futebol chinês chama a atenção. Um dos principais jogadores do último Campeonato Brasileiro, Jadson aceitou disputar a Segunda Divisão divisão do país. A economia é incomparável e a concorrência considerada "desleal".

"Os chineses investem muito e trabalham com valores bem mais elevados. Os jogadores mais rodados encontram na China uma boa opção para ganhar dinheiro. O nosso mercado está totalmente parado. Vamos esperar a abertura do Europeu para ver como as coisas funcionarão", comentou o vice de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro.

Diretor adjunto de futebol do Corinthians, Eduardo Ferreira referendou as dificuldades. Porém, acrescentou as estratégias dos clubes para surpreender os rivais no mercado.

"Tudo o que vem de fora está complicado. Acho que até tem muita gente se mexendo, mas estão quietos. É lógico que o mercado está abaixo do normal como essa concorrência desleal da China. O Corinthians está atrás de três ou quatro peças pontuais. Nada mais do que isso. Todos conhecem as dificuldades", encerrou.

Com o novo desenho do mercado da bola, a maioria dos clubes brasileiros têm investido em acertos com jogadores sem contrato, apostas e atletas oriundos da Série B. As sondagens e conversas com nomes expressivos existem, porém, as negociações são complicadas em razão do panorama diagnosticado pelos dirigentes.

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